O candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, chamou a atenção durante sua participação na sabatina do Jornal Nacional, realizada nesta sexta-feira (16), ao aparecer usando um relógio da marca Aqua semelhante ao acessório que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, costumava utilizar durante o período em que esteve à frente do Palácio do Planalto. Apesar do baixo valor comercial, estimado em aproximadamente R$ 50 em lojas populares na internet, o item ganhou destaque pelo significado simbólico atribuído à peça no contexto da relação familiar e da sucessão política dentro do grupo bolsonarista.
De acordo com informações da assessoria do presidenciável, o relógio foi um presente de Jair Bolsonaro, entregue em janeiro deste ano, depois que Flávio foi escolhido para representar o grupo político na disputa eleitoral pela Presidência da República. A utilização do acessório durante uma das entrevistas de maior visibilidade da televisão brasileira acrescentou um elemento simbólico à participação do senador, que busca consolidar sua imagem como principal herdeiro político do ex-presidente.
Mais do que um simples complemento de vestuário, o relógio remete à trajetória política de Jair Bolsonaro e à construção de sua identidade pública. Ao longo de seu mandato presidencial, o ex-chefe do Executivo foi visto em diferentes ocasiões usando um modelo semelhante, transformando um objeto cotidiano em um elemento facilmente associado à sua imagem.
Um dos episódios em que o acessório apareceu foi durante a cerimônia de posse presidencial, em 2023, quando Jair Bolsonaro utilizou o relógio enquanto assinava o termo oficial. A presença do item naquele momento, marcado pela formalização do início de um novo mandato presidencial, reforça a ligação entre o objeto e passagens importantes da trajetória política do ex-presidente.
Presente carrega significado político e familiar
Segundo a versão apresentada pela assessoria de Flávio Bolsonaro, o presente foi entregue em um momento de mudanças no cenário político do grupo. A escolha do senador como sucessor de Jair Bolsonaro na disputa presidencial colocou o parlamentar no centro das articulações eleitorais do campo bolsonarista e ampliou a atenção sobre sua atuação pública, seus posicionamentos e sua relação com o legado político do pai.
Nesse contexto, o relógio pode ser interpretado como um símbolo de continuidade entre as duas figuras. A transferência do acessório, conforme relatado pela equipe do candidato, estabelece uma conexão material entre o ex-presidente e o filho justamente em um período no qual Flávio procura apresentar-se como representante de um projeto político associado ao sobrenome Bolsonaro.
O valor reduzido da peça também chama a atenção. Em vez de um artigo de luxo ou de uma marca tradicionalmente associada a produtos de alto padrão, trata-se de um relógio popular, encontrado por aproximadamente R$ 50 em plataformas de comércio eletrônico. A diferença entre o preço de mercado e o significado atribuído ao presente evidencia como objetos de uso pessoal podem adquirir relevância quando associados a personagens políticos de grande projeção nacional.
A importância do acessório, portanto, não está necessariamente em seu custo, mas na história que o acompanha e na figura pública à qual está relacionado. Para apoiadores, a utilização do mesmo modelo pode representar um gesto de proximidade familiar e continuidade política. Para observadores do cenário eleitoral, o episódio também chama atenção para a maneira como símbolos pessoais podem integrar a construção da imagem de um candidato.
Sabatina amplia exposição do candidato
A participação de Flávio Bolsonaro no Jornal Nacional ocorreu em um ambiente de grande exposição pública, no qual declarações, posicionamentos e elementos da apresentação pessoal dos entrevistados costumam repercutir para além do tempo de transmissão. A sabatina representa uma oportunidade para que o candidato apresente suas propostas, responda a questionamentos e procure ampliar o diálogo com eleitores que ainda não definiram suas preferências.
Nesse tipo de entrevista, detalhes aparentemente secundários podem ganhar visibilidade, sobretudo quando remetem a figuras políticas conhecidas ou a episódios marcantes da história recente do país. No caso do relógio, a semelhança com o acessório usado por Jair Bolsonaro acrescentou uma dimensão visual à discussão sobre a relação entre pai e filho e sobre a continuidade da influência do ex-presidente no projeto eleitoral do PL.
A exposição também ocorre em um momento no qual a identificação com o legado bolsonarista pode desempenhar papel importante na estratégia política de Flávio. Ao mesmo tempo que procura consolidar o apoio do eleitorado alinhado ao pai, o senador precisa construir sua própria identidade pública, apresentando posicionamentos e características que o diferenciem sem romper necessariamente com a base política que pretende representar.
A escolha de utilizar um objeto recebido do ex-presidente pode ser compreendida dentro desse cenário, embora não seja possível afirmar, apenas com base no episódio, que tenha sido uma decisão planejada especificamente para produzir repercussão durante a entrevista.
Um objeto simples em meio à disputa presidencial
A repercussão em torno do relógio demonstra como a disputa eleitoral também se desenvolve no campo dos símbolos, das imagens e das referências pessoais. Em campanhas presidenciais, a construção da identidade de um candidato não depende exclusivamente de discursos, propostas econômicas ou posicionamentos sobre temas nacionais. Gestos, objetos e referências familiares também podem contribuir para estabelecer vínculos com determinados segmentos do eleitorado.
No caso de Flávio Bolsonaro, o acessório reúne três elementos de forte associação política: a relação com Jair Bolsonaro, o momento em que o presente teria sido entregue e a utilização durante uma entrevista de alcance nacional. A combinação desses fatores ajuda a explicar por que um relógio de baixo custo comercial se tornou um detalhe digno de atenção durante a sabatina.
A peça também remete à importância da imagem pessoal na política contemporânea. Em uma disputa marcada pela ampla circulação de fotografias, vídeos e recortes de entrevistas nas redes sociais, elementos visuais podem ser rapidamente destacados e incorporados às discussões públicas. Um acessório que, em outras circunstâncias, passaria despercebido pode ganhar novo significado quando associado à história de uma liderança política.
Apesar da repercussão, o episódio não altera, por si só, o cenário eleitoral nem permite antecipar seus efeitos sobre a candidatura. Sua relevância está principalmente no simbolismo atribuído ao presente e na maneira como ele conecta a trajetória do ex-presidente à campanha de seu filho.
Assim, o relógio Aqua usado por Flávio Bolsonaro durante a sabatina do Jornal Nacional acabou se destacando não pelo preço ou pela sofisticação do produto, mas pela relação com Jair Bolsonaro e pelo contexto em que teria sido entregue. Em meio à disputa pela Presidência da República, o acessório tornou-se mais um elemento da narrativa política em torno da sucessão dentro do bolsonarismo, evidenciando como até mesmo um objeto simples pode assumir significado público quando passa a integrar a imagem de um candidato.






