A Polícia Federal (PF) abriu uma frente de investigação para apurar se houve omissão por parte das duas últimas gestões do Banco Central do Brasil diante de indícios de irregularidades envolvendo o Banco Master. O foco dos investigadores é esclarecer se as administrações comandadas por Roberto Campos Neto e, posteriormente, por Gabriel Galípolo, tinham conhecimento prévio de problemas estruturais na instituição financeira ou do risco iminente de insolvência.
De acordo com informações preliminares da apuração, o período em que Campos Neto esteve à frente do Banco Central coincide com a expansão dos negócios liderados pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Nesse intervalo, Vorcaro teria ampliado significativamente sua influência no sistema financeiro, assumindo maior controle sobre diferentes instituições movimento que, segundo a PF, ocorreu paralelamente ao surgimento de sinais de fragilidade no Banco Master.
Entre os indícios analisados estão registros de utilização do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que visa proteger correntistas em caso de quebra de instituições financeiras. Para os investigadores, os saques realizados podem indicar dificuldades financeiras mais profundas do que as oficialmente divulgadas à época.
A investigação também levanta suspeitas sobre a atuação de servidores públicos. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que alguns agentes possam ter colaborado, direta ou indiretamente, para favorecer o empresário, o que amplia a gravidade do caso e pode configurar infrações administrativas e criminais.
No âmbito político, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS avalia a convocação dos ex-presidentes do Banco Central para prestar esclarecimentos. Ambos, Campos Neto e Galípolo, já se manifestaram publicamente negando qualquer tipo de irregularidade ou omissão durante suas gestões.
O empresário Daniel Vorcaro deverá ser ouvido pela Polícia Federal nos próximos dias. Já seu cunhado, Fabiano Zettel que foi preso no contexto das investigações pode firmar um acordo de delação premiada, o que pode trazer novos elementos ao caso e ampliar o alcance das apurações.
A depender do avanço das investigações, o caso pode ganhar novos desdobramentos tanto na esfera judicial quanto no cenário político, reforçando o debate sobre a fiscalização do sistema financeiro nacional e a atuação dos órgãos reguladores.





