O ex-presidente Jair Bolsonaro será ouvido pela Polícia Civil do Distrito Federal nesta terça-feira (23), em mais um desdobramento das investigações relacionadas à apreensão de uma arma de fogo durante uma abordagem policial realizada em Taguatinga, região administrativa do Distrito Federal. A oitiva está marcada para as 15h e ocorrerá na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, conforme autorização concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A medida foi determinada após solicitação apresentada pelo delegado Thiago Boing, responsável pela condução do inquérito na Polícia Civil do Distrito Federal. O depoimento integra uma série de diligências destinadas a esclarecer as circunstâncias envolvendo a presença da arma e seus possíveis vínulos com o ex-presidente.
De acordo com informações oficiais, a Polícia Civil já havia tentado intimar Bolsonaro anteriormente, no dia 17 de junho. Entretanto, segundo relato das autoridades, a equipe de segurança responsável pela proteção do ex-presidente teria impedido o cumprimento da diligência policial, situação que levou o delegado a solicitar a intervenção do Supremo Tribunal Federal para garantir a realização do procedimento investigativo.
Na decisão proferida na última sexta-feira (19), Alexandre de Moraes também determinou que a defesa de Bolsonaro apresente, no prazo de 48 horas, esclarecimentos sobre a permanência dos agentes encarregados de sua segurança pessoal durante o período noturno. O objetivo é verificar se esses profissionais permanecem em atividade contínua ou se são dispensados em determinados horários, uma informação considerada relevante pelas autoridades para o andamento das investigações.
A arma que deu origem ao inquérito foi apreendida por volta das 23h30 da última segunda-feira (15), durante uma operação de fiscalização de rotina realizada no Pistão Norte, uma das principais vias de Taguatinga. Durante a blitz, os policiais abordaram um veículo modelo Honda Civic que transitava pela região.
Ao realizarem a inspeção no interior do automóvel, os agentes encontraram uma pistola Glock calibre 9 milímetros, além de um carregador sobressalente compatível com a arma. A descoberta levou à abertura imediata de um procedimento investigativo para apurar a procedência do armamento, sua regularidade e as circunstâncias que motivaram sua presença no veículo.
As autoridades ainda não divulgaram oficialmente detalhes sobre a propriedade da arma, tampouco esclareceram quem era o responsável direto pelo armamento no momento da abordagem. Esses pontos deverão ser objeto de investigação e poderão ser abordados durante o depoimento do ex-presidente.
O caso amplia a lista de procedimentos investigativos envolvendo Bolsonaro e ocorre em um momento de intensa movimentação jurídica e política em Brasília. Especialistas avaliam que a condução das investigações deverá seguir os trâmites legais previstos, com a coleta de depoimentos, análise documental e eventual cruzamento de informações obtidas pelas autoridades policiais.
A defesa do ex-presidente ainda poderá apresentar esclarecimentos adicionais e documentos considerados relevantes para a apuração dos fatos. Até o momento, não houve divulgação oficial sobre o teor das declarações que Bolsonaro deverá prestar durante a oitiva desta terça-feira.
O Supremo Tribunal Federal e a Polícia Civil do Distrito Federal permanecem acompanhando o andamento do caso, que segue sob investigação e poderá ter novos desdobramentos nos próximos dias, à medida que outras diligências forem concluídas.
As autoridades reforçam que o procedimento investigativo tem caráter preliminar e que todos os envolvidos têm garantido o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, conforme estabelecem as normas do ordenamento jurídico brasileiro.
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