O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda procurar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir a conjuntura política da Venezuela e possíveis caminhos para reduzir a instabilidade no país vizinho. A informação foi confirmada por fontes do governo brasileiro ouvidas pela CNN. No Palácio do Planalto, a avaliação é de que Brasil e Estados Unidos compartilham interesses estratégicos na região e podem atuar de forma coordenada para evitar um agravamento da crise em Caracas.
De acordo com integrantes do governo, Lula pretende se apresentar como um articulador do diálogo entre Washington e autoridades venezuelanas, diante do cenário de tensão instaurado após a prisão de Nicolás Maduro. A leitura do Executivo brasileiro é de que a deterioração do quadro político e social na Venezuela pode gerar efeitos em cadeia, com reflexos diretos sobre a economia regional, os fluxos migratórios e a segurança nas fronteiras.
Fontes do Itamaraty e do Planalto destacam que a manutenção da estabilidade política em Caracas é considerada estratégica também para os Estados Unidos. Na avaliação diplomática, um ambiente de conflito interno prolongado poderia aprofundar a crise humanitária e econômica venezuelana, ampliando riscos para países vizinhos e exigindo respostas mais duras da comunidade internacional.
Lula, que mantém canais abertos tanto com representantes do governo venezuelano quanto com autoridades norte-americanas, já teria iniciado conversas preliminares com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Nessas interlocuções, o presidente brasileiro sinalizou disposição para colaborar na busca de soluções pacíficas e negociadas, reforçando a tradição da diplomacia brasileira de defesa do diálogo e da mediação política.
Além do esforço diplomático, o governo brasileiro avalia medidas de apoio humanitário caso a situação na Venezuela se deteriore ainda mais. Entre as possibilidades discutidas internamente estão o eventual envio de alimentos, medicamentos e outros insumos básicos, como forma de mitigar impactos sobre a população venezuelana e reduzir a pressão migratória sobre países da região, especialmente o Brasil.
A iniciativa de Lula, segundo assessores, busca reafirmar o papel do Brasil como ator relevante na América do Sul e interlocutor confiável em crises regionais. Ao aproximar-se dos Estados Unidos para tratar do tema, o governo brasileiro aposta na convergência de interesses e na diplomacia ativa como instrumentos para evitar um colapso institucional mais profundo na Venezuela e preservar a estabilidade regional.





