Vitória da Conquista foi palco, neste sábado (8), da 5ª edição da Marcha do Orgulho LGBTQIAPN+, uma mobilização que, ao longo de cinco anos, vem consolidando seu espaço no calendário social e cultural do município. Com o tema voltado à resistência, ao respeito, à visibilidade e à garantia de direitos, o evento reuniu integrantes da comunidade LGBTQIAPN+, familiares, amigos, artistas, apoiadores e representantes do poder público em uma programação marcada por manifestações culturais, música e reivindicações por cidadania e igualdade.
A concentração ocorreu na Praça da Escola Normal, também conhecida como Praça Guadalajara. A partir do local, os participantes seguiram pela Avenida Siqueira Campos acompanhados por trio elétrico, transformando o percurso em um espaço de expressão coletiva, celebração da diversidade e reafirmação de direitos. A caminhada teve como destino o Bosque da Paquera, onde a programação prosseguiu com apresentações artísticas e culturais.
Com apoio da Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, Habitação e Direitos Humanos, a Marcha reforçou a importância da participação institucional na construção de políticas públicas destinadas à promoção dos direitos humanos e ao enfrentamento da discriminação.
Mais do que uma caminhada pelas ruas da cidade, a mobilização apresentou diferentes dimensões de uma mesma pauta. Para os participantes, ocupar os espaços públicos significa também reafirmar a existência, a cidadania e o direito de viver com dignidade e segurança, independentemente da orientação sexual, identidade ou expressão de gênero.
Durante o evento, o coordenador de Direitos LGBTQIAPN+, Anderson Rocha, destacou o caráter reivindicatório da Marcha e a importância da visibilidade para uma população que, segundo ele, historicamente teve direitos negados ou restringidos.
“Esse é um movimento que traz visibilidade para aquilo que nós sempre estamos exigindo. Nós não estamos pedindo respeito e tolerância, nós estamos exigindo”, afirmou.
Segundo Anderson, o apoio do Governo Municipal acompanha a trajetória da mobilização desde sua primeira edição. Para ele, a continuidade da Marcha demonstra a importância de manter a pauta LGBTQIAPN+ presente no debate público e de ampliar as ações voltadas à garantia de direitos no município.
O coordenador também ressaltou que a ocupação das ruas possui um significado que ultrapassa a celebração. Em sua avaliação, a presença da comunidade LGBTQIAPN+ nos espaços públicos representa uma forma de resistência diante dos episódios de LGBTfobia e das barreiras sociais que ainda fazem parte da realidade de muitas pessoas.
A Marcha também foi apresentada como um momento de celebração. Em meio às reivindicações, música, arte e manifestações culturais ajudaram a construir uma atmosfera de encontro e pertencimento, permitindo que diferentes gerações da comunidade e seus apoiadores compartilhassem o mesmo espaço.
Memória, ancestralidade e pertencimento
O presidente do Conselho Municipal de Diversidade Sexual e de Gênero, Dan Kaio Lemos, destacou que a Marcha não deve ser compreendida apenas como uma manifestação de combate à LGBTfobia. Para ele, o movimento também carrega elementos relacionados à memória, à ancestralidade, à cultura e à construção do sentimento de pertencimento.
“Então, a marcha, ela é cultura também”, destacou.
A declaração sintetiza uma das características presentes na 5ª edição: a utilização da arte como instrumento de expressão social. Música, poesia, performances e manifestações culturais estiveram integradas à programação, demonstrando que a defesa da diversidade também passa pela valorização das diferentes formas de produzir arte e ocupar a cidade.
Dan Kaio ressaltou ainda o caráter de memória da mobilização. A Marcha representa, nesse sentido, uma homenagem às pessoas LGBTQIAPN+ que viveram em períodos de maior invisibilidade e enfrentaram obstáculos para conquistar espaços de participação social. A presença nas ruas seria, portanto, também uma forma de reconhecer aqueles que contribuíram para que novas gerações pudessem reivindicar direitos e ocupar espaços públicos com maior liberdade.
Essa perspectiva amplia o significado da mobilização e estabelece uma conexão entre passado e presente. A Marcha, além de reunir pessoas no momento atual, preserva histórias e trajetórias que fazem parte da construção da comunidade LGBTQIAPN+ em Vitória da Conquista.
Arte e diversidade marcaram a programação
A programação artística foi um dos pontos de destaque da 5ª Marcha do Orgulho LGBTQIAPN+. O público acompanhou apresentações do DJ Arq-X, da Banda Axé 4 e das cantoras Ana Cabral e Mina, além das performances de Roberta Calypso, Denise e Grupo Prisma.
A poesia também esteve presente com Harry, ampliando as possibilidades de expressão durante o evento. A programação contou ainda com a participação de Dryda Queen, responsável pela condução da Marcha e por intervenções artísticas ao longo da mobilização.
A diversidade de linguagens utilizadas durante o evento contribuiu para transformar a Marcha em uma grande manifestação cultural, na qual a música, a performance e a poesia dividiram espaço com discursos e reivindicações relacionados aos direitos humanos.
Outro aspecto de destaque foi a acessibilidade. A presença de intérprete de Libras durante toda a programação garantiu que pessoas surdas pudessem acompanhar as atividades e participar de maneira mais ampla do evento.
A iniciativa reforça a necessidade de que eventos públicos voltados à diversidade também considerem diferentes formas de participação e comunicação, ampliando o acesso às atividades culturais e às manifestações coletivas.
Cinco anos de mobilização
Ao chegar à quinta edição, a Marcha do Orgulho LGBTQIAPN+ demonstra a continuidade de uma mobilização que passou a ocupar um espaço próprio na agenda de Vitória da Conquista. A cada edição, o movimento reúne reivindicação e celebração, aproximando diferentes segmentos da sociedade em torno de temas como respeito, cidadania, liberdade, dignidade e enfrentamento à discriminação.
A trajetória construída ao longo desses cinco anos também evidencia a importância da articulação entre movimentos sociais, comunidade, artistas, conselhos e poder público para manter a discussão sobre direitos LGBTQIAPN+ em evidência.
Em uma sociedade marcada por diferentes identidades, histórias e formas de expressão, a realização da Marcha representa a ocupação simbólica e concreta dos espaços públicos. Ao caminhar pelas ruas, os participantes não apenas celebram a diversidade, mas também reafirmam a necessidade de políticas públicas e ações permanentes que promovam respeito e igualdade.
A 5ª Marcha do Orgulho LGBTQIAPN+ de Vitória da Conquista encerrou sua programação reforçando, assim, uma mensagem que esteve presente desde a concentração na Praça Guadalajara até a chegada ao Bosque da Paquera: a defesa da diversidade também passa pela visibilidade, pela memória, pela cultura e pela garantia de direitos.
Mais do que um evento pontual, a mobilização reafirmou o compromisso de manter a pauta LGBTQIAPN+ presente no cotidiano da cidade e de transformar as ruas em espaços de diálogo, expressão e cidadania.






