O líder do governo no Congresso Nacional, o senador Randolfe Rodrigues, afirmou nesta terça-feira que o Palácio do Planalto aceitará a decisão do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, de manter válida a votação da CPMI que aprovou a quebra de sigilos do empresário Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”. Segundo o parlamentar, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não pretende recorrer ao Judiciário para questionar o resultado.
A manifestação do senador Randolfe Rodrigues ocorre após presidente do Congresso, Davi Alcolumbre declarar que não havia embasamento regimental ou jurídico para intervir e anular a deliberação do colegiado realizada na última quinta-feira (26). Na ocasião, a CPMI aprovou, em votação simbólica sem o registro nominal dos votos , por 14 votos a 7, a quebra de sigilos telemático e bancário de Lulinha.
Em pronunciamento a jornalistas, o senador Randolfe Rodrigues adotou um tom conciliador ao reconhecer o entendimento firmado pela presidência do Congresso. “Nos rendemos e nos curvamos ao entendimento pacificado no dia de hoje. Da nossa parte, essa questão está encerrada”, declarou. Em seguida, o senador ressaltou que a expectativa do governo agora se volta para o andamento dos requerimentos apresentados pela base governista. “O que esperamos da direção da CPMI é que, na próxima quinta-feira, os nossos 25 requerimentos sejam pautados”, acrescentou.
O líder do governo também buscou contextualizar a origem do impasse, apontando para divergências internas na condução dos trabalhos da comissão. Segundo ele, a “raiz” do conflito estaria na recusa do presidente da CPMI, Carlos Viana, em incluir na pauta pedidos considerados estratégicos pelo governo. Entre eles, estariam a convocação da sócia do senador Flávio Bolsonaro e requerimentos de quebra de sigilo do Clava Bank, fintech ligada ao pastor André Valadão.
O senador Randolfe Rodrigues foi enfático ao afirmar que a posição do governo poderia ter sido diferente caso os requerimentos governistas tivessem sido analisados simultaneamente aos que miravam o filho do presidente. “Se os pedidos do governo tivessem sido pautados junto com os que tratavam do Lulinha, teríamos votado a favor com certeza”, afirmou, em tom categórico.
Apesar das críticas ao formato da votação e à condução dos trabalhos, o senador fez questão de minimizar eventuais desgastes políticos. De acordo com ele, a decisão do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre não compromete a relação institucional entre o Congresso e o Executivo. “Não há prejuízo algum para a relação com o governo Lula. Seguimos dialogando e confiando no funcionamento das instituições”, concluiu.
O episódio expõe as tensões que marcam os trabalhos da CPMI, ao mesmo tempo em que sinaliza a disposição do governo em evitar a judicialização do debate e apostar na negociação política para avançar em sua agenda dentro do colegiado.





