A manifestação convocada pelo candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) reuniu aproximadamente 71,9 mil pessoas na Avenida Paulista, na região central de São Paulo, neste domingo (18/10), segundo levantamento do Monitor do Debate Político. O grupo de pesquisa, ligado à Universidade de São Paulo (USP) e ao Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), realiza o trabalho em parceria com a organização não governamental More in Common.
O número oferece uma dimensão da mobilização promovida por apoiadores do parlamentar em um dos principais cartões-postais da capital paulista, tradicionalmente utilizado como palco de manifestações políticas de grande porte. Apesar da presença expressiva de participantes, parte dos bolsonaristas que acompanharam o ato avaliou que a quantidade de pessoas ficou abaixo das expectativas. A percepção foi registrada entre manifestantes ouvidos durante a mobilização, embora o Partido Liberal (PL) tivesse projetado oficialmente a participação de 20 mil pessoas.
A diferença entre a estimativa inicial da legenda e o resultado calculado pelos pesquisadores coloca em evidência a dimensão do público presente e os métodos utilizados para mensurar a adesão a eventos políticos. Ao mesmo tempo, a avaliação de alguns apoiadores demonstra que a expectativa em torno de uma manifestação não depende exclusivamente de números absolutos, mas também da comparação com atos anteriores, da capacidade de mobilização das lideranças e da repercussão política pretendida pelos organizadores.
Levantamento utilizou imagens aéreas e inteligência artificial
A estimativa de 71,9 mil participantes foi elaborada a partir da análise de imagens aéreas obtidas durante a manifestação. Para realizar a contagem, os pesquisadores utilizaram fotografias registradas por drones e processadas com o auxílio de um software de inteligência artificial, ferramenta que permite avaliar a concentração de pessoas em diferentes trechos da avenida.
O monitor acompanhou o ato em quatro momentos distintos: às 11h, às 11h30, às 12h20 e às 13h08. A observação em horários diferentes teve como objetivo identificar as variações na ocupação do espaço público ao longo da mobilização e estabelecer o momento de maior concentração de manifestantes.
O pico de público foi registrado às 12h20, horário utilizado como referência para a estimativa final. Naquele momento, os pesquisadores trabalharam com um conjunto de 28 fotografias que cobriam toda a extensão da manifestação, sem sobreposição entre as áreas retratadas. O procedimento busca evitar que uma mesma parcela do público seja contabilizada mais de uma vez, o que poderia distorcer o resultado.
A metodologia combina registros visuais de uma área ampla com recursos computacionais destinados a estimar a quantidade de pessoas presentes. Em manifestações que ocupam grandes avenidas, a utilização de imagens aéreas permite observar setores que seriam difíceis de avaliar a partir do nível da rua, especialmente quando há concentração de participantes em diferentes pontos do percurso.
O emprego da inteligência artificial também contribui para padronizar o processamento das imagens. Ainda assim, a estimativa deve ser interpretada dentro dos limites estabelecidos pelo método, uma vez que a densidade da multidão, a disposição dos participantes e as características das fotografias podem influenciar a contagem.
Margem de erro indica variação no número de participantes
O levantamento apresenta uma margem de erro de 12%. Considerando esse intervalo, o público estimado na Avenida Paulista durante o horário de maior concentração ficou entre 63,3 mil e 80,5 mil pessoas.
A faixa de valores ajuda a compreender a natureza estatística do resultado. Embora o número de 71,9 mil participantes seja utilizado como estimativa central, o próprio monitor reconhece uma margem de variação que deve ser considerada na interpretação dos dados.
Esse tipo de procedimento é relevante para a análise de manifestações públicas porque a contagem exata de cada indivíduo em uma multidão extensa é uma tarefa complexa. Em vez de depender apenas de impressões visuais ou de números divulgados pelos organizadores, o método procura estabelecer uma estimativa baseada em registros documentados e critérios de análise.
A divulgação de uma faixa de público também permite que os resultados sejam avaliados com maior transparência. Em atos políticos, nos quais os números frequentemente são utilizados para demonstrar força, capacidade de articulação e apoio popular, a apresentação da metodologia oferece elementos adicionais para o debate público.
O levantamento, contudo, mede a quantidade estimada de pessoas presentes no momento de maior concentração. O dado, isoladamente, não permite determinar o grau de apoio eleitoral ao candidato, tampouco representa uma pesquisa de intenção de voto. A presença em uma manifestação pode refletir diferentes motivações políticas e pessoais, e não deve ser interpretada automaticamente como uma medida do comportamento de todo o eleitorado.
Manifestação foi convocada após ato de Lula na mesma avenida
A mobilização deste domingo foi convocada em resposta à caminhada promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Avenida Paulista uma semana antes, no domingo (11/10). A realização dos dois eventos no mesmo local, em um intervalo de sete dias, colocou as manifestações em evidência no debate político nacional.
A Paulista ocupa um lugar simbólico na política brasileira. Ao longo dos últimos anos, a avenida se tornou um dos principais espaços para atos de diferentes correntes ideológicas, recebendo mobilizações de apoiadores de governos, movimentos de oposição, grupos sociais e representantes de partidos políticos.
Nesse contexto, a convocação de Flávio Bolsonaro buscou reunir apoiadores em uma região de grande visibilidade pública e histórica relevância para manifestações de caráter nacional. A escolha do local e a proximidade temporal com o ato petista também contribuíram para estabelecer uma comparação entre as duas mobilizações.
No domingo anterior, a campanha de Lula afirmou que aproximadamente 1 milhão de apoiadores haviam participado da caminhada realizada na mesma avenida. Entretanto, o Partido dos Trabalhadores vetou a realização da contagem de público pelo Monitor do Debate Político naquela ocasião, de acordo com as informações apresentadas sobre os eventos.
Por esse motivo, os números divulgados pelas partes envolvidas não foram produzidos sob as mesmas condições metodológicas. A estimativa atribuída à campanha petista não deve ser tratada como equivalente a uma contagem independente realizada pelo monitor, o que exige cautela em eventuais comparações entre os dois atos.
A diferença entre os procedimentos adotados também evidencia uma questão recorrente em grandes manifestações políticas: a ausência de uma metodologia comum pode dificultar a comparação direta entre os públicos anunciados por organizadores e os resultados produzidos por pesquisadores independentes.
Disputa por mobilização e repercussão política
Além da presença física de milhares de pessoas, manifestações como a realizada neste domingo funcionam como instrumentos de demonstração de força política. A capacidade de reunir apoiadores em espaços públicos de grande visibilidade pode ser utilizada por lideranças e partidos para transmitir mensagens de unidade, engajamento e disposição para a disputa eleitoral.
No caso de Flávio Bolsonaro, a concentração de público na Avenida Paulista representa um indicador da mobilização alcançada pela convocação, embora não seja suficiente, por si só, para estabelecer conclusões sobre o desempenho eleitoral do candidato. A interpretação do resultado depende de outros fatores, como a abrangência territorial do apoio, a evolução das intenções de voto e a capacidade de transformar a participação em atos públicos em engajamento político duradouro.
A avaliação de alguns bolsonaristas de que o público ficou abaixo do esperado acrescenta outra dimensão à análise. Mesmo quando uma manifestação supera a previsão oficial dos organizadores, as expectativas dos próprios participantes podem ser influenciadas pela comparação com eventos anteriores, pela divulgação de imagens nas redes sociais e pela percepção de que determinado ato deveria alcançar uma dimensão ainda maior.
A projeção de 20 mil participantes divulgada pelo PL, por sua vez, deve ser considerada separadamente da estimativa elaborada pelo monitor. Enquanto a primeira corresponde à expectativa oficial informada pela legenda, a segunda resulta de uma análise baseada em imagens aéreas, com cálculo de público no horário de maior concentração e indicação expressa de margem de erro.
A distinção entre essas informações é importante para evitar interpretações equivocadas sobre o alcance da mobilização. Os números cumprem funções diferentes: um registra a previsão dos organizadores, enquanto o outro procura estimar o público efetivamente presente em determinado momento do evento.
Contagem de público permanece no centro do debate
A mensuração de multidões é um dos aspectos mais sensíveis da cobertura de manifestações políticas, especialmente quando os eventos ocorrem em períodos de intensa disputa partidária. Nesses cenários, estimativas de público podem ganhar repercussão para além da dimensão estritamente numérica e passar a integrar a narrativa construída por apoiadores, adversários e dirigentes políticos.
A utilização de imagens aéreas, registros em horários determinados e ferramentas de inteligência artificial busca oferecer parâmetros verificáveis para essa discussão. Entretanto, a leitura dos resultados exige atenção à metodologia, ao momento da captura das imagens e à margem de incerteza informada pelos responsáveis pelo levantamento.
No ato deste domingo, o Monitor do Debate Político calculou que 71,9 mil pessoas estavam reunidas na Avenida Paulista no momento de maior concentração, registrado às 12h20. Considerada a margem de erro de 12%, o público estimado varia de 63,3 mil a 80,5 mil participantes.
A mobilização ocorreu uma semana depois da caminhada de Lula no mesmo endereço e em meio à disputa pela repercussão política dos eventos. Enquanto a campanha petista divulgou uma estimativa própria de 1 milhão de participantes para o ato anterior, a manifestação convocada por Flávio Bolsonaro teve seu público calculado por um grupo de pesquisa que empregou imagens aéreas e inteligência artificial.
O resultado oferece uma referência quantitativa para a análise da manifestação, mas não encerra o debate sobre seu significado político. A dimensão do público, as expectativas dos apoiadores e as diferenças entre os métodos de contagem continuam sendo elementos fundamentais para compreender como os atos públicos são avaliados e utilizados na disputa por visibilidade e apoio popular.
Com a divulgação do levantamento, a manifestação de Flávio Bolsonaro passa a contar com uma estimativa independente de público baseada em critérios metodológicos explicitados pelos pesquisadores. O dado central é de 71,9 mil participantes no horário de pico, com intervalo estimado entre 63,3 mil e 80,5 mil pessoas, em um ato que mobilizou apoiadores na principal avenida de São Paulo e ocorreu em resposta à manifestação realizada por Lula na semana anterior.






