O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, comentou neste domingo (04) a operação conduzida pelos Estados Unidos que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e utilizou o episódio para emitir uma mensagem indireta ao presidente da Rússia, Vladimir Putin. A declaração do líder ucraniano foi interpretada como uma provocação diplomática, ao sugerir que Washington poderia adotar postura semelhante em relação ao Kremlin.
Em manifestação pública, Zelensky afirmou que, “se for possível lidar com ditadores dessa forma, então os Estados Unidos sabem o que fazer”. A frase foi entendida por analistas internacionais como uma referência direta à guerra em curso entre Rússia e Ucrânia e à necessidade, segundo o presidente ucraniano, de uma ação mais dura contra o governo russo.
O líder da Ucrânia foi além ao indicar que o então presidente norte-americano, Donald Trump, teria condições de fazer com Vladimir Putin “o mesmo que fez com Maduro”, numa alusão à operação que culminou na detenção do chefe do Executivo venezuelano. A fala reforça o discurso de Zelensky de que regimes autoritários devem ser responsabilizados por meio de ações firmes da comunidade internacional.
Especialistas em geopolítica, no entanto, avaliam que qualquer comparação entre os dois cenários esbarra em limites práticos e estratégicos. Diferentemente da Venezuela, a Rússia é uma potência militar global, detentora de um dos maiores arsenais bélicos do planeta e do maior estoque de armas nucleares do mundo. Esse fator torna inviável, na avaliação de analistas, qualquer tentativa de intervenção direta semelhante à realizada no território venezuelano.
De acordo com estudiosos das relações internacionais, uma ação dessa natureza contra a Rússia representaria um risco elevado de escalada militar, com potencial de desencadear um conflito de proporções globais e consequências imprevisíveis. Por isso, apesar do simbolismo político das declarações de Zelensky, a possibilidade de repetição do modelo aplicado à Venezuela no caso russo é considerada remota.
As declarações do presidente ucraniano ocorrem em um momento de elevada tensão internacional e refletem o esforço de Kiev para manter o conflito no centro do debate global, buscando apoio político, diplomático e militar de seus aliados, especialmente dos Estados Unidos.





