A Bahia ocupa a quarta posição no ranking nacional de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), com um contingente de 144.928 indivíduos, segundo dados do Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número evidencia não apenas a dimensão da pauta no estado, mas também a necessidade crescente de políticas públicas voltadas à inclusão, ao diagnóstico precoce e ao acompanhamento especializado.
Entre os municípios baianos, Salvador lidera com o maior número de pessoas diagnosticadas com autismo, refletindo sua densidade populacional e maior acesso aos serviços de saúde. Na sequência aparecem Feira de Santana e Vitória da Conquista, que também concentram grandes populações e funcionam como polos regionais de atendimento. Especialistas apontam que, apesar da concentração nos grandes centros urbanos, há uma subnotificação relevante em cidades menores, onde o acesso ao diagnóstico ainda é limitado.
Nesta quinta-feira (2), o mundo volta os olhos para o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU). A data tem como objetivo ampliar o debate público, difundir informações de qualidade, combater estigmas históricos e promover os direitos das pessoas com TEA. Em diferentes regiões da Bahia, instituições, profissionais de saúde e famílias realizam ações educativas, palestras e mobilizações para dar visibilidade ao tema.
O Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por desafios na comunicação social, além de padrões de comportamento repetitivos e interesses restritos. A identificação precoce é considerada fundamental para o desenvolvimento da pessoa autista, mas ainda enfrenta entraves importantes, como a escassez de profissionais capacitados e a longa espera por avaliação especializada na rede pública.
Dados do próprio IBGE revelam avanços no acesso à educação, mas também expõem desigualdades. Em 2022, mais de 98% das crianças e adolescentes entre 6 e 14 anos estavam matriculados na escola. No entanto, entre aqueles com diagnóstico de TEA, esse percentual cai para cerca de 93%, evidenciando desafios adicionais para a permanência e inclusão no ambiente escolar.
Para especialistas, o cenário reforça a urgência de investimentos contínuos em formação de educadores, adaptação pedagógica e suporte multidisciplinar. “Não basta garantir o acesso à escola; é preciso assegurar que esses estudantes tenham condições reais de aprendizagem e desenvolvimento”, destacam profissionais da área.
Além das barreiras educacionais, pessoas com TEA e suas famílias lidam diariamente com dificuldades relacionadas ao preconceito, à inclusão no mercado de trabalho e ao acesso a terapias adequadas. A falta de informação ainda contribui para a marginalização e o isolamento social de muitos indivíduos no espectro.
Diante desse contexto, o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo surge como um chamado coletivo à empatia, ao respeito às diferenças e à construção de uma sociedade mais inclusiva. Na Bahia, os números expressivos reforçam que o tema precisa permanecer no centro das discussões públicas, com ações concretas que garantam direitos, dignidade e qualidade de vida para milhares de pessoas.





