O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o Brasil não enfrenta, neste momento, um novo surto de mpox, doença viral provocada pelo vírus MPXV. A declaração foi feita após o aumento de registros no estado do Rio de Janeiro, que contabilizou 74 casos entre setembro e outubro de 2026, reacendendo a atenção das autoridades sanitárias para a circulação do vírus e a necessidade de intensificar as medidas de vigilância epidemiológica.
Segundo o ministro, apesar do crescimento das notificações em determinadas localidades, o panorama nacional permanece distante daquele observado em 2022, quando o país enfrentou uma ampla disseminação da doença. Naquele período, quase 11 mil pessoas foram infectadas, em um cenário que exigiu mobilização das autoridades de saúde, ampliação da vigilância e adoção de estratégias específicas para conter a transmissão.
Padilha destacou que o Brasil registrou 665 casos de mpox ao longo de 2026. Para ele, os números atuais não representam uma repetição da emergência sanitária vivenciada quatro anos atrás. O ministro ressaltou que o acompanhamento dos registros e a adoção de medidas direcionadas são fundamentais para impedir que a circulação do vírus se intensifique.
Reforço na vacinação e monitoramento dos casos
Diante do aumento de ocorrências no Rio de Janeiro, o Ministério da Saúde reforçou o envio de vacinas ao estado, com o objetivo de ampliar a capacidade de resposta das equipes de saúde e contribuir para o controle da transmissão.
A vacinação contra a mpox, entretanto, não integra o calendário de imunização de rotina do Programa Nacional de Imunizações (PNI). A estratégia adotada pelo Ministério da Saúde é direcionada a grupos específicos considerados prioritários, conforme critérios epidemiológicos e de exposição ao vírus.
Entre os públicos contemplados estão profissionais de laboratório que trabalham diretamente com o MPXV, pessoas vivendo com HIV que apresentam imunossupressão e indivíduos que tiveram contato direto com casos suspeitos ou confirmados, desde que a exposição seja classificada como de médio ou alto risco.
A definição desses grupos considera a possibilidade de exposição ao agente infeccioso e a necessidade de proteção de pessoas que apresentam maior vulnerabilidade ou risco ocupacional. Por isso, a indicação da vacina deve seguir as orientações das autoridades sanitárias e a avaliação dos serviços de saúde.
Sintomas exigem atenção e reconhecimento precoce
Embora a maioria dos casos registrados em 2026 apresente evolução clínica leve, a mpox continua exigindo atenção da população e dos profissionais de saúde. O reconhecimento dos primeiros sinais da infecção é considerado importante para facilitar o diagnóstico, orientar os cuidados necessários e reduzir a possibilidade de transmissão.
A doença geralmente começa com manifestações semelhantes às de outras infecções virais. Entre os sintomas iniciais estão febre, dor de cabeça, dores musculares, cansaço e aumento dos linfonodos, popularmente conhecidos como ínguas.
Em seguida, podem surgir lesões na pele, uma das manifestações mais características da mpox. As feridas podem aparecer em diferentes regiões do corpo, incluindo rosto, mãos, pés, região genital e áreas próximas ao ânus. Dependendo do quadro clínico, as lesões podem evoluir, formar crostas e provocar desconforto ou dor.
É importante destacar que a apresentação da doença pode variar de uma pessoa para outra. Nem todos os pacientes apresentam os mesmos sintomas ou desenvolvem lesões com a mesma intensidade, o que reforça a importância da avaliação médica diante de sinais suspeitos.
Como ocorre a transmissão do vírus
A transmissão da mpox acontece principalmente pelo contato próximo com uma pessoa infectada, especialmente quando há contato direto com as lesões, crostas, fluidos corporais ou secreções respiratórias durante interações próximas e prolongadas.
O compartilhamento de objetos e materiais contaminados, como roupas, toalhas e roupas de cama, também pode representar uma via de transmissão. Por esse motivo, pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem adotar medidas de precaução, evitando o compartilhamento de objetos pessoais e mantendo os cuidados de higiene recomendados pelos serviços de saúde.
A orientação é que indivíduos com sintomas compatíveis procurem atendimento médico para avaliação e, quando necessário, realização de exames. Até que haja esclarecimento diagnóstico, é importante evitar o contato físico próximo com outras pessoas, especialmente com aquelas que possam apresentar maior vulnerabilidade.
Vigilância epidemiológica continua sendo fundamental
Mesmo sem caracterizar um novo surto nacional, o cenário atual demonstra a importância de manter a vigilância epidemiológica ativa e a capacidade de resposta dos serviços de saúde. O acompanhamento dos casos, a identificação de possíveis cadeias de transmissão, a orientação da população e a vacinação dos grupos indicados integram as estratégias para reduzir a circulação do vírus.
A experiência brasileira de 2022 também reforçou a necessidade de informação qualificada e de atenção aos sinais da doença. Naquele momento, a rápida ampliação dos registros evidenciou os desafios relacionados ao diagnóstico, à assistência e ao controle da transmissão.
Em 2026, diante dos novos registros, especialmente do aumento observado no Rio de Janeiro, as autoridades de saúde buscam evitar uma expansão dos casos e assegurar que as medidas de prevenção sejam adotadas de maneira adequada.
A recomendação é que a população não entre em pânico, mas permaneça atenta às manifestações da doença. Informação, diagnóstico oportuno, cuidados preventivos e acompanhamento pelos serviços de saúde continuam sendo ferramentas essenciais para proteger a população e evitar a disseminação da mpox no país.






