A tradição das quadrilhas juninas, manifestação cultural que todos os anos transforma espaços públicos e comunidades de Vitória da Conquista em verdadeiros cenários de celebração, dança, música e identidade nordestina, acaba de receber um importante reconhecimento institucional. A prefeita Sheila Lemos sancionou, nesta terça-feira (25), a Lei nº 3.184, de autoria do vereador Hermínio Oliveira, que reconhece as quadrilhas juninas como patrimônio cultural e imaterial do município.
A sanção ocorreu no gabinete da prefeita e reuniu representantes do poder público, lideranças e integrantes de quadrilhas juninas tradicionais da cidade. Também participaram do momento a secretária Kalilly Lemos, o secretário Marcos Ferreira, o coordenador municipal da Juventude, Luiz Augusto Cardoso, além do vereador Hermínio Oliveira e representantes dos grupos culturais.
A medida representa um marco para a preservação de uma das manifestações populares mais expressivas da cultura nordestina. Ao reconhecer oficialmente as quadrilhas como patrimônio cultural e imaterial, o município passa a destacar não apenas a importância das apresentações realizadas durante os festejos juninos, mas todo o conjunto de saberes, práticas, histórias e relações comunitárias construídas em torno dessa tradição.
Durante a cerimônia, a prefeita Sheila Lemos ressaltou que a legislação reconhece uma manifestação que está diretamente ligada à identidade cultural de Vitória da Conquista.
“Recebemos aqui no gabinete a representação das quadrilhas juninas do nosso município para a sanção de uma importante lei, de autoria do vereador Hermínio Oliveira. Essa lei coloca as quadrilhas juninas como patrimônio cultural e imaterial de Vitória da Conquista. Então, é um reconhecimento a essa tradição lindíssima das quadrilhas juninas”, destacou a prefeita.
Uma tradição que atravessa gerações
Muito além de uma atividade associada exclusivamente ao período de São João, as quadrilhas juninas representam um importante movimento cultural e comunitário. Durante meses de preparação, os grupos mobilizam dançarinos, músicos, coreógrafos, figurinistas, costureiros, produtores culturais, familiares e moradores das comunidades onde as quadrilhas estão inseridas.
Cada apresentação é resultado de um processo coletivo que envolve ensaios, criação de coreografias, escolha de repertório, confecção de figurinos, produção de cenários e organização de apresentações. O resultado é levado ao público durante o período junino, quando as quadrilhas ocupam espaços de convivência e contribuem para fortalecer o calendário cultural do município.
Em Vitória da Conquista, essa manifestação vem sendo mantida por diferentes gerações. Crianças, adolescentes, jovens e adultos participam dos grupos, garantindo que os conhecimentos e costumes associados às quadrilhas sejam transmitidos e renovados ao longo do tempo.
A tradição, entretanto, não permanece estática. A cada nova temporada, os grupos incorporam novas ideias, linguagens artísticas e elementos de produção, mantendo uma relação entre a tradição e a criatividade contemporânea. É justamente essa capacidade de se renovar sem perder suas raízes que ajuda a manter as quadrilhas presentes na memória e no cotidiano das comunidades.
Reconhecimento à juventude e à cultura
Para Luiz Augusto Cardoso, conhecido como Luizinho, coordenador municipal da Juventude, a aprovação da legislação também possui um significado especial por reconhecer o protagonismo dos jovens na produção cultural da cidade.
“Essa lei é um reconhecimento à nossa juventude, principalmente a essa juventude que faz arte e cultura no seu dia a dia. Tornar as nossas quadrilhas juninas um bem cultural e imaterial do nosso município é reconhecer e valorizar essa nossa juventude”, afirmou.
A declaração reforça um dos principais aspectos relacionados às quadrilhas: o papel desempenhado pela juventude na continuidade das manifestações culturais populares. Para muitos participantes, a quadrilha representa não apenas uma atividade artística, mas também um espaço de convivência, expressão, pertencimento e construção coletiva.
Os grupos culturais funcionam, em diferentes comunidades, como ambientes capazes de aproximar gerações. Pais, filhos, irmãos, amigos e moradores participam direta ou indiretamente das atividades, criando vínculos que ultrapassam o período das apresentações.
Cultura, economia criativa e movimentação comunitária
O reconhecimento também lança luz sobre a dimensão econômica e profissional que existe por trás das manifestações juninas. A preparação de uma quadrilha envolve uma cadeia de trabalhadores e prestadores de serviços ligados à cultura e à economia criativa.
Costureiros e figurinistas participam da elaboração das roupas utilizadas pelos dançarinos. Profissionais da música trabalham na preparação dos repertórios. Coreógrafos desenvolvem as apresentações, enquanto produtores e colaboradores atuam na organização dos ensaios, apresentações e demais atividades.
Dessa forma, a valorização das quadrilhas juninas também significa reconhecer uma rede de profissionais que contribui para movimentar a produção cultural do município.
Além disso, os festejos juninos ampliam a circulação de pessoas e fortalecem atividades comerciais e de serviços, criando um ambiente em que cultura, entretenimento e economia local se encontram.
Patrimônio cultural e preservação da identidade
A transformação das quadrilhas juninas em patrimônio cultural e imaterial municipal representa, sobretudo, um reconhecimento da importância da memória coletiva. O patrimônio imaterial está relacionado a práticas, conhecimentos, celebrações e manifestações que são transmitidos entre gerações e que ajudam a construir a identidade de uma comunidade.
Nesse contexto, a Lei nº 3.184 estabelece um novo capítulo na relação do município com essa tradição. O reconhecimento oficial reforça a necessidade de preservar os elementos que caracterizam as quadrilhas, garantindo que as novas gerações possam conhecer, participar e contribuir para a continuidade dessa manifestação.
Em Vitória da Conquista, onde diferentes grupos mantêm viva a cultura junina, a iniciativa também simboliza o reconhecimento do trabalho realizado longe dos grandes palcos. São comunidades, famílias e artistas que dedicam tempo, criatividade e recursos para preparar apresentações e manter uma tradição que faz parte da história local.
Uma conquista para os grupos juninos
Para os representantes das quadrilhas presentes à cerimônia, a sanção da lei representa o reconhecimento de um trabalho construído durante anos. A partir de agora, uma manifestação que já ocupa espaço importante na cultura popular conquistense passa a contar também com o reconhecimento formal do município.
A medida valoriza a trajetória dos grupos tradicionais e abre espaço para que novas gerações compreendam a importância cultural das quadrilhas. Ao mesmo tempo, reforça a responsabilidade coletiva de preservar essa manifestação, garantindo que ela continue sendo transmitida e reinventada.
A sanção da Lei nº 3.184, portanto, ultrapassa o caráter simbólico de um ato administrativo. Trata-se de uma iniciativa que reconhece a cultura produzida pelas comunidades e por seus artistas, valoriza a participação da juventude e fortalece uma tradição que, ano após ano, reúne pessoas em torno da música, da dança, da criatividade e da identidade nordestina.
Com o reconhecimento como patrimônio cultural e imaterial, as quadrilhas juninas passam a ocupar oficialmente um lugar ainda mais significativo na história cultural de Vitória da Conquista preservando memórias do passado, celebrando o presente e criando condições para que essa tradição continue sendo construída pelas próximas gerações.






