A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão de uma unidade falsificada do medicamento Mounjaro, utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 e amplamente conhecido pelo uso no controle do peso corporal. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (30), no Diário Oficial da União, estabelecendo a proibição imediata da comercialização, distribuição e utilização do produto identificado como irregular.
A medida integra as ações permanentes da Anvisa para combater a circulação de medicamentos falsificados no país e proteger a saúde da população. O órgão regulador alerta que produtos sem garantia de procedência representam um risco elevado, podendo comprometer tratamentos médicos e causar sérios danos aos pacientes.
De acordo com a Resolução RE nº 2.952/2026, a própria fabricante do medicamento, a Eli Lilly do Brasil, comunicou à Anvisa a identificação de uma unidade suspeita encontrada no mercado. Embora o produto apresentasse o lote D881474, considerado legítimo e registrado nos sistemas da empresa, o número de série 302199651396 não correspondia ao cadastro oficial da fabricante, caracterizando indícios claros de falsificação.
A divergência entre o número do lote e o número de série foi determinante para a adoção das medidas sanitárias. Segundo a Anvisa, essa incompatibilidade demonstra que a unidade não foi produzida nem distribuída pelos canais autorizados da empresa, tornando o medicamento impróprio para consumo.
O Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida, tornou-se um dos medicamentos mais procurados nos últimos anos devido aos resultados apresentados no controle da glicemia em pacientes com diabetes tipo 2 e, principalmente, pela eficácia na redução de peso. O aumento expressivo da demanda também elevou o interesse de organizações criminosas na produção e comercialização de versões falsificadas, vendidas muitas vezes por canais clandestinos, redes sociais e plataformas sem autorização sanitária.
Especialistas alertam que medicamentos falsificados podem conter substâncias desconhecidas, concentrações inadequadas do princípio ativo ou até mesmo não possuir qualquer componente terapêutico. Além de colocar a saúde em risco, esses produtos podem provocar reações adversas graves, falhas no tratamento e complicações clínicas.
A Anvisa orienta consumidores e profissionais de saúde a adquirirem medicamentos exclusivamente em farmácias e estabelecimentos devidamente regularizados. Também recomenda que qualquer suspeita de falsificação seja comunicada imediatamente às autoridades sanitárias, permitindo a adoção de medidas rápidas para retirar esses produtos de circulação.
A fabricante Eli Lilly reforçou que mantém rígidos controles de rastreabilidade e qualidade em toda a cadeia de produção e distribuição, colaborando continuamente com a Anvisa para identificar possíveis irregularidades e impedir que produtos falsificados cheguem aos consumidores.
O caso reforça a importância da verificação da procedência dos medicamentos e da atenção aos dados de identificação presentes nas embalagens, especialmente em produtos de alto valor comercial e grande procura no mercado.
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