A conduta da médica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que declarou, de forma equivocada, a morte de uma mulher atropelada em Bauru, no interior de São Paulo, passou a ser alvo de investigação do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). O caso, ocorrido no último domingo (18/1), gerou ampla repercussão e levantou questionamentos sobre os protocolos adotados em atendimentos de emergência.
A vítima, identificada como Fernanda Cristina Policarpo, de 29 anos, foi atropelada na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294). Segundo as informações iniciais, a equipe do Samu que atendeu a ocorrência constatou o óbito ainda no local e deixou a área antes da chegada das autoridades policiais, procedimento que normalmente ocorre apenas após a confirmação inequívoca da morte.
No entanto, a situação tomou outro rumo quando um segundo médico, acionado posteriormente para acompanhar os trâmites de remoção do corpo, realizou nova avaliação clínica. Durante o exame, o profissional percebeu que Fernanda ainda apresentava sinais vitais, sobretudo movimentos respiratórios, apesar da gravidade dos ferimentos causados pelo atropelamento. Diante da constatação, a vítima foi imediatamente socorrida e encaminhada ao hospital.
Em nota oficial, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo informou que instaurou uma sindicância para apurar as circunstâncias do atendimento e verificar se houve falha técnica, negligência ou descumprimento de protocolos médicos. O conselho ressaltou que, após a fase inicial de apuração, poderá adotar medidas administrativas e éticas cabíveis, caso sejam identificadas irregularidades.
Paralelamente à investigação do órgão de classe, a Secretaria Municipal de Saúde de Bauru comunicou o afastamento preventivo da médica envolvida. A decisão foi anunciada e, segundo a pasta, tem caráter administrativo. “Como medida preventiva, a profissional foi afastada de suas atividades até a conclusão da sindicância instaurada para apurar os fatos relacionados ao atendimento”, informou a secretaria.
De acordo com o último boletim médico, divulgado nesta quinta-feira (22/1), Fernanda permanece internada em estado grave no Hospital de Base de Bauru, porém apresenta estabilidade clínica. A paciente está sob ventilação mecânica e a equipe médica iniciou o processo de redução gradual dos sedativos, procedimento que permite uma avaliação mais precisa das respostas neurológicas.
O acidente ocorreu por volta das 18h30, conforme dados da Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp). Um veículo utilitário esportivo (SUV) trafegava pela rodovia quando o motorista se deparou com uma pedestre que teria atravessado a pista de forma repentina. As circunstâncias exatas do atropelamento ainda serão analisadas pelas autoridades competentes.
O episódio reacende o debate sobre a responsabilidade médica em situações de emergência, especialmente no que diz respeito à confirmação de óbito em locais de acidente. Especialistas destacam que a constatação incorreta da morte pode ter consequências graves, tanto para a vítima quanto para os profissionais e instituições envolvidas. Enquanto isso, familiares de Fernanda aguardam esclarecimentos e torcem pela recuperação da jovem, que segue sob cuidados intensivos.





