O governo brasileiro informou que mantém articulação com o governo da China, tanto em nível bilateral quanto no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), para mitigar os impactos das novas regras de salvaguarda anunciadas pelo país asiático, que impõem limites à importação de carne bovina.
Em nota oficial, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) afirmou que acompanha o tema “com atenção” e atua de forma coordenada com o setor privado, com o objetivo de preservar os interesses dos produtores rurais, da indústria e dos trabalhadores ligados à cadeia pecuária.
Segundo o MDIC, o setor pecuário brasileiro tem contribuído de maneira consistente e confiável para a segurança alimentar da China, fornecendo produtos sustentáveis, competitivos e submetidos a rigorosos controles sanitários. O ministério ressaltou ainda que o histórico de cooperação comercial entre os dois países reforça a importância do diálogo técnico e diplomático diante das novas medidas.
Também nesta quarta-feira, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, avaliou que a taxação sobre a carne bovina não é “tão preocupante”. De acordo com ele, a iniciativa vinha sendo sinalizada previamente pelo governo chinês, que justifica a decisão como uma forma de proteger os produtores locais diante do aumento das importações.
Fávaro destacou que o Brasil está relativamente bem preparado para enfrentar esse tipo de cenário, citando a estratégia de diversificação de mercados adotada pelo governo federal. Segundo o ministro, a abertura de novos destinos para a carne brasileira, intensificada durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reduz a dependência de um único parceiro comercial, especialmente após o aumento de barreiras adotadas pelos Estados Unidos.
A China anunciou que passará a adotar cotas de importação de carne bovina a partir de 2026. O volume total previsto é de 2,7 milhões de toneladas, com ampliação gradual nos anos seguintes. Dentro desse montante, o Brasil ficou com a maior cota entre os países fornecedores, equivalente a 1,1 milhão de toneladas por ano.
Caso as importações ultrapassem os limites estabelecidos, a carne excedente será taxada em 55%. As novas regras entram em vigor na próxima quinta-feira (1º/1), terão duração inicial de três anos e serão aplicadas a todos os países exportadores. Por esse motivo, o governo brasileiro avalia que, do ponto de vista técnico, a medida não coloca o Brasil em desvantagem competitiva em relação a outros fornecedores globais.





