A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (14), a segunda fase da Operação Compliance Zero, intensificando as apurações sobre suspeitas de irregularidades financeiras e administrativas envolvendo o Banco Master. A ofensiva volta a ter como principal alvo o banqueiro Daniel Vorcaro, que já havia sido preso durante a primeira etapa da operação, realizada em novembro do ano passado.
O avanço das investigações ocorreu após a análise minuciosa de provas e documentos apreendidos na fase inicial, que, segundo os investigadores, revelaram novos indícios de práticas ilícitas. A partir desse material, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de bens que totalizam aproximadamente R$ 5,7 bilhões, medida considerada uma das mais expressivas do ponto de vista patrimonial no âmbito da operação.
De acordo com fontes ligadas à investigação, os mandados foram executados em diferentes estados e atingem pessoas físicas e jurídicas supostamente relacionadas ao esquema sob apuração. A Polícia Federal apura possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional, além de indícios de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, embora os detalhes ainda estejam sob sigilo judicial.
Paralelamente à atuação policial, o caso ganhou novos desdobramentos no campo institucional. O Banco Central decidiu retirar os embargos de declaração apresentados no Tribunal de Contas da União (TCU), que questionavam a determinação de uma inspeção sobre procedimentos adotados em relação ao Banco Master. A decisão foi formalizada após uma reunião entre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o presidente do TCU, Vital do Rêgo, sinalizando um movimento de alinhamento entre as duas instituições.
Em nota, o Tribunal de Contas da União esclareceu que não pretende interferir em eventual decisão do Banco Central sobre a liquidação ou não da instituição financeira. Segundo a Corte, o objetivo é ter acesso à documentação necessária para avaliar a legalidade e a regularidade dos procedimentos adotados pelo órgão regulador, especialmente diante da relevância sistêmica do caso. O pedido foi aceito pelo Banco Central, que concordou em compartilhar as informações solicitadas.
O aprofundamento da Operação Compliance Zero ocorre em um contexto de maior rigor dos órgãos de controle e fiscalização sobre o sistema financeiro, reforçando a atuação conjunta entre Polícia Federal, STF, Banco Central e TCU. As autoridades destacam que as investigações seguem em curso e que novas medidas não estão descartadas, a depender do avanço da análise do material apreendido.
Até o momento, a defesa de Daniel Vorcaro e do Banco Master não se manifestou publicamente sobre a nova fase da operação. O espaço segue aberto para esclarecimentos.





