Em Vitória da Conquista, representantes de órgãos públicos, instituições do sistema de Justiça, forças de segurança e entidades que integram a Rede de Proteção e Enfrentamento à Violência contra Mulheres e Meninas participaram, nesta sexta-feira (7), do III Encontro da Rede, iniciativa promovida pela Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres (SMPM).
Realizado dentro da programação da campanha nacional Agosto Lilás, o encontro teve como tema “Intersetorialidade e Interseccionalidade: fortalecendo a Rede para garantir direitos às mulheres” e reuniu profissionais e autoridades em torno de uma pauta que exige atuação permanente do poder público e da sociedade: a prevenção da violência de gênero, o acolhimento das vítimas e o fortalecimento dos mecanismos de proteção e garantia de direitos.
Mais do que um espaço de discussão, o encontro buscou ampliar a integração entre os diferentes setores que atuam direta ou indiretamente no atendimento às mulheres em situação de violência. A proposta é aperfeiçoar os fluxos de encaminhamento, fortalecer a comunicação institucional e construir estratégias conjuntas capazes de oferecer uma assistência mais ágil, humanizada e eficiente.
A articulação entre os serviços é considerada fundamental para evitar que mulheres em situação de vulnerabilidade tenham de percorrer caminhos fragmentados em busca de atendimento. Ao aproximar diferentes instituições, a Rede amplia a capacidade de identificar situações de risco, oferecer orientação adequada e garantir que cada caso receba o acompanhamento necessário dentro das atribuições de cada órgão.
Fortalecimento das políticas públicas
Na abertura do encontro, a secretária municipal de Políticas para Mulheres, Viviane Ferreira, ressaltou a importância da iniciativa como instrumento de diálogo, integração e qualificação das políticas públicas destinadas às mulheres.
Segundo a secretária, o fortalecimento da comunicação entre as instituições tem impacto direto na qualidade dos serviços oferecidos à população feminina, especialmente àquelas que enfrentam situações de violência.
“Quando fortalecemos o diálogo entre as instituições, fortalecemos também o serviço prestado às mulheres. Esse encontro é uma oportunidade de integrar ainda mais a rede, discutir estratégias e tornar as políticas públicas mais efetivas”, afirmou a secretária Viviane Ferreira .
Viviane Ferreira também destacou a programação voltada à formação dos profissionais que atuam na área. Entre os assuntos abordados esteve a violência patrimonial, uma modalidade que, apesar de estar prevista na legislação brasileira, ainda é pouco discutida socialmente e pode assumir diferentes formas, como retenção de documentos, destruição de bens, controle de recursos financeiros ou apropriação de patrimônio.
A programação também marcou a importância dos 20 anos da Lei Maria da Penha, considerada um dos principais instrumentos legais brasileiros de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres. A legislação estabeleceu mecanismos de proteção e assistência às vítimas e contribuiu para ampliar o debate público sobre a necessidade de prevenir e combater a violência de gênero.
Debate permanente e escuta das mulheres
Durante o encontro, a vereadora e delegada Gabriela Garrido reforçou a necessidade de manter o debate sobre a violência contra as mulheres de forma contínua, buscando não apenas respostas institucionais para os casos já registrados, mas também estratégias de prevenção.
Para a parlamentar, a violência contra as mulheres permanece como um grave problema social e exige a construção coletiva de soluções, com participação dos diferentes setores responsáveis pela proteção e atendimento.
“É uma chaga social que ainda não conseguimos vencer. Enquanto essa realidade existir, precisamos continuar discutindo o tema, levantando soluções e, principalmente, ouvindo as mulheres que vivenciam essa violência para que possamos melhorar a situação delas e caminhar em direção a uma solução”, declarou a vereadora e delegada Gabriela Garrido.
A fala reforçou um dos princípios centrais defendidos durante o encontro: a necessidade de colocar as mulheres no centro das políticas públicas, considerando suas diferentes realidades, necessidades e condições de vulnerabilidade.
Troca de experiências entre municípios
O III Encontro da Rede também ultrapassou os limites municipais ao receber representantes de outras cidades interessadas em conhecer experiências desenvolvidas em Vitória da Conquista.
Representando a Secretaria de Políticas para Mulheres de Porto Seguro, Jenoveva Tosta destacou a importância da troca de conhecimentos entre os municípios, especialmente diante dos desafios enfrentados na estruturação e no aperfeiçoamento das políticas públicas para as mulheres.
De acordo com ela, a experiência conquistense pode contribuir para a construção de estratégias em Porto Seguro, que está iniciando a estruturação de sua secretaria voltada às políticas para mulheres.
“Estamos iniciando nossa secretaria e conhecer experiências como as de Vitória da Conquista tem sido muito importante. Essa troca de saberes fortalece nosso trabalho e mostra que estamos construindo um caminho sólido para ampliar as políticas públicas voltadas às mulheres em Porto Seguro”, afirmou.
A participação de representantes de outros municípios evidencia a importância da cooperação entre diferentes administrações públicas. A troca de experiências permite conhecer metodologias de atendimento, identificar iniciativas que podem ser adaptadas a outras realidades e ampliar a construção de uma rede de proteção mais articulada regionalmente.
Encenação aproxima debate da realidade das vítimas
Além das palestras e discussões técnicas, o encontro contou com uma apresentação realizada pela equipe do Centro de Referência Albertina Vasconcelos (Crav).
A encenação retratou situações vivenciadas por mulheres em contextos de violência e utilizou a linguagem teatral como instrumento de sensibilização e reflexão. A proposta foi aproximar o público de situações que muitas vezes permanecem invisíveis no cotidiano, mostrando os impactos da violência e a importância de uma resposta adequada por parte das instituições.
A apresentação também reforçou a necessidade de acolhimento qualificado e de uma atuação integrada. Em situações de violência, a resposta institucional não depende de apenas um órgão, mas da capacidade de diferentes serviços trabalharem de maneira coordenada, respeitando as atribuições de cada setor e, sobretudo, a dignidade e a segurança da mulher atendida.
Integração entre Justiça, segurança e poder público
A programação incluiu ainda uma mesa de discussão dedicada à atuação dos órgãos que integram a Rede de Proteção e Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. O espaço permitiu a abordagem de desafios relacionados ao atendimento, aos encaminhamentos e à articulação entre as instituições.
O encontro reuniu representantes de diferentes áreas da administração pública e do sistema de Justiça, reforçando a necessidade de uma atuação conjunta diante de uma questão que envolve assistência social, saúde, segurança pública, Justiça, políticas para mulheres e demais setores responsáveis pela proteção social.
Entre as autoridades presentes estavam a secretária municipal de Saúde, Lorena Almeida; o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Marcos Ferreira; o juiz da 1ª Vara de Violência Doméstica, Arleson do Castro; a subcomandante da Guarda Municipal, Wanária Oliveira; e as vereadoras Gabriela Garrido e Lara Fernandes.
A presença de representantes de diferentes instituições reforçou o caráter intersetorial do encontro e a compreensão de que o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas exige ações articuladas, permanentes e capazes de considerar as múltiplas dimensões que envolvem cada situação.
Agosto Lilás amplia mobilização
Inserido na programação do Agosto Lilás, o III Encontro da Rede contribui para ampliar, em Vitória da Conquista, a mobilização em torno da prevenção e do enfrentamento à violência contra as mulheres.
A campanha nacional busca estimular a conscientização da sociedade, fortalecer a divulgação dos mecanismos de proteção e incentivar a denúncia e a busca por atendimento. Ao longo do mês, instituições públicas e organizações da sociedade civil promovem ações educativas e debates para chamar atenção para diferentes formas de violência e para a importância da construção de uma cultura baseada no respeito, na igualdade e na proteção dos direitos das mulheres.
Em Vitória da Conquista, a realização do encontro reforça a estratégia de aproximar os profissionais que atuam na rede e criar espaços permanentes de diálogo. A iniciativa também evidencia que o enfrentamento à violência não se resume ao atendimento após a ocorrência de um caso, mas envolve prevenção, educação, identificação de sinais de risco, acolhimento, proteção e acompanhamento.
Ao reunir diferentes atores em torno de uma mesma agenda, o III Encontro da Rede reafirmou o compromisso institucional com o aperfeiçoamento das políticas públicas e com a construção de mecanismos cada vez mais eficientes de proteção.
A expectativa é que os debates e experiências compartilhados durante a programação contribuam para aperfeiçoar os serviços existentes, fortalecer os canais de comunicação entre as instituições e ampliar a capacidade da rede de responder às necessidades das mulheres e meninas que precisam de apoio.
Em uma realidade na qual a violência de gênero ainda representa um desafio social de grandes proporções, iniciativas de integração institucional assumem papel estratégico. A construção de uma rede sólida depende não apenas da existência de serviços especializados, mas também da capacidade de seus integrantes atuarem de forma coordenada, acolhedora e comprometida com a garantia de direitos.
Nesse sentido, o encontro realizado em Vitória da Conquista reafirmou que enfrentar a violência contra mulheres é uma responsabilidade coletiva e permanente, que exige união entre poder público, sistema de Justiça, forças de segurança, profissionais especializados e sociedade. A articulação desses setores representa um dos caminhos para transformar a proteção em atendimento efetivo e garantir que nenhuma mulher em situação de violência fique sem orientação, acolhimento e acesso aos seus direitos.








