O Leão da Barra vence o Fortaleza por 2 a 1 pela segunda vez consecutiva na decisão, alcança o quinto título oficial da competição e volta a dividir o posto de maior campeão do Nordeste.
O Esporte Clube Vitória voltou a escrever seu nome entre os grandes protagonistas do futebol nordestino. Em uma noite de festa no Barradão, em Salvador, o Leão da Barra derrotou o Fortaleza por 2 a 1 neste sábado (6), confirmou a vantagem construída no jogo de ida e conquistou, pela quinta vez em sua história, o título da Copa do Nordeste.
A equipe comandada por Jair Ventura repetiu o placar obtido na Arena Castelão, em Fortaleza, na última terça-feira (2), encerrando a decisão com autoridade e consolidando uma campanha marcada pela regularidade, pela força diante de sua torcida e pela capacidade de reação nos momentos decisivos.
Com a conquista, o clube baiano soma agora os títulos de 1997, 1999, 2003, 2010 e 2026, retornando ao topo da galeria de campeões do principal torneio regional do país. O feito recoloca o Vitória entre os maiores vencedores da competição e o faz novamente dividir a liderança histórica com o Bahia, rival que havia assumido isoladamente o posto após a edição anterior.
A comemoração no Barradão foi a tradução de uma temporada construída com ambição e competitividade. Diante de mais de 30 mil torcedores que transformaram o estádio em um verdadeiro caldeirão rubro-negro, o Vitória mostrou maturidade para superar as dificuldades da partida e encontrou nos pés do argentino Emmanuel Martínez o personagem central de uma conquista que ficará marcada na memória da torcida.
Fortaleza perde hegemonia recente e amarga vice inédito
Do outro lado, o resultado representou uma rara frustração para o Fortaleza em decisões nordestinas. O clube cearense chegou à final carregando o peso de uma impressionante sequência de títulos recentes. Campeão em 2019, 2022 e 2024, o Leão do Pici buscava ampliar sua hegemonia contemporânea na competição.
Entretanto, pela primeira vez em sua trajetória, o Fortaleza terminou uma decisão da Copa do Nordeste como vice-campeão. A equipe dirigida por Juan Pablo Vojvoda entrou em campo precisando reverter a derrota sofrida no Castelão e chegou a alimentar esperanças ao abrir o placar em Salvador, mas não conseguiu sustentar a vantagem diante da reação dos donos da casa.
A derrota interrompe uma das fases mais vitoriosas da história recente do clube cearense e evidencia o equilíbrio que voltou a marcar o cenário do futebol nordestino.
Vitória reivindica reconhecimento de um sexto título regional
Embora a Confederação Brasileira de Futebol reconheça oficialmente cinco conquistas da Copa do Nordeste para o Vitória, o clube entende possuir um total de seis títulos regionais.
A diretoria rubro-negra sustenta que o Torneio José Américo de Almeida Filho, realizado em 1976 e organizado pela Federação Paraibana de Futebol, possui características equivalentes às da atual Copa do Nordeste. Por essa razão, o clube mantém um pleito junto à CBF, protocolado em 2021, solicitando o reconhecimento oficial da competição como um torneio regional de caráter interestadual.
O pedido envolve também outras agremiações, entre elas o Náutico, e busca validar conquistas obtidas antes da criação do formato moderno da Copa do Nordeste, instituído oficialmente em 1994.
Caso a reivindicação seja aceita futuramente, o Vitória poderá ampliar sua galeria regional para seis troféus reconhecidos nacionalmente.
Conquista rende premiação milionária e vaga na Copa do Brasil
Além do prestígio esportivo, o título representa importante retorno financeiro para os cofres rubro-negros.
Ao longo da campanha, o Vitória acumulou cerca de R$ 6,5 milhões em premiações, incluindo R$ 1 milhão recebido pela vitória na grande decisão. O montante reforça o planejamento financeiro do clube para a sequência da temporada e para os desafios futuros.
Outro benefício relevante é a classificação direta para a terceira fase da Copa do Brasil de 2027, garantindo ao clube uma entrada tardia na competição nacional e aumentando as possibilidades de arrecadação em uma das disputas mais rentáveis do calendário brasileiro.
Emmanuel Martínez sai do banco da história para se tornar herói do penta
A trajetória da final parecia caminhar para um roteiro dramático para os torcedores baianos. Mesmo jogando diante de sua torcida, o Vitória encontrou dificuldades para furar o bloqueio cearense e viu o Fortaleza abrir o placar ainda na primeira etapa.
Aos 36 minutos do primeiro tempo, Luiz Fernando aproveitou uma oportunidade ofensiva e balançou as redes, silenciando momentaneamente o Barradão. O gol devolvia o equilíbrio ao confronto e colocava pressão sobre a equipe baiana.
O cenário exigia uma resposta rápida dos comandados de Jair Ventura.
Ela veio na segunda etapa, quando o Vitória passou a ocupar mais o campo ofensivo e intensificou a pressão sobre o adversário. O esforço foi recompensado aos 26 minutos.
Após cobrança curta de escanteio pela direita, Erick rolou rasteiro para a entrada da área. Livre de marcação, Emmanuel Martínez apareceu com precisão cirúrgica. O meia argentino acertou um chute de primeira, sem chances para o goleiro João Ricardo, colocando a bola no ângulo direito e incendiando o Barradão.
O golaço não apenas empatou a partida, mas devolveu ao Vitória o controle emocional da decisão.
Gol nos acréscimos sela a conquista rubro-negra
Com a igualdade no marcador, o Fortaleza lançou-se ao ataque em busca do gol que levaria a decisão para os pênaltis. A equipe cearense adiantou suas linhas, aumentou a pressão ofensiva e passou a ocupar o campo de defesa rubro-negro nos minutos finais.
No entanto, a estratégia acabou abrindo espaços para o contra-ataque.
Já aos 45 minutos do segundo tempo, quando o Fortaleza tentava o último abafa, Emmanuel Martínez voltou a ser decisivo. O argentino afastou a bola com um chutão desde o setor defensivo e iniciou a jogada que definiria o campeonato.
Renato Kayzer recebeu em velocidade, avançou livre em direção à área e finalizou rasteiro na saída de João Ricardo. A bola morreu no fundo das redes e transformou o Barradão em um cenário de explosão coletiva.
O gol decretou a vitória por 2 a 1, confirmou o placar agregado favorável ao Vitória e encerrou qualquer possibilidade de reação cearense.
Uma conquista para marcar uma geração
O apito final desencadeou uma celebração histórica nas arquibancadas. Jogadores, comissão técnica e torcedores compartilharam a emoção de uma conquista que simboliza mais do que um troféu.
O título representa a retomada do protagonismo regional de um dos clubes mais tradicionais do Nordeste, fortalece o trabalho conduzido por Jair Ventura e reforça a confiança da torcida em um projeto que busca recolocar o Vitória entre as principais forças do futebol brasileiro.
Depois de anos alternando momentos de reconstrução e desafios esportivos, o Leão da Barra volta a erguer a taça mais importante da região. E, diante de um Barradão tomado pelo vermelho e preto, escreveu mais um capítulo glorioso de sua centenária história.
Vitória campeão. Pela quinta vez oficialmente. E novamente no topo do Nordeste. 🏆🔴⚫





