O príncipe herdeiro Reza Ciro Pahlavi classificou as recentes manifestações no Irã como a “chama de uma revolução nacional” e convocou a população a intensificar a pressão contra o governo do aiatolá Ali Khamenei. A declaração foi divulgada nas redes sociais e repercutiu entre grupos da diáspora iraniana e opositores do regime teocrático que governa o país há mais de quatro décadas.
Em sua mensagem, Pahlavi fez um apelo amplo à sociedade iraniana, incentivando a adesão de diferentes categorias profissionais às greves e protestos. “Apelo ao povo do Irã para que se junte às greves e protestos em todo o país: funcionários públicos, trabalhadores dos setores de energia e transporte, caminhoneiros, enfermeiros, professores e acadêmicos, artesãos e empresários, aposentados e aqueles que perderam suas economias todos, unam-se e juntem-se a este movimento nacional”, afirmou.
Aos 65 anos, Reza Ciro Pahlavi vive no exílio nos Estados Unidos desde o fim da década de 1970, quando a monarquia iraniana foi deposta após uma série de protestos populares. Seu pai, Mohammad Reza Pahlavi, governou o Irã entre 1941 e 1979, período marcado por forte repressão política, denúncias de abusos de direitos humanos e alinhamento estratégico com países ocidentais fatores que contribuíram para a Revolução Islâmica que instaurou o atual regime dos aiatolás.
Com a queda da monarquia, a família real deixou o país, e o xá morreu no exílio em 1980. Desde então, Reza Pahlavi se tornou o último herdeiro do trono iraniano e passou a atuar como uma das principais vozes da oposição no exterior. A partir dos Estados Unidos, ele defende a criação de um novo governo no Irã e o fim do regime teocrático que vigora há mais de 40 anos.
O pronunciamento do herdeiro do último xá ocorre em meio a uma nova onda de manifestações que tomaram as ruas de diversas cidades iranianas nos últimos dias. Entre os principais motivos dos protestos está a crise econômica, agravada por uma inflação elevada que tem corroído o poder de compra da população e elevado o custo de vida no país.
Diante da pressão popular, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian adotou um tom conciliador. Em comunicado publicado na rede social X, no último dia 29 de dezembro, ele afirmou ter orientado o ministro do Interior a ouvir as “reivindicações legítimas” dos manifestantes por meio do diálogo com seus representantes. O governo, no entanto, segue sob forte pressão interna e internacional, especialmente em razão das sanções impostas ao Irã por seu programa nuclear.





