Em meio a intensas especulações sobre uma possível mudança de instância no julgamento do chamado Caso Master, a Polícia Federal dá início, a partir desta segunda-feira (26/1), a uma etapa decisiva das investigações conduzidas no âmbito da Operação Compliance Zero. Investigados começam a ser ouvidos em depoimentos que poderão influenciar diretamente o rumo do inquérito e a definição sobre a permanência do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) ou o retorno das apurações à Justiça Federal, em Brasília, e à Justiça de São Paulo.
As oitivas têm como foco o aprofundamento das investigações sobre supostas irregularidades envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Segundo fontes ligadas ao caso, os depoimentos são considerados estratégicos para esclarecer a dinâmica das negociações, a origem das operações financeiras questionadas e o possível envolvimento de gestores e empresários no processo.
Ao todo, oito pessoas prestarão depoimento à Polícia Federal, em sessões realizadas tanto de forma presencial quanto por videoconferência, diretamente a partir da sede do STF. O inquérito está sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, responsável por estabelecer os procedimentos das oitivas e decidir, posteriormente, se haverá ou não o declínio de competência da Corte.
Entre os convocados estão ex-diretores do BRB e do Banco Master, além de empresários com ligação direta às operações investigadas. Um dos nomes que figuram na lista é o de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do empresário Daniel Vorcaro. Todos são investigados por supostos crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa, relacionados à venda de carteiras de crédito que, conforme apontam as investigações, seriam inexistentes ou teriam sido infladas artificialmente durante as negociações entre as instituições financeiras.
As oitivas estão programadas para ocorrer nesta segunda-feira (26/1) e na terça-feira (27/1). No primeiro dia, os depoimentos serão colhidos por videoconferência, obedecendo à seguinte ordem:
- Dário Oswaldo Garcia Junior, ex-diretor financeiro do BRB, às 8h;
- André Felipe de Oliveira Seixas Maia, ex-funcionário do Banco Master, às 10h;
- Henrique Souza e Silva Peretto, empresário ligado a empresas envolvidas nas operações investigadas, às 14h;
- Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de tesouraria do Banco Master, às 16h.
A expectativa é que, com o encerramento dessa fase de depoimentos, o STF tenha elementos suficientes para avaliar se os fatos investigados justificam a manutenção do caso sob sua jurisdição ou se o inquérito deverá retornar às instâncias inferiores. A decisão de Dias Toffoli poderá redefinir o ritmo e o alcance das investigações, além de ter impacto direto sobre o futuro dos envolvidos no caso que tem mobilizado os órgãos de controle e o sistema financeiro nacional.





