O pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD-GO), fez duras críticas às declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, após o anúncio da imposição de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. Durante entrevista concedida à RBS TV, nesta quinta-feira (16), o ex-governador de Goiás classificou como “infeliz” a manifestação do integrante do governo norte-americano e defendeu que disputas políticas entre governos não podem resultar em prejuízos para a economia e para a população brasileira.
A declaração de Rubio ocorreu após o governo dos Estados Unidos justificar a adoção das novas tarifas alegando que a condução das negociações por parte do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não teria ocorrido de “boa-fé”. A fala repercutiu no cenário político brasileiro e provocou reações de diferentes lideranças, incluindo Caiado, que disputa espaço como um dos nomes da oposição para a eleição presidencial de 2026.
Ao comentar o episódio, Caiado afirmou discordar da postura adotada pelo secretário norte-americano e ressaltou que o Brasil, enquanto nação produtora e exportadora, não deve sofrer sanções motivadas por divergências diplomáticas.
“Sem dúvida nenhuma, a declaração do Rubio foi uma declaração infeliz”, afirmou o pré-candidato durante a entrevista.
Na avaliação do ex-governador, a penalização comercial imposta pelos Estados Unidos afeta diretamente trabalhadores, produtores rurais, empresários e diversos setores da economia nacional, que não possuem responsabilidade sobre os conflitos políticos entre governos.
“Um país não deve ser punido. Os 215 milhões de brasileiros, o Brasil que trabalha e produz, não podem sofrer dessas penalizações”, destacou.
Apesar das críticas dirigidas ao governo norte-americano, Caiado também responsabilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo agravamento das tensões diplomáticas. Segundo ele, o governo brasileiro estaria utilizando o episódio para fortalecer um discurso político voltado à defesa da soberania nacional.
De acordo com o pré-candidato, Lula teria interesse em transformar o conflito comercial em um tema de mobilização política interna, reforçando sua imagem junto ao eleitorado.
“Lula realmente lutou pela taxação porque quer buscar um discurso de patriota, de defensor da soberania. Marco Rubio deixou claro que foi uma maneira deselegante a que o presidente Lula tem tratado o governo Trump. Você vê claramente que há algo que interessa ao Lula provocar os Estados Unidos, querer, neste momento, atender à sua vontade, que é a taxação”, declarou.
A repercussão das tarifas impostas pelos Estados Unidos intensificou o debate entre lideranças políticas e representantes do setor produtivo. O agronegócio, considerado um dos principais motores da economia brasileira e responsável por parcela significativa das exportações nacionais, está entre os segmentos que demonstram preocupação com os impactos da medida.
Na quarta-feira (15), um dia antes da entrevista, Caiado voltou a se manifestar sobre o tema em publicação na rede social X (antigo Twitter). Na ocasião, criticou tanto o presidente Lula quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também apontado como possível pré-candidato à Presidência em 2026.
Em sua publicação, o ex-governador alertou para os efeitos das restrições comerciais enfrentadas pelo agronegócio brasileiro em diferentes mercados internacionais.
“O tarifaço vai destruir quem alimenta o Brasil. Ninguém fala sobre isso. China taxa nossa carne em 55%. União Europeia vetou a carne brasileira. EUA vão taxar em 25%. Três ataques ao agro e zero resposta do governo, só cuidados paliativos”, escreveu.
As declarações ocorrem em um momento de crescente tensão nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, após o anúncio da sobretaxa sobre produtos brasileiros. O episódio mobiliza autoridades, representantes do setor produtivo e lideranças políticas, que acompanham os possíveis impactos econômicos da medida sobre as exportações, a competitividade da indústria nacional e a geração de empregos.
Enquanto o governo brasileiro busca alternativas diplomáticas para reverter ou minimizar os efeitos das tarifas, o tema ganha força no debate político nacional e deve permanecer entre os principais assuntos da agenda econômica e eleitoral nos próximos meses, especialmente diante da aproximação do cenário das eleições presidenciais de 2026.
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