A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) anunciou, a aprovação do chamado estado de greve, uma sinalização formal de insatisfação que antecede uma possível paralisação, acendendo um alerta no cenário da segurança pública nacional. A medida foi tomada após dias de intensas discussões e reflete o desgaste acumulado da categoria diante da falta de avanços nas negociações com o governo federal.
Com o indicativo aprovado, os policiais federais passam a ter respaldo para interromper parcial ou totalmente suas atividades nos próximos dias, caso não haja evolução nas tratativas. A principal pauta gira em torno da valorização da carreira, reestruturação salarial e melhores condições de trabalho, demandas que, segundo representantes da categoria, vêm sendo reiteradas há anos sem respostas concretas.
De acordo com o vice-presidente da Fenapef, Marcos Avelino, o movimento já provocou uma reação inicial por parte do governo. “Tão logo foi aprovado o indicativo de estado de greve, o governo federal abriu um canal de comunicação. Neste momento, há interlocução com dois ministérios estratégicos, e aguardamos a apresentação de uma proposta que possa atender minimamente às reivindicações”, afirmou.
A decisão foi consolidada após um encontro nacional realizado no Distrito Federal, que reuniu representantes dos 27 sindicatos da Polícia Federal distribuídos pelo país. As discussões, que se estenderam por três dias, evidenciaram um consenso entre as lideranças sindicais sobre a necessidade de intensificar a mobilização.
Como próximos passos, assembleias locais devem ocorrer ao longo da próxima semana em diferentes estados, onde os policiais irão deliberar sobre o rumo do movimento. A depender das decisões, o estado de greve pode evoluir para uma paralisação efetiva, o que impactaria diretamente serviços essenciais, como investigações criminais, operações especiais e emissão de documentos, a exemplo de passaportes.
O movimento ocorre em um contexto paradoxal. Levantamento recente da AtlasIntel, em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo, apontou a Polícia Federal como a instituição de maior confiança entre os brasileiros. Ainda assim, segundo a Fenapef, esse reconhecimento social não tem se traduzido em políticas públicas de valorização profissional.
Para os representantes da categoria, há uma discrepância entre a relevância estratégica da atuação da Polícia Federal especialmente no combate à corrupção, ao crime organizado e aos delitos transnacionais e o tratamento recebido em termos de investimento e reconhecimento institucional. “Valorizar a Polícia Federal não é apenas uma questão corporativa, mas uma medida que impacta diretamente a eficiência do Estado brasileiro”, avaliam lideranças sindicais.
Nos bastidores, a expectativa é de que o governo federal apresente, nos próximos dias, uma proposta capaz de conter o avanço do movimento e evitar uma crise mais ampla na segurança pública. Enquanto isso, o clima entre os policiais é de mobilização crescente e cautela, à espera de sinais concretos que indiquem uma possível solução para o impasse.





