O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem ampliado de forma significativa sua agenda internacional nos últimos meses, em um movimento interpretado por aliados como parte da estratégia de consolidação de seu nome no tabuleiro político nacional, já na condição de pré-candidato à Presidência da República. As viagens ao exterior, segundo interlocutores próximos, cumprem um duplo papel: projetar o parlamentar no cenário internacional e reforçar, junto ao eleitorado conservador brasileiro, a imagem de um político alinhado a lideranças globais de perfil ideológico semelhante.
Entre os compromissos mais recentes, Flávio passou pelo Bahrein, onde foi recebido pelo príncipe herdeiro Sheikh Salman bin Hamad Al Khalifa, e por Israel, palco de um encontro com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Em ambas as agendas, o senador buscou destacar temas caros ao campo conservador, como segurança, soberania nacional, valores tradicionais e cooperação estratégica entre governos considerados aliados.
Durante os encontros, Flávio Bolsonaro adotou um discurso firme de oposição ao atual governo federal, criticando rumos da política externa brasileira e defendendo uma reaproximação mais intensa com países que, segundo ele, compartilham princípios políticos e econômicos semelhantes aos defendidos por seu grupo. A retórica, direcionada tanto ao público externo quanto ao interno, tem sido utilizada como ferramenta para marcar posição e diferenciar seu projeto político no cenário pré-eleitoral.
A movimentação internacional do senador não é inédita dentro do bolsonarismo. O roteiro lembra a estratégia adotada por Jair Bolsonaro em 2018, quando, ainda como deputado federal e pré-candidato, realizou viagens aos Estados Unidos e manteve contato com lideranças e think tanks ligados à direita internacional. Naquele período, o então candidato buscou respaldo político e simbólico fora do país, fortalecendo sua imagem como representante de uma nova direita brasileira conectada a movimentos globais conservadores.
Além das reuniões oficiais com chefes de Estado e autoridades estrangeiras, Flávio Bolsonaro tem reservado espaço em sua agenda para encontros com ativistas, representantes de organizações civis e grupos estratégicos, considerados fundamentais para a construção de uma rede de apoio internacional. A avaliação de seus assessores é de que esse diálogo pode resultar não apenas em respaldo político, mas também em visibilidade midiática e legitimidade junto a setores específicos do eleitorado.
Nos bastidores, aliados afirmam que a estratégia busca apresentar Flávio como um nome preparado para o cenário internacional, capaz de dialogar diretamente com líderes estrangeiros e defender interesses brasileiros fora das fronteiras nacionais. Críticos, por outro lado, avaliam que as viagens têm caráter eminentemente eleitoral e servem mais à construção de imagem do que à produção de resultados concretos para o país.
Com a aproximação do calendário eleitoral, a tendência é que a agenda internacional do senador continue intensa. As articulações fora do Brasil indicam que Flávio Bolsonaro aposta na projeção externa como um dos pilares de sua pré-campanha, tentando repetir uma fórmula já testada pelo bolsonarismo, agora com foco em consolidar seu próprio protagonismo na disputa presidencial.





