As eleições gerais de 2026 marcaram um importante avanço no fortalecimento da inclusão e da acessibilidade no processo democrático brasileiro. Dados divulgados nesta segunda-feira (20) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que 319.489 eleitores com deficiência visual estão aptos a exercer o direito ao voto em todo o país, o maior contingente já registrado pela Justiça Eleitoral desde o início da informatização das eleições.
O levantamento evidencia a consolidação de um sistema eleitoral cada vez mais preparado para garantir que pessoas cegas ou com deficiência visual participem do processo democrático de forma segura, autônoma e acessível. O principal instrumento dessa inclusão continua sendo a urna eletrônica, equipada com recursos de acessibilidade desenvolvidos para assegurar independência ao eleitor durante a votação.
Entre os estados brasileiros, São Paulo concentra o maior número absoluto de eleitores com deficiência visual, somando 53.192 votantes, o equivalente a 0,16% do eleitorado estadual. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 36.937 eleitores (0,23%), e o Rio de Janeiro, com 22.453 pessoas (0,17%) cadastradas nessa condição.
Quando analisado o percentual em relação ao total de eleitores de cada unidade da federação, o cenário muda. Tocantins lidera proporcionalmente, registrando 3.854 eleitores cegos, o que representa 0,33% do eleitorado estadual. Em seguida aparecem o Rio Grande do Norte, com 8.026 eleitores (0,30%), e o Piauí, que contabiliza 8.223 pessoas (0,30%) aptas a votar utilizando os recursos de acessibilidade disponibilizados pela Justiça Eleitoral.
O relatório também mostra que a inclusão alcança brasileiros residentes fora do país. Atualmente, 1.223 eleitores com deficiência visual cadastrados no exterior poderão participar das eleições de 2026, representando 0,13% do eleitorado brasileiro apto a votar em representações diplomáticas e consulados.
A evolução da acessibilidade eleitoral acompanha a própria história da informatização das eleições brasileiras. Segundo informações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a implantação das urnas eletrônicas teve início em 1996, quando os equipamentos foram utilizados nos municípios com mais de 200 mil eleitores e também em Brusque, Santa Catarina. Naquele momento, aproximadamente 30% do eleitorado nacional já votava por meio do novo sistema.
Desde sua primeira versão, a urna eletrônica já incorporava recursos voltados à acessibilidade. O teclado numérico, semelhante ao de um telefone, recebeu inscrições em Braille, permitindo que pessoas cegas identificassem os números dos candidatos pelo tato.
Com a informatização completa das eleições brasileiras em 2000, novas funcionalidades passaram a integrar o equipamento. A urna ganhou saída de áudio para utilização com fones de ouvido, além de teclas com resposta tátil e sonora, proporcionando maior autonomia aos eleitores com deficiência visual durante todo o processo de votação.
A versão mais moderna, utilizada desde as eleições de 2022, trouxe novos avanços tecnológicos. O equipamento apresenta melhorias significativas na capacidade de processamento de dados, reforço dos mecanismos de segurança digital, aperfeiçoamento da interface utilizada pelos mesários e um teclado sensível ao toque, mantendo os recursos de acessibilidade que tornaram o sistema eleitoral brasileiro uma referência internacional em inclusão.
O crescimento do número de eleitores com deficiência visual cadastrados demonstra não apenas o avanço das políticas de acessibilidade promovidas pela Justiça Eleitoral, mas também o fortalecimento da participação cidadã de milhares de brasileiros que encontram na tecnologia das urnas eletrônicas condições de exercer plenamente um dos direitos fundamentais garantidos pela Constituição: o direito ao voto.
O recorde registrado para as eleições de 2026 reforça o compromisso da Justiça Eleitoral com um processo democrático mais inclusivo, permitindo que um número cada vez maior de cidadãos participe das escolhas que definirão os rumos políticos do Brasil nos próximos anos.
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