Nesta semana, um dos temas que mais mobilizaram as redes sociais em torno do Big Brother Brasil 26 foi a exposição da virgindade das participantes Milena e Gabriela. O assunto ganhou ainda mais repercussão após declarações do brother Matheus, que, durante uma conversa com Leandro dentro da casa, associou a virgindade de Gabriela à falta de “mente aberta”, provocando forte reação do público.
“A mina é virgem. Não tem essa abertura de mundo. Para ela, é difícil se relacionar com um cara duro que nem a gente”, afirmou Matheus em um trecho que rapidamente se espalhou pelas redes sociais, sendo amplamente criticado por internautas, ativistas e especialistas, que classificaram a fala como preconceituosa e machista.
A repercussão negativa foi imediata. Em nota publicada no Instagram, a equipe que gerencia as redes sociais de Gabriela repudiou o comentário. “Trata-se de uma fala desrespeitosa, machista e carregada de estereótipos que não representam quem Gabriela é, nem o direito de qualquer mulher de viver sua sexualidade ou a ausência dela da forma que desejar”, diz o comunicado.
O posicionamento foi reforçado por milhares de comentários de apoio à participante. “Virgindade não define caráter, maturidade ou visão de mundo”, escreveu uma seguidora. Outro internauta destacou que “o problema não é a escolha da mulher, mas a necessidade masculina de rotular e controlar corpos femininos”.
Debate além do reality
O episódio reacendeu um debate antigo, mas ainda atual: por que a virgindade feminina continua sendo um tema tão “valorizado” ou julgado socialmente? Para especialistas, a discussão vai além do entretenimento e revela estruturas culturais profundamente enraizadas.
“Infelizmente, ainda há pouca abertura para compreender a diversidade, a pluralidade e a liberdade sexual, mesmo entre as novas gerações”, avalia Luciane Cabral, especialista em sexualidade humana, sexóloga e educadora física. “Vivemos em um contexto em que, com apenas um clique, é possível acessar informações do mundo inteiro, mas, paradoxalmente, certos preconceitos continuam sendo reproduzidos quase automaticamente.”
Segundo Luciane Cabral, a virgindade feminina ainda é tratada como um marcador moral, enquanto a experiência sexual masculina costuma ser incentivada ou até celebrada. “Há uma clara desigualdade na forma como homens e mulheres são julgados. Para eles, a vivência sexual é vista como sinal de virilidade. Para elas, muitas vezes, vira motivo de controle, vergonha ou estigmatização.”
Desconstrução ainda em curso
A especialista ressalta que a desconstrução desses padrões ainda enfrenta resistência. “Principalmente quando falamos de liberdade sexual feminina, empoderamento e da compreensão de que corpos e desejos são independentes de homens, tabus e crenças históricas”, explica. “Cada mulher tem o direito de escolher quando, como e se quer iniciar sua vida sexual e isso não a torna melhor ou pior do que ninguém.”
Para movimentos feministas e estudiosos da comunicação, o BBB, por sua grande audiência, acaba funcionando como um espelho da sociedade. O reality expõe comportamentos que muitas vezes passam despercebidos no dia a dia, mas que, quando amplificados pela televisão e pelas redes sociais, geram reflexão.
Enquanto a produção do programa ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso, o debate segue intenso fora da casa. Para muitos telespectadores, o episódio pode servir como ponto de partida para uma discussão mais ampla sobre respeito, igualdade de gênero e a urgência de rever conceitos que ainda limitam a liberdade feminina no Brasil.





