O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) convocou apoiadores e lideranças políticas para uma manifestação marcada para o dia 7 de Setembro, na Avenida Paulista, em São Paulo. De acordo com a convocação divulgada pela equipe do presidenciável nesta terça-feira (25), a concentração está prevista para as 15h, em um ato que pretende reunir representantes da direita e simpatizantes do movimento bolsonarista durante o feriado da Independência do Brasil.
A mobilização vem sendo articulada pela campanha de Flávio Bolsonaro como uma das principais agendas públicas relacionadas ao 7 de Setembro. Nas redes e nos canais de comunicação utilizados pela equipe, o candidato orientou lideranças políticas e apoiadores a produzirem vídeos de convocação e ampliarem a divulgação do evento, numa estratégia destinada a estimular a participação popular e fortalecer a presença do movimento nas ruas.
Na mensagem divulgada pela campanha, o chamado para a manifestação utiliza um discurso de mobilização política e valorização da participação dos apoiadores. “7 de setembro é dia de mostrar a força de quem acredita em um Brasil diferente”, afirma o texto. A convocação é encerrada com a frase “Vamos juntos resgatar o Brasil”, reforçando o tom eleitoral adotado pela campanha.
Paulista volta a ocupar posição central na estratégia bolsonarista
A escolha da Avenida Paulista para a realização do ato não é casual. O principal cartão-postal financeiro de São Paulo tornou-se, nos últimos anos, um dos mais emblemáticos espaços de manifestações ligadas ao bolsonarismo. A localização reúne forte capacidade de mobilização, visibilidade nacional e histórico de grandes atos políticos, especialmente em momentos de maior tensão no cenário institucional brasileiro.
A equipe de Flávio Bolsonaro trabalha para reproduzir parte da estratégia de mobilização que marcou a trajetória política de Jair Bolsonaro, seu pai. Ao longo dos últimos anos, o 7 de Setembro passou a ocupar lugar de destaque no calendário político do movimento, transformando uma data tradicionalmente associada às comemorações da Independência em um momento também utilizado para manifestações de caráter político.
A intenção da campanha é aproveitar o simbolismo da data para ampliar a exposição do candidato, fortalecer sua conexão com a base bolsonarista e demonstrar capacidade de mobilização em um dos principais centros políticos e econômicos do país.
Histórico de manifestações no 7 de Setembro
A utilização do Dia da Independência como plataforma de mobilização política ganhou força durante o governo Jair Bolsonaro. Em 2021, quando ainda ocupava a Presidência da República, Bolsonaro participou de manifestações realizadas em Brasília e em São Paulo. Na Avenida Paulista, o então presidente adotou um discurso de forte confronto com instituições e fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
No ano seguinte, em 2022, período marcado pela disputa presidencial, Bolsonaro novamente participou das celebrações e manifestações relacionadas ao 7 de Setembro. A data foi incorporada à estratégia eleitoral daquele ano, com grandes concentrações de apoiadores em diferentes cidades brasileiras.
Já em 2024, após deixar a Presidência da República, Jair Bolsonaro voltou a convocar seus apoiadores para um ato na Avenida Paulista durante o feriado da Independência. A manifestação daquele ano teve entre suas principais pautas críticas ao ministro Alexandre de Moraes e defesa do impeachment do magistrado.
Segundo estimativa do Monitor do Debate Político do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), da Universidade de São Paulo (USP), aproximadamente 45,4 mil pessoas participaram do evento realizado na Paulista em 2024.
Avenida Paulista se consolida como palco político
Além das manifestações realizadas durante o 7 de Setembro, a Avenida Paulista passou a receber sucessivos atos ligados ao campo político de Jair Bolsonaro após o fim de seu governo. Mobilizações ocorreram em diferentes momentos, incluindo fevereiro e setembro de 2024 e abril, junho e agosto de 2025.
A sequência de manifestações ajudou a consolidar o endereço como um dos principais palcos públicos da direita brasileira. Para o grupo político ligado ao ex-presidente, a ocupação da Paulista também representa uma demonstração de força e capacidade de organização, especialmente diante de disputas políticas e institucionais que continuam influenciando o debate nacional.
A nova convocação, agora liderada por Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência, ocorre em um contexto no qual o bolsonarismo busca manter sua capacidade de mobilização e transferir para a campanha eleitoral parte da força construída nas manifestações de rua dos últimos anos.
Mobilização terá peso político e eleitoral
Embora o ato esteja previsto para ocorrer em uma data tradicionalmente marcada por celebrações cívicas, a convocação da campanha apresenta caráter claramente político. A presença de lideranças, apoiadores e grupos alinhados ao candidato deverá ser observada como um indicativo da capacidade de mobilização de sua candidatura.
O tamanho do público, a presença de lideranças políticas e os discursos apresentados durante a manifestação poderão ganhar repercussão nacional e contribuir para definir o tom da campanha de Flávio Bolsonaro nos próximos meses.
A mobilização também deverá ser acompanhada de perto pelo cenário político nacional, sobretudo porque o 7 de Setembro se transformou, nos últimos anos, em uma das principais datas utilizadas pelo bolsonarismo para demonstrar força nas ruas.
Com a convocação já anunciada, a campanha de Flávio Bolsonaro inicia uma nova etapa de articulação para o feriado da Independência. A expectativa dos organizadores é transformar a Avenida Paulista novamente em um grande ponto de concentração política, levando às ruas apoiadores que defendem a continuidade do projeto político associado ao bolsonarismo.
O evento será, portanto, mais do que uma manifestação de feriado: para a campanha, representa uma oportunidade de medir a capacidade de mobilização de sua base, ampliar a visibilidade do candidato e reafirmar a presença do bolsonarismo no cenário político brasileiro.






