O Superior Tribunal Militar (STM) concedeu um prazo de dez dias para que o ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) apresente sua defesa por escrito no processo que pode culminar em sua expulsão das Forças Armadas. A decisão foi formalizada na tarde da última terça-feira (10) pelo relator do caso, o tenente-brigadeiro do ar Carlos Vuyk de Aquino, após representação apresentada pelo Ministério Público Militar (MPM).
A medida tem como base a recente condenação de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento relacionado à tentativa de golpe de Estado. Segundo o Ministério Público Militar, a sentença imposta pela Corte Suprema ultrapassa dois anos de pena, o que, conforme prevê a legislação castrense, torna o réu incompatível ou indigno para o exercício do oficialato, mesmo na condição de capitão da reserva.
Na representação, o MPM sustenta que a conduta atribuída ao ex-presidente fere princípios fundamentais da hierarquia, da disciplina e da lealdade institucional, pilares que regem as Forças Armadas brasileiras. Para o órgão, a permanência de Bolsonaro nos quadros militares, ainda que de forma honorífica, comprometeria a imagem e os valores da instituição.
Com a abertura do prazo para manifestação da defesa, Bolsonaro poderá apresentar argumentos, documentos e eventuais contestações jurídicas antes do julgamento definitivo. Após essa etapa, o processo será levado ao plenário do STM, responsável por deliberar sobre a possível perda ou manutenção do posto militar.
O Superior Tribunal Militar é composto por 15 ministros, sendo dez militares oriundos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica e cinco civis, todos nomeados pelo presidente da República após aprovação do Senado Federal. A decisão será tomada de forma colegiada e poderá estabelecer um precedente relevante na relação entre condenações criminais e a permanência de oficiais na reserva das Forças Armadas.
O caso tem forte repercussão política e institucional, uma vez que envolve um ex-chefe do Executivo e reacende o debate sobre os limites da atuação política de militares, ativos ou da reserva, e as consequências jurídicas de atos considerados atentatórios à ordem democrática.
Enquanto o prazo corre, o desfecho do processo segue em expectativa, com atenção redobrada de juristas, militares e da sociedade civil, diante do impacto simbólico e histórico que uma eventual expulsão pode representar.





