Às vésperas do julgamento do chamado plano de golpe, o governo federal avalia a possibilidade de que os Estados Unidos imponham novas sanções ao Brasil caso o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seja condenado. O processo contra Bolsonaro e outros sete réus será julgado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na próxima terça-feira, 2 de setembro, a partir das 9h.
Apesar de integrantes do Palácio do Planalto negarem uma relação direta entre o julgamento e a decisão anunciada na última quinta-feira, 28, de iniciar um processo para retaliação às tarifas de 50% impostas pelo ex-presidente Donald Trump, fontes ligadas ao governo admitem que o movimento tem caráter estratégico. A medida abre espaço para uma resposta legal e política em caso de agravamento das penalidades norte-americanas.
O Ministério das Relações Exteriores e a área econômica monitoram a situação de perto. A avaliação é de que um eventual desdobramento negativo, tanto no cenário jurídico quanto no político, poderia ser utilizado por setores do Congresso americano como argumento para endurecer o tom contra o Brasil.
Segundo interlocutores do governo, a prioridade é manter a interlocução aberta com a Casa Branca e reduzir ruídos que possam afetar acordos comerciais ou investimentos internacionais. A diplomacia brasileira, no entanto, não descarta acionar fóruns multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), caso haja medidas consideradas desproporcionais por parte dos EUA.
O julgamento do STF sobre o plano de golpe é considerado um dos mais emblemáticos da história recente do país. Bolsonaro e os demais réus são acusados de conspirar contra a democracia, incitar atos antidemocráticos e tentar impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022.
Nos bastidores, a avaliação é de que o resultado do julgamento poderá ter impacto não apenas no cenário político interno, mas também na imagem internacional do Brasil, que busca consolidar uma postura de estabilidade e respeito às instituições.