A Federação Brasil da Esperança, formada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Verde (PV), solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a prorrogação do horário de votação até as 19h deste domingo (25) em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. O pedido foi motivado por denúncias de redução na oferta de transporte público durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, situação que, segundo a federação, teria dificultado o deslocamento de eleitores até os locais de votação.
A solicitação foi encaminhada ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, por meio de um documento apresentado pelos advogados da federação. Na manifestação, a representação partidária argumentou que os municípios haviam assumido o compromisso de disponibilizar transporte público gratuito com uma frota equivalente à utilizada nos dias úteis. Entretanto, conforme as informações apresentadas pela entidade, a circulação de ônibus teria ficado abaixo do previsto, levantando questionamentos sobre as condições de acesso dos eleitores às urnas.
O caso ganhou maior repercussão em Salvador, onde a redução da frota teria ultrapassado 50%, de acordo com os dados citados na denúncia. A diminuição expressiva da oferta de ônibus, em um domingo marcado pela votação para a Presidência da República, motivou cobranças por providências para restabelecer o serviço e reduzir possíveis obstáculos à participação dos cidadãos no processo eleitoral.
Diante da situação, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Mauricio Kertzman Szporer, determinou, às 11h54, o restabelecimento da frota de transporte público. A decisão estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento, conforme as informações divulgadas sobre a medida. A determinação buscou pressionar pelo cumprimento da oferta de transporte prevista para o dia da votação.
A discussão sobre a disponibilidade de ônibus assumiu relevância diante da necessidade de garantir que os eleitores conseguissem chegar às respectivas seções eleitorais dentro do período estabelecido pela Justiça Eleitoral. Em grandes centros urbanos, onde parte significativa da população depende do transporte coletivo para se deslocar, alterações na circulação de veículos podem representar um obstáculo adicional, especialmente para moradores de bairros mais distantes dos locais de votação.
A federação sustenta que a redução do serviço poderia comprometer as condições de participação de parte do eleitorado e, por isso, defendeu a ampliação do horário de votação nos três municípios baianos. A proposta apresentada ao TSE busca, nesse contexto, oferecer mais tempo para que os cidadãos eventualmente prejudicados pelas dificuldades de deslocamento possam exercer o direito ao voto.
O pedido, contudo, não deve ser confundido com uma decisão já concedida. A prorrogação até as 19h depende de deliberação da autoridade eleitoral competente, e a solicitação da federação, por si só, não altera automaticamente o horário oficial de encerramento da votação.
O episódio também coloca em evidência a importância do planejamento integrado entre os órgãos responsáveis pela organização das eleições e as administrações municipais. A oferta adequada de transporte público, sobretudo em cidades com grande concentração populacional, é um dos fatores que podem contribuir para facilitar o acesso dos eleitores às urnas e evitar dificuldades durante o exercício da cidadania.
Em um segundo turno que mobiliza o eleitorado em torno da escolha do próximo presidente da República, a controvérsia sobre o transporte coletivo acrescenta uma dimensão logística à jornada eleitoral na Bahia. Além da organização das seções, da segurança e do funcionamento das urnas eletrônicas, a capacidade de deslocamento da população tornou-se parte central do debate nos municípios citados.
A solicitação encaminhada ao TSE e a determinação do TRE-BA para recompor a frota evidenciam a pressão por medidas capazes de assegurar condições adequadas de votação. O desdobramento do caso depende das providências adotadas pelas administrações municipais e das decisões da Justiça Eleitoral sobre o pedido de extensão do horário.
A situação reforça que a garantia do direito ao voto envolve não apenas a disponibilização de urnas e locais de votação, mas também a observância das condições necessárias para que os eleitores consigam comparecer às seções eleitorais. Em meio à disputa presidencial, a discussão sobre o transporte público passou a integrar os acontecimentos que marcaram o segundo turno na Bahia.






