Um acordo firmado entre o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) e a associação cultural Afoxé Filhos de Gandhy garante a participação de homens transexuais nos desfiles do tradicional bloco, que há décadas integra o Carnaval de Salvador com seu cortejo de paz e religiosidade.
A medida foi tomada após o episódio registrado no Carnaval deste ano, quando associados ao afoxé receberam um comunicado interno informando que apenas pessoas do sexo masculino cisgênero poderiam participar das celebrações. A exclusão de homens trans gerou reações públicas e motivou a atuação do MP-BA.
Segundo o termo de ajustamento de conduta assinado pela associação, qualquer critério de participação nos desfiles deverá respeitar os princípios da dignidade da pessoa humana e da não discriminação, assegurados pela Constituição Federal e pela legislação de direitos humanos.
O Ministério Público destacou que a exigência de identidade de gênero cisgênero fere os direitos fundamentais e configura prática discriminatória. Com o novo acordo, o bloco se compromete a adotar medidas de inclusão, além de revisar seus estatutos e práticas internas para evitar condutas semelhantes em edições futuras do Carnaval.
Criado em 1949 por estivadores do Porto de Salvador, o Afoxé Filhos de Gandhy é reconhecido por sua herança cultural afro-brasileira, ligada aos valores do candomblé e da paz. A decisão de tornar o bloco mais inclusivo reforça o papel da cultura como instrumento de respeito à diversidade e à cidadania.





