Sob influência direta da primeira-dama Janja da Silva, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem incorporado de forma cada vez mais enfática a defesa do combate à violência contra a mulher em seus discursos públicos. De acordo com apuração da coluna, o Palácio do Planalto trabalha agora para ampliar esse enfoque, com uma mudança estratégica no tom das falas presidenciais: o objetivo é dialogar diretamente com o público masculino.
A avaliação interna é de que o enfrentamento à violência de gênero exige a responsabilização dos homens, tanto no âmbito individual quanto coletivo. Assim, ao abordar casos de agressão e feminicídio, o presidente tem sido orientado a direcionar a mensagem aos homens, reforçando que a mudança de comportamento é parte central da solução do problema.
Essa linha discursiva começou a ganhar corpo em eventos recentes. Em dezembro de 2025, durante uma agenda oficial no Ceará, Lula foi direto ao ponto ao tratar do tema. Em tom duro, afirmou: “Vagabundo que bate em mulher não precisa votar no Lula”. A frase, que repercutiu amplamente, foi interpretada por aliados como um marco na nova estratégia de comunicação do presidente sobre o assunto.
Segundo interlocutores do governo, a intenção é tornar o discurso mais claro, sem rodeios, e capaz de provocar reflexão, sobretudo entre homens que ainda relativizam ou silenciam diante da violência doméstica. “Não se trata apenas de proteger as vítimas, mas de cobrar postura e responsabilidade de quem agride ou se omite”, avalia um auxiliar presidencial ouvido pela reportagem.
À ministra das Mulheres, Márcia Lopes, confirmou que o tema passou a ser tratado como prioridade pelo presidente. “Ele pediu para que essa questão seja tratada com prioridade e é um tema que vai ser cada vez mais abordado”, afirmou. De acordo com a ministra, a orientação é que o enfrentamento à violência contra a mulher esteja presente tanto nas políticas públicas quanto na narrativa política do governo.
Ainda segundo Márcia Lopes, Lula entende que o discurso presidencial tem peso simbólico e pode ajudar a mudar mentalidades. “Quando o presidente fala, ele sinaliza valores. E a mensagem é clara: violência contra a mulher é crime, é inaceitável e precisa ser combatida por toda a sociedade, especialmente pelos homens”, disse.
O tema também foi levado para o centro da agenda do Ministério da Justiça. Lula solicitou ao novo chefe da pasta, Wellington Cesar Lima, que o combate à violência contra a mulher seja um dos focos prioritários da atuação do ministério. A expectativa é de reforço na articulação com estados, ampliação de políticas de prevenção e fortalecimento da rede de proteção às vítimas.
Nos bastidores do Planalto, a leitura é de que a combinação entre discurso firme e ações concretas pode ampliar o alcance das políticas públicas e consolidar a pauta como um dos eixos centrais do governo. A estratégia, segundo aliados, deverá ser mantida e aprofundada ao longo dos próximos meses, com novas declarações e iniciativas voltadas à conscientização e ao enfrentamento da violência de gênero.





