O ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do Charles III, foi preso nesta quinta-feira (19) em sua residência no Reino Unido, no desdobramento de uma investigação que apura possível má conduta no exercício de cargo público e supostas ligações com o financista Jeffrey Epstein.
De acordo com informações divulgadas por autoridades britânicas, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em dois endereços associados ao ex-príncipe, localizados nos condados de Berkshire e Norfolk. A operação faz parte de um inquérito que analisa a atuação de Andrew à época em que exerceu a função de representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional, cargo que ocupou após deixar a linha de frente das atividades oficiais da família real.
Segundo fontes ligadas à investigação, há indícios de que Andrew teria enviado relatórios considerados confidenciais a Epstein durante o período em que desempenhava a função diplomática. Os documentos, ainda sob sigilo judicial, estariam relacionados a contatos institucionais e informações estratégicas, o que, se comprovado, pode configurar violação grave dos deveres de um agente público.
O nome do ex-príncipe já havia surgido anteriormente em documentos vinculados ao caso Epstein, tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Além disso, Andrew foi acusado de agressão sexual por Virginia Giuffre, que morreu em abril de 2025. O episódio reacendeu debates internacionais sobre responsabilidade institucional, privilégios da realeza e a extensão das relações mantidas por figuras públicas com Epstein.
Em nota divulgada por seus representantes legais, Andrew nega todas as acusações e afirma que sempre atuou dentro da legalidade e das normas que regiam sua função. A defesa sustenta que não houve compartilhamento indevido de informações e classifica as suspeitas como “infundadas e descontextualizadas”.
Especialistas em direito público ouvidos pela imprensa britânica destacam que, caso seja considerado culpado por má conduta em cargo público, crime previsto na legislação do país, o ex-príncipe poderá enfrentar pena severa, que, em situações extremas, pode chegar à prisão perpétua. O caso também pode ter repercussões políticas e institucionais, ampliando o escrutínio sobre a relação entre a monarquia britânica e a atuação de seus membros em funções oficiais.
A investigação segue em andamento, e novas informações devem ser divulgadas após a conclusão das oitivas iniciais e da análise do material apreendido.





