O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, visitou nesta terça-feira (3) a farmacêutica Bionovis, localizada no município de Valinhos, no interior de São Paulo. A agenda presidencial reforçou a estratégia do governo federal de ampliar a soberania nacional na produção de medicamentos e insumos de alta complexidade, especialmente aqueles destinados ao Sistema Único de Saúde.
Fundada em 2012 a partir da união dos laboratórios Aché, EMS, Hypera Pharma e União Química, a Bionovis é considerada uma das principais empresas brasileiras no segmento de biotecnologia aplicada à saúde. A indústria é responsável pela produção de medicamentos biológicos de alta complexidade e atualmente fornece cerca de 19 milhões de seringas e frascos ao SUS, atendendo pacientes de todo o país.
Durante a visita, o presidente Lula enfatizou que o papel do Estado é atuar como indutor do desenvolvimento econômico e industrial, criando condições para que a iniciativa privada invista, produza e gere benefícios sociais. Segundo ele, políticas públicas estruturadas, aliadas a instrumentos de crédito e financiamento, são fundamentais para fortalecer setores estratégicos da economia. Para o presidente, quando há cooperação entre governo e empresas, os ganhos se refletem diretamente na melhoria da qualidade de vida da população.
A comitiva presidencial contou com a presença do presidente da Bionovis, Odinir Finotti, do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, além dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Alexandre Padilha (Saúde) e Simone Tebet (Planejamento). A presença de representantes de diferentes áreas do governo evidenciou o caráter transversal da política de fortalecimento do complexo industrial da saúde.
De acordo com informações do governo federal, a política voltada ao desenvolvimento do setor e à redução da dependência externa de medicamentos e insumos estratégicos já reúne investimentos da ordem de R$ 15 bilhões, direcionados à inovação tecnológica, pesquisa científica e ampliação da capacidade produtiva nacional.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que o avanço de projetos industriais desse porte depende diretamente da atuação do Estado como parceiro estratégico. Ele ressaltou que políticas de compras governamentais e o acesso a crédito de longo prazo são essenciais para viabilizar empreendimentos de alta complexidade tecnológica. Segundo o ministro, a articulação entre órgãos públicos, instituições financeiras e a iniciativa privada cria um ambiente favorável tanto para o mercado interno quanto para a expansão das exportações.
Nesse contexto, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social aprovou, no ano passado, um financiamento de R$ 650 milhões para a Bionovis. O recurso foi destinado à implantação de uma linha industrial pioneira voltada ao desenvolvimento e à fabricação de insumos e medicamentos biotecnológicos avançados na unidade de Valinhos.
A nova estrutura permitirá a produção nacional de insumos que, até recentemente, eram importados exclusivamente de países como China, Estados Unidos, Índia e Coreia do Sul. A iniciativa representa um passo importante para a autonomia tecnológica do Brasil na área da saúde, reduzindo a vulnerabilidade do país a crises internacionais de abastecimento e fortalecendo a indústria farmacêutica nacional.
A visita presidencial reforça, assim, o compromisso do governo federal com a consolidação de uma política industrial voltada à inovação, à geração de empregos qualificados e à garantia do acesso da população a medicamentos essenciais, especialmente por meio do SUS.





