Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que a demora do Ministério da Saúde na aquisição da vacina Coronavac, ao longo de 2023, resultou em prejuízo estimado em pelo menos R$ 260 milhões aos cofres públicos. O montante corresponde a milhões de doses contra a Covid-19 que não chegaram a ser aplicadas e tiveram como destino final a incineração.
De acordo com o relatório técnico, o processo de contratação dos imunizantes se estendeu por mais de sete meses, um intervalo considerado excessivo pelos auditores. Esse atraso comprometeu diretamente a logística de distribuição e uso das vacinas, uma vez que os lotes foram entregues com prazo de validade reduzido, dificultando sua aplicação em larga escala.
O cenário foi agravado pelo contexto epidemiológico e pelas diretrizes adotadas no Sistema Único de Saúde (SUS) à época. Quando as doses finalmente chegaram, a Coronavac já havia perdido espaço nas campanhas de imunização, que priorizavam outros imunizantes mais atualizados ou com maior adesão da população. Como consequência, aproximadamente 8 milhões das 10 milhões de doses adquiridas não foram utilizadas.
O TCU aponta que a “excessiva demora” na formalização do contrato foi o fator determinante para o desperdício. O documento destaca falhas no planejamento e na gestão do processo de compras, além da ausência de medidas eficazes para mitigar riscos relacionados ao prazo de validade dos imunizantes.
Em resposta, o Ministério da Saúde afirmou, por meio de nota, que herdou entraves administrativos da gestão anterior e que a aquisição seguiu recomendações de organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS). A pasta também argumenta que decisões foram tomadas com base em critérios técnicos disponíveis no momento da negociação.
O caso permanece sob análise do tribunal, que solicitou esclarecimentos a ex-dirigentes responsáveis pela área de compras da pasta. Dependendo das conclusões finais, os envolvidos poderão ser responsabilizados por eventuais irregularidades administrativas ou falhas na condução do processo.
A auditoria reforça preocupações recorrentes sobre eficiência na gestão pública, especialmente em áreas sensíveis como a saúde, onde atrasos e falhas logísticas podem gerar não apenas prejuízos financeiros, mas também impactos diretos na proteção da população.





