Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), encaminhado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, revelou uma série de transações financeiras consideradas atípicas envolvendo o Banco Master e recursos provenientes de empréstimos consignados de militares das Forças Armadas.
De acordo com o documento, entre agosto de 2024 e outubro de 2025, cerca de R$ 39 milhões foram repassados pelo Exército à instituição financeira. Os valores correspondem a parcelas de empréstimos consignados contratados por militares, cujo desconto ocorre diretamente na folha de pagamento.
As investigações, inicialmente divulgadas pela imprensa nacional e posteriormente confirmadas por outros veículos, indicam que os recursos eram depositados em uma conta vinculada ao banco Itaú. Em um curto intervalo de tempo, entretanto, os valores eram redistribuídos para diferentes contas dentro da própria estrutura do Banco Master.
Segundo o Coaf, esse padrão de movimentação financeira levanta indícios relevantes. A rápida circulação interna dos recursos dificulta a rastreabilidade e a identificação de possíveis beneficiários finais, um fator que enquadra as transações nos critérios de comunicação obrigatória por suspeita de irregularidades financeiras, conforme a legislação vigente de prevenção à lavagem de dinheiro.
O relatório não afirma, neste momento, a existência de ilegalidade comprovada, mas destaca que a dinâmica observada é compatível com práticas que exigem monitoramento rigoroso por parte dos órgãos de controle.
Em resposta, o Exército Brasileiro informou, por meio de nota oficial, que os valores citados no relatório não pertencem a recursos públicos, mas sim a repasses privados decorrentes de contratos de crédito consignado firmados individualmente por militares. A instituição ressaltou ainda que o Banco Master foi devidamente credenciado em 2023, após atender a todos os requisitos estabelecidos em edital público.
A Força também esclareceu que o contrato com a instituição financeira foi rescindido unilateralmente em novembro de 2025. A decisão ocorreu poucos dias após a liquidação do banco pelo Banco Central, medida que reforçou a necessidade de encerramento imediato da relação contratual.
O caso segue sob análise da CPI do Crime Organizado, que busca aprofundar a investigação sobre eventuais irregularidades no sistema de crédito consignado e possíveis falhas nos mecanismos de controle financeiro envolvendo instituições bancárias e órgãos públicos.





