O embaixador Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta segunda-feira (2) que o Brasil precisa estar preparado para cenários adversos diante da escalada do conflito que envolve Irã, Estados Unidos e Israel. Em avaliação considerada cautelosa, Amorim alertou que a intensificação das hostilidades eleva significativamente o risco de instabilidade regional e pode gerar consequências imprevisíveis para a ordem internacional.
Segundo o diplomata, a morte de líderes em exercício independentemente do lado envolvido é um fator que agrava o cenário e dificulta qualquer tentativa de mediação. “Trata-se de algo condenável e absolutamente inaceitável sob o ponto de vista do direito internacional. Além disso, esse tipo de ação tende a aprofundar ressentimentos, estimular retaliações e afastar soluções diplomáticas”, pontuou.
Ao detalhar o que considera “o pior” dos cenários possíveis, Amorim destacou o risco de o conflito se espalhar por todo o Oriente Médio. Para ele, a dinâmica atual aponta para um aumento rápido e contínuo das tensões, com potencial de envolver outros países e atores não estatais. “O crescimento vertiginoso das tensões, com grande possibilidade de expansão territorial e política do conflito, é extremamente preocupante”, afirmou.
O embaixador ressaltou ainda que o Irã possui histórico de apoio logístico e militar a grupos xiitas em diferentes países da região, além de relações com organizações consideradas radicais por parte da comunidade internacional. Esse contexto, segundo Amorim, amplia o risco de um efeito dominó, no qual confrontos localizados evoluem para um embate regional de maiores proporções.
No entendimento do assessor presidencial, o Brasil deve acompanhar a situação com atenção redobrada, reforçando sua tradição diplomática baseada no diálogo, na defesa do multilateralismo e na busca por soluções pacíficas. Amorim também sinalizou que o agravamento do conflito pode ter reflexos globais, incluindo impactos econômicos, humanitários e energéticos, especialmente em razão da importância estratégica do Oriente Médio para o abastecimento mundial de petróleo e gás.
Por fim, o diplomata defendeu que a comunidade internacional atue de forma coordenada para conter a escalada da violência. “É fundamental que prevaleça a diplomacia. O custo humano e político de um conflito ampliado seria altíssimo, não apenas para a região, mas para o mundo como um todo”, concluiu.





