A vitória do Santos por 2 a 0 sobre o Remo, pelo Campeonato Brasileiro, acabou ofuscada por uma polêmica envolvendo o principal nome da equipe. Após o apito final da partida realizada na quinta-feira (2/4), o atacante Neymar, camisa 10 do Peixe, protagonizou uma controvérsia ao fazer uma declaração considerada machista ao comentar a atuação da arbitragem.
A fala do jogador rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e ultrapassou fronteiras, sendo alvo de críticas em veículos de imprensa internacionais. A expressão utilizada por Neymar “acordou de chico” foi interpretada como um comentário pejorativo associado à menstruação, carregando um sentido depreciativo e misógino, o que ampliou o debate sobre machismo no futebol.
Na Espanha, o tradicional jornal Sport destacou a contradição entre o bom momento esportivo do atleta e a repercussão negativa de sua declaração. Em tom crítico, o periódico apontou que, apesar de Neymar voltar a se destacar com a camisa do Santos e até “colocar Ancelotti em apuros” em referência a uma possível convocação ou interesse técnico , suas palavras fora de campo podem comprometer sua imagem. Para o jornal, o episódio evidencia como atitudes extracampo ainda pesam na avaliação pública de grandes estrelas.
Já na França, o respeitado L’Équipe aprofundou a análise linguística e cultural da expressão utilizada. O veículo explicou que o termo “de chico” tem origem em “chiqueiro”, palavra historicamente associada à sujeira, sendo usada de forma preconceituosa para se referir ao período menstrual feminino. O jornal classificou a fala como misógina e ressaltou que o episódio reforça a necessidade de maior conscientização no meio esportivo.
Na Argentina, o Diário Olé também repercutiu o caso, classificando a declaração como “repudiável”. O periódico explicou aos leitores o significado da expressão no contexto brasileiro, definindo-a como um eufemismo ofensivo. A publicação destacou que Neymar voltou ao centro de uma polêmica, desta vez não por questões esportivas, mas por um comentário que gerou forte rejeição pública.
Entenda o caso
A declaração ocorreu durante entrevista após a partida. Neymar criticava a atuação do árbitro Sávio Pereira Sampaio, a quem acusou de tomar decisões equivocadas ao longo do jogo. O jogador reclamou de faltas sofridas e da aplicação de um cartão amarelo após contestar a arbitragem.
Ao comentar o comportamento do juiz, o atacante utilizou a expressão controversa, o que acabou desviando o foco da análise esportiva para uma discussão sobre linguagem e respeito.
“É injusto. Sofri uma entrada desleal no final do jogo, sem necessidade. Não foi a primeira, foi a terceira ou quarta. Fui reclamar e tomei o amarelo. Sávio é assim, acordou meio ‘chico’ e veio assim para o jogo. Quer ser a figura do jogo, falta de respeito muito grande com os jogadores. Não quer papo, não quer conversa, é um cara que manda no jogo, quer comandar tudo. Vai reclamar, é futebol. Ele tem que saber levar isso. Fica desrespeitoso”, declarou Neymar.
Debate sobre linguagem e responsabilidade
O episódio reacende discussões recorrentes sobre o uso de expressões populares carregadas de preconceito estrutural, especialmente em ambientes de grande visibilidade como o futebol profissional. Especialistas em comunicação e igualdade de gênero apontam que termos historicamente associados à desvalorização feminina, ainda que naturalizados em determinadas culturas, têm sido cada vez mais questionados.
A repercussão internacional evidencia como declarações de atletas de alto nível ultrapassam o contexto esportivo e impactam debates sociais mais amplos. Em um cenário em que o futebol busca se posicionar como um espaço mais inclusivo e respeitoso, episódios como este reforçam a cobrança por posturas mais conscientes por parte de figuras públicas.
Até o momento, Neymar e o Santos não haviam divulgado um posicionamento oficial sobre a polêmica. Enquanto isso, a discussão segue nas redes sociais e na imprensa, ampliando o alcance de um debate que vai além das quatro linhas.





