A Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), segue acompanhando atentamente as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2026-2028 envolvendo as concessionárias responsáveis pela operação do transporte coletivo urbano Viação Rosa e Atlântico Transportes e o Sindicato dos Rodoviários. O processo de negociação ocorre em um momento considerado decisivo para o futuro do sistema, diante da possibilidade de paralisações e até mesmo de uma greve geral anunciada pela categoria.
Segundo a Administração Municipal, a principal preocupação da gestão é assegurar a continuidade da prestação dos serviços à população, preservando a qualidade do transporte coletivo e garantindo que eventuais definições resultantes das negociações não comprometam o equilíbrio econômico-financeiro do sistema nem onerem excessivamente os usuários.
O transporte público é considerado um dos serviços mais essenciais da cidade, sendo responsável diariamente pelo deslocamento de milhares de trabalhadores, estudantes, idosos e demais cidadãos que dependem dos ônibus para acessar serviços de saúde, educação, comércio e outras atividades fundamentais. Por essa razão, a Prefeitura afirma que acompanha o cenário com atenção permanente, buscando minimizar possíveis impactos à rotina da população.
Subsídios municipais garantem tarifa mais acessível
A gestão municipal ressalta que um dos principais instrumentos utilizados para manter a tarifa em níveis acessíveis é o aporte de subsídios públicos destinados ao sistema de transporte coletivo. Esses recursos permitem que parte dos custos operacionais seja absorvida pelo município, evitando que aumentos de despesas sejam integralmente repassados aos passageiros.
De acordo com a Prefeitura, a política de subsídios tem papel estratégico para garantir a chamada modicidade tarifária, princípio que busca equilibrar a sustentabilidade financeira do sistema com a capacidade de pagamento dos usuários. A medida também contribui para ampliar o acesso da população ao transporte público, fortalecendo a inclusão social e a mobilidade urbana.
Entretanto, a Administração Municipal destaca que os recursos destinados ao transporte coletivo são provenientes do mesmo orçamento utilizado para financiar áreas prioritárias da gestão pública, como saúde, educação e segurança. Dessa forma, qualquer ampliação significativa dos subsídios exige planejamento e análise criteriosa dos impactos financeiros para o município.
Divergências marcam negociações
Durante as rodadas de negociação, as empresas concessionárias apresentaram uma proposta de reajuste linear de 4,11% para os trabalhadores, percentual equivalente ao índice acumulado da inflação e semelhante ao adotado recentemente em negociações do setor em Salvador. Além do reajuste salarial, as empresas propuseram um aumento de 4,11% no valor do vale-alimentação.
Por outro lado, o Sindicato dos Rodoviários apresentou reivindicações mais amplas, incluindo reajustes salariais que variam entre 6% e 10%, além da redução da jornada de trabalho da categoria. As diferenças entre as propostas têm dificultado o avanço das negociações e contribuído para o aumento da tensão entre as partes.
Nesta segunda-feira (1º), o Sindicato dos Rodoviários anunciou a realização de paralisações temporárias em horários considerados estratégicos para a mobilidade urbana. As interrupções estão previstas para ocorrer durante os períodos de maior movimento, no início da manhã, ao meio-dia e às 18 horas, nos dias 1º e 2 de junho, segunda e terça-feira.
Além das paralisações pontuais, a entidade sindical informou a possibilidade de deflagração de uma greve geral a partir da próxima quarta-feira (3), caso não haja avanços nas tratativas. O presidente do sindicato, Álvaro Silva Souza, afirmou que aguardou até a meia-noite da última sexta-feira (29) uma contraproposta das empresas, mas, segundo ele, não houve manifestação por parte das concessionárias dentro do prazo esperado.
Prefeitura alerta para impactos financeiros de reajustes acima da inflação
A Administração Municipal esclarece que qualquer acordo firmado acima dos índices inflacionários produz reflexos diretos sobre os custos operacionais do sistema de transporte coletivo. Na avaliação da gestão, aumentos mais elevados podem resultar na necessidade de ampliação dos subsídios públicos ou até mesmo em reajustes tarifários futuros, cenários que o município busca evitar.
A preocupação da Prefeitura está relacionada tanto à preservação das contas públicas quanto à proteção do orçamento das famílias conquistenses, especialmente em um contexto de desafios econômicos que afetam grande parcela da população.
“A manutenção de um transporte coletivo eficiente e financeiramente sustentável exige equilíbrio entre as legítimas reivindicações dos trabalhadores, a capacidade operacional das empresas e a preservação do interesse público”, destaca a gestão municipal.
Operação mínima será exigida em caso de paralisações
A Prefeitura também reforçou que o transporte coletivo urbano é um serviço essencial e, por determinação legal, não pode ser interrompido integralmente, mesmo em situações de greve. Diante desse entendimento, a Administração Municipal informa que adotará todas as medidas administrativas e jurídicas necessárias para garantir o cumprimento da operação mínima exigida pela legislação.
O objetivo é reduzir os transtornos para a população, principalmente nos horários de maior demanda, quando milhares de pessoas dependem do transporte público para chegar ao trabalho, às instituições de ensino e aos serviços públicos.
Para acompanhar a situação em tempo real, equipes da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana estarão mobilizadas nos terminais de ônibus e em pontos estratégicos da cidade. A fiscalização também terá como foco o cumprimento das obrigações contratuais por parte das concessionárias responsáveis pela operação do sistema.
Caso sejam identificadas irregularidades ou descumprimento das determinações legais, poderão ser aplicadas as sanções previstas nos contratos e na legislação vigente.
Defesa do direito de ir e vir
Ao final, a Prefeitura de Vitória da Conquista reafirmou seu compromisso com a defesa do direito de ir e vir da população e com a manutenção de um sistema de transporte público acessível, eficiente e sustentável.
A gestão municipal destaca que continuará acompanhando de perto todas as etapas das negociações entre empresas e trabalhadores, mantendo diálogo permanente com os envolvidos e atuando para que as discussões avancem de forma responsável.
A expectativa da Administração é que as partes alcancem um entendimento por meio da negociação e do consenso, evitando prejuízos à população e assegurando a continuidade de um serviço essencial para a dinâmica econômica e social do município.
Enquanto as tratativas prosseguem, milhares de usuários permanecem atentos aos desdobramentos das negociações, que poderão definir não apenas as condições de trabalho da categoria, mas também os rumos do transporte coletivo urbano nos próximos anos em Vitória da Conquista.





