A senadora Eliziane Gama afirmou, nesta terça-feira (17), que o governo federal precisa avançar na forma como se comunica com o público evangélico no Brasil. Em entrevista ao programa Acorda, Metrópoles, a parlamentar destacou que, apesar de haver esforços por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda há um distanciamento significativo a ser superado.
Integrante da base governista no Congresso Nacional e também evangélica, Eliziane ressaltou que a relação com esse segmento exige uma estratégia mais sensível e eficaz. Segundo ela, é necessário “calibrar” a linguagem e as abordagens adotadas pelo Executivo para dialogar com um grupo que, historicamente, apresenta maior identificação com pautas conservadoras.
Esse cenário tem contribuído para a aproximação de lideranças evangélicas com o ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja trajetória política esteve alinhada a bandeiras caras a esse eleitorado, como valores familiares tradicionais e posicionamentos mais rígidos em temas de costumes. Em contrapartida, o governo Lula, associado a agendas progressistas, enfrenta desafios para consolidar apoio nesse campo.
A senadora também comentou episódios recentes que, segundo ela, ampliaram o desgaste na relação com esse público. Entre eles, a repercussão negativa de uma homenagem ao presidente durante os desfiles de Carnaval deste ano, protagonizada pela escola de samba Acadêmicos de Niterói.
Uma das alas da agremiação gerou críticas ao apresentar uma sátira envolvendo evangélicos. Intitulada “neoconservadores em conserva”, a ala trouxe integrantes fantasiados dentro de latas, com representações de famílias tradicionais, o que foi interpretado por líderes religiosos como uma forma de desrespeito e estigmatização.
Eliziane classificou a escolha como inadequada e lamentou o impacto causado. “A escola foi infeliz ao criar aquela ala”, afirmou. Ainda assim, fez questão de desvincular o presidente da polêmica. “É importante lembrar que não foi ele quem criou as alas. Ele não é carnavalesco da escola de samba, ele foi homenageado”, pontuou.
Para a senadora, episódios como esse reforçam a necessidade de um diálogo mais cuidadoso e contínuo com o público evangélico, considerado hoje um dos segmentos mais influentes no cenário político nacional. Ela defende que o governo invista não apenas em comunicação institucional, mas também em aproximação com lideranças religiosas, de forma a reduzir ruídos e ampliar a compreensão mútua.





