O Nordeste historicamente considerado o principal bastião eleitoral do Partido dos Trabalhadores tornou-se motivo de atenção estratégica na pré-campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dados recentes indicam um cenário menos confortável do que em eleições anteriores, com sinais de desgaste na popularidade do governo e avanço de adversários na região.
De acordo com informações publicadas pelo jornal O Globo, levantamentos de opinião mostram uma redução na vantagem histórica do petista sobre o senador Flávio Bolsonaro. Tradicionalmente, o PT registra desempenho expressivo no Nordeste, ultrapassando a marca de 69% dos votos válidos em segundos turnos presidenciais, índice que chegou a 77% na eleição de 2006, quando Lula consolidou ampla liderança regional.
No entanto, o quadro atual aponta uma inflexão. Pesquisa do Datafolha revela que Lula recuou de 63% das intenções de voto em dezembro para 60% em abril. No mesmo período, Flávio Bolsonaro apresentou crescimento, passando de 24% para 32%. Em paralelo, a avaliação positiva do governo (“ótimo” ou “bom”) no Nordeste caiu de 53%, registrada em março de 2023, para 41% no levantamento mais recente.
Diante desse cenário, o presidente intensificou sua presença na região. Apenas nos primeiros meses do ano, Lula realizou oito visitas a estados nordestinos, buscando reforçar vínculos políticos e anunciar ações governamentais. Ainda assim, desafios locais persistem e exigem atenção das lideranças do partido.
Na Bahia, por exemplo, o governador Jerônimo Rodrigues aparece atrás do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) em levantamentos recentes. Já no Ceará, o governador Elmano de Freitas enfrenta um ambiente competitivo diante da influência política de Ciro Gomes. Nesse contexto, o ex-ministro Camilo Santana deixou o comando do Ministério da Educação para reforçar a articulação política no estado.
Apesar do cenário mais apertado, aliados do governo mantêm confiança na resiliência eleitoral do PT no Nordeste. A avaliação interna é de que o capital político acumulado ao longo das últimas décadas, somado à intensificação da presença presidencial e a ajustes estratégicos, pode reverter a tendência atual até o período eleitoral.





