A Justiça da Itália autorizou, nesta quinta-feira (26), a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil. A decisão representa um avanço significativo no processo internacional que envolve a parlamentar, condenada pela Justiça brasileira como autora intelectual da invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e também por porte ilegal de arma de fogo.
O caso, que atravessa fronteiras e mobiliza autoridades judiciais dos dois países, ainda não está completamente encerrado. A defesa de Zambelli já sinalizou que recorrerá à última instância do Judiciário italiano a Corte de Cassação, em Roma. Essa etapa é considerada decisiva e pode confirmar ou reverter a autorização de extradição.
Caso a Corte de Cassação equivalente ao Supremo Tribunal italiano mantenha o entendimento das instâncias inferiores, a ex-parlamentar deverá ser transferida ao Brasil, onde cumprirá pena. A expectativa é de que ela seja encaminhada à Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF), conhecida como “Colmeia”, unidade que abriga mulheres condenadas por diversos tipos de crimes de repercussão nacional.
Condenações e fuga internacional
Carla Zambelli foi condenada em dois processos distintos no Brasil, ambos já com trânsito em julgado expressão jurídica que indica o esgotamento de todos os recursos possíveis. Em outras palavras, as decisões são definitivas e não cabem mais contestações no âmbito da Justiça brasileira.
Uma das condenações está relacionada à invasão do sistema eletrônico do CNJ, episódio que ganhou grande repercussão e levantou debates sobre segurança digital no Judiciário. A outra diz respeito ao porte ilegal de arma de fogo, caso que também teve ampla cobertura midiática e repercussão política.
Após a condenação pelo caso envolvendo o CNJ, Zambelli deixou o Brasil e se dirigiu à Itália, país do qual possui cidadania. Diante da fuga, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou sua prisão preventiva. O pedido foi acolhido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que passou a conduzir as medidas judiciais relacionadas ao caso.
Inclusão na Interpol e prisão em Roma
Como parte das ações para localizar a ex-deputada, o nome de Zambelli foi incluído na lista vermelha da Interpol mecanismo internacional utilizado para identificar e prender foragidos da Justiça em diversos países. A medida intensificou a cooperação entre autoridades brasileiras e italianas.
Em 29 de julho, Zambelli foi localizada e presa em um apartamento na capital italiana, Roma. A detenção foi determinada pela Corte de Apelação de Roma, que justificou a medida com base no que classificou como “grave risco de fuga” caso a ex-parlamentar permanecesse em liberdade durante o andamento do processo.
Repercussões políticas e perda de mandato
Paralelamente ao processo criminal, o caso também gerou desdobramentos no cenário político brasileiro. Após as condenações, a Câmara dos Deputados instaurou um processo para cassação do mandato de Zambelli. No entanto, a iniciativa não alcançou o número de votos necessários e acabou sendo arquivada em dezembro do ano passado.
A decisão da Câmara, entretanto, foi posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal. O STF determinou a perda do mandato da parlamentar, em uma medida que reforçou o entendimento de que condenações definitivas por crimes graves têm impacto direto na elegibilidade e permanência de representantes no cargo.
Diante da decisão judicial, Zambelli formalizou sua renúncia ao mandato, encerrando oficialmente sua trajetória como deputada federal.
Próximos passos
Agora, o futuro de Carla Zambelli depende exclusivamente da análise da Corte de Cassação italiana. Caso a extradição seja confirmada, o processo entrará em fase de execução, com a organização logística para o retorno da ex-deputada ao Brasil sob custódia.
O caso segue sendo acompanhado de perto por autoridades, juristas e pela opinião pública, não apenas pelos desdobramentos legais, mas também pelo impacto político e institucional que envolve uma figura pública de projeção nacional.
A decisão final da Justiça italiana deve consolidar um dos episódios mais emblemáticos recentes envolvendo cooperação jurídica internacional e responsabilização de agentes políticos brasileiros.





