A possível viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aos Estados Unidos, prevista para o mês de março, surge como uma oportunidade estratégica para o Brasil avançar na redução e até na eliminação das tarifas comerciais que ainda incidem sobre produtos nacionais no mercado norte-americano. A avaliação é do vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), que vê um cenário mais favorável nas tratativas com a Casa Branca.
De acordo com Alckmin, o governo brasileiro tem registrado progressos significativos nas negociações comerciais com os Estados Unidos nos últimos meses. “Houve um avanço importante. Hoje, uma parcela bem menor das exportações brasileiras sofre algum tipo de tarifa”, afirmou o ministro, ao destacar que o percentual de produtos afetados caiu de 37% para 22%.
Segundo ele, a expectativa do Palácio do Planalto é que a agenda bilateral entre Lula e o presidente norte-americano, Donald Trump, tenha como um de seus principais pontos o chamado “tarifaço”, que historicamente impacta setores estratégicos da economia brasileira. A intenção do governo é aproveitar o momento de reaproximação diplomática para ampliar concessões e buscar o fim definitivo de algumas barreiras comerciais.
Alckmin lembrou ainda que, em novembro do ano passado, os Estados Unidos anunciaram a eliminação de tarifas sobre parte relevante dos produtos agrícolas brasileiros. Entraram na lista itens como carne bovina, café, cacau, frutas e fertilizantes, considerados fundamentais para a balança comercial do país. Para o ministro, a medida foi um sinal claro de abertura ao diálogo.
Na avaliação do vice-presidente, a eventual ida de Lula a Washington reforça o peso político das negociações. Ele pondera que a presença do chefe de Estado brasileiro pode acelerar decisões que, em nível técnico, já estão amadurecidas. “Quando há diálogo direto entre presidentes, os entraves costumam ser superados com mais rapidez”, indicou.
Nos bastidores do governo, a leitura é de que a redução das tarifas não beneficia apenas o Brasil, mas também atende a interesses do mercado norte-americano, que depende de insumos agrícolas e industriais brasileiros. A expectativa é que, caso o encontro se confirme, o Brasil possa consolidar ganhos comerciais e fortalecer sua posição como parceiro estratégico dos Estados Unidos na América Latina.
Enquanto a viagem não é oficialmente confirmada, o Ministério do Desenvolvimento segue atuando em frentes diplomáticas e técnicas para ampliar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado externo, apostando que o diálogo político de alto nível será decisivo para destravar pendências históricas.





