O senador Wilder Morais (PL-GO) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido formal para que seja concedida prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente custodiado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A solicitação, direcionada ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, já reúne o apoio de 41 dos 81 senadores da República, o que representa mais da metade da Casa Alta do Congresso Nacional.
No documento encaminhado ao STF, Wilder Morais sustenta que o quadro clínico do ex-chefe do Executivo exige cuidados especiais e acompanhamento médico contínuo, incompatíveis, segundo ele, com o ambiente de custódia policial. O parlamentar menciona episódios de crises convulsivas, além de procedimentos médicos recentes, como elementos que reforçariam a necessidade de uma medida humanitária.
Em sua argumentação, o senador destaca que a responsabilidade do Estado vai além da simples privação de liberdade. “A custódia estatal não se limita à restrição do direito de ir e vir. Ela envolve a responsabilidade integral pela preservação da vida e da saúde do custodiado, conforme determina a Constituição Federal, a jurisprudência consolidada deste Supremo Tribunal Federal e os tratados internacionais de direitos humanos ratificados pelo Brasil”, afirmou Wilder Morais em trecho do pedido.
O requerimento também enfatiza que a prisão domiciliar não significaria impunidade ou flexibilização do cumprimento das decisões judiciais, mas sim uma adequação das condições de custódia diante de um quadro clínico considerado delicado. Segundo os signatários, a medida permitiria o monitoramento eletrônico e o cumprimento de eventuais restrições impostas pelo Judiciário, sem prejuízo às investigações ou aos processos em curso.
Embora o número de parlamentares que endossam o pedido seja expressivo, especialistas lembram que o apoio político não tem efeito jurídico direto sobre a decisão. A concessão ou não da prisão domiciliar é uma atribuição exclusiva do ministro Alexandre de Moraes, que analisará os fundamentos legais, os laudos médicos eventualmente apresentados e as circunstâncias do caso concreto.
Ainda assim, nos bastidores de Brasília, o volume de assinaturas é interpretado como um gesto político relevante. Para aliados de Bolsonaro, a iniciativa sinaliza solidariedade parlamentar e reforça a narrativa de que o ex-presidente enfrenta problemas de saúde que merecem atenção especial. Já críticos avaliam que o movimento também busca tensionar o debate público e pressionar institucionalmente o Supremo Tribunal Federal.
Até o momento, o STF não se manifestou oficialmente sobre o pedido. A expectativa é que a Corte aguarde a juntada de informações médicas detalhadas e eventuais pareceres técnicos antes de qualquer deliberação. Enquanto isso, o caso segue mobilizando o cenário político nacional e ampliando o debate sobre os limites entre a aplicação da lei, a proteção dos direitos fundamentais e a influência política em decisões judiciais de grande repercussão.





