A Polícia Federal identificou indícios de que o senador Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais relacionados ao núcleo investigado da operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o Banco Master. De acordo com documentos reunidos pela investigação, os valores teriam começado em R$ 300 mil e posteriormente sido elevados para R$ 500 mil.
As suspeitas ganharam força após a PF cumprir um novo mandado de busca e apreensão na residência do parlamentar. Segundo os investigadores, os repasses seriam operacionalizados por Felipe Vorcaro, primo do empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira. Felipe foi preso nesta quinta-feira (07).
Conforme decisão do ministro André Mendonça, a investigação busca esclarecer se o senador teria atuado em favor de interesses do banco no Congresso Nacional. Entre os pontos analisados está a apresentação de uma emenda que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), elevando o limite de proteção de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.
A Polícia Federal sustenta que o texto da proposta teria sido elaborado pela assessoria do banco e encaminhado por um ex-executivo da instituição a Daniel Vorcaro. Na sequência, o documento teria sido impresso e colocado em um envelope destinado a “Ciro”, entregue no endereço residencial do senador.
Ainda segundo a decisão judicial, os investigadores afirmam que o conteúdo apresentado no Senado reproduzia integralmente a versão produzida pelo banco. A PF também menciona mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro nas quais ele teria declarado, após a apresentação da proposta legislativa, que o texto “saiu exatamente como mandei”.
A operação Compliance Zero investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e possível influência indevida sobre atos legislativos ligados aos interesses do banco. Até o momento, as defesas dos citados não haviam se manifestado publicamente sobre as acusações.





