Integrantes da cúpula do MDB avaliam, de forma reservada, que a esquerda reúne condições reais de conquistar ao menos uma das duas vagas ao Senado Federal que estarão em disputa em São Paulo nas eleições de 2026. A leitura interna do partido considera que o cenário se torna ainda mais favorável caso o campo progressista opte por nomes de alta visibilidade eleitoral, como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ou o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB).
Segundo dirigentes emedebistas ouvidos sob condição de anonimato, tanto Haddad quanto Alckmin contam com forte reconhecimento do eleitorado paulista, fator considerado decisivo em uma eleição majoritária e de alcance estadual. Alckmin, atual vice-presidente, acumula três mandatos como governador de São Paulo e construiu uma trajetória política amplamente conhecida no estado. Já Haddad foi prefeito da capital paulista, disputou eleições presidenciais e mantém presença constante no debate público nacional, o que, na avaliação do MDB, amplia sua competitividade.
Na análise feita por lideranças do partido, o histórico eleitoral e o nível de lembrança desses nomes podem favorecer a esquerda em um estado tradicionalmente disputado por forças de centro e centro-direita. Ainda assim, os emedebistas ponderam que o resultado final dependerá da conjuntura nacional, do desempenho do governo federal e da capacidade de articulação das alianças locais.
Para a segunda vaga ao Senado em São Paulo, a expectativa dentro do MDB é de que a centro-direita leve vantagem. Entre os nomes mais citados está o do deputado federal Guilherme Derrite (PP), que ganhou projeção política ao comandar a Secretaria de Segurança Pública do estado e mantém forte ligação com pautas caras ao eleitorado conservador paulista.
O posicionamento do MDB reflete, mais uma vez, sua estratégia de trânsito entre diferentes campos políticos. Apesar de ocupar três ministérios no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o partido também integra a base de apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). No plano estadual, a legenda já sinaliza a intenção de apoiar a reeleição de Tarcísio ao Palácio dos Bandeirantes em 2026.
Esse duplo alinhamento, avaliam dirigentes do partido, permite ao MDB manter protagonismo nas articulações eleitorais e preservar espaço tanto no governo federal quanto na administração paulista. Com dois assentos ao Senado em jogo, a disputa em São Paulo tende a ser uma das mais acirradas do país, reunindo nomes de peso e refletindo o equilíbrio de forças entre esquerda, centro e direita no maior colégio eleitoral do Brasil.





