Flávio Bolsonaro, por sua vez, também registrou crescimento em grande parte do país, mas em proporção menor, de acordo com os dados apresentados. O candidato, contudo, enfrentou perdas em seis estados, nos quais sua votação diminuiu em relação ao primeiro turno. Maranhão, Acre, Amapá, Roraima, Amazonas e Tocantins aparecem entre as unidades da Federação onde o desempenho do candidato foi negativo na comparação entre as duas etapas da eleição. As variações demonstram que a disputa presidencial não apresentou uma evolução uniforme e que os movimentos do eleitorado assumiram características distintas conforme a região.
São Paulo concentra o maior avanço de Lula
Maior colégio eleitoral do Brasil, São Paulo foi o estado em que Lula registrou o maior crescimento absoluto de votos entre o primeiro e o segundo turno. O presidente ampliou sua votação em aproximadamente 2,6 milhões de votos, uma diferença expressiva que evidencia o peso do eleitorado paulista na composição do resultado nacional.
O desempenho de Lula em São Paulo ganha relevância diante da dimensão do eleitorado do estado e de sua influência no resultado das eleições presidenciais. Em uma disputa nacional, a capacidade de ampliar a votação em unidades da Federação com grande número de eleitores pode representar um fator determinante para a construção de uma vantagem expressiva no total de votos válidos.
A diferença observada entre as duas etapas também mostra que a votação do presidente não ficou restrita a uma única região do país. Ao contrário, o crescimento registrado em São Paulo foi acompanhado por avanços em estados de diferentes perfis demográficos, econômicos e políticos. Esse movimento nacional ajuda a compreender como Lula conseguiu elevar seu total de votos para mais de 64 milhões no segundo turno.
Apesar da importância dos números paulistas, o destaque político da comparação entre os turnos ficou concentrado em Minas Gerais. Além de apresentar o segundo maior crescimento absoluto de votos para o petista, o estado foi o único em que, conforme o levantamento apresentado, Lula conseguiu inverter a posição ocupada pelos candidatos no primeiro turno.
Minas Gerais registra virada e se torna um dos principais destaques da eleição
Em Minas Gerais, Lula conquistou mais de 1,1 milhão de votos adicionais entre as duas etapas da votação. O avanço foi suficiente para modificar o cenário observado no primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro havia terminado à frente do adversário.
Na primeira votação, Flávio contabilizou aproximadamente 5,7 milhões de votos no estado, enquanto Lula recebeu cerca de 5,1 milhões. A diferença inicial colocava o candidato apoiado pelo eleitorado bolsonarista em posição favorável na disputa mineira. No segundo turno, entretanto, o resultado apresentou uma mudança: Lula alcançou aproximadamente 6,3 milhões de votos, enquanto Flávio chegou a cerca de 6,2 milhões.
A inversão da vantagem transformou Minas Gerais em um dos casos mais relevantes da comparação entre os turnos. A mudança ocorreu em um estado considerado politicamente estratégico, tanto pela dimensão de seu eleitorado quanto pela importância que seus resultados assumem na análise das disputas presidenciais brasileiras.
A virada também demonstra que a posição alcançada por um candidato na primeira etapa não necessariamente se mantém até a votação definitiva. Entre os dois turnos, os eleitores voltam às urnas em um ambiente de disputa mais concentrada, no qual as campanhas buscam ampliar alianças, conquistar novos apoios e mobilizar segmentos do eleitorado que podem ser decisivos para o resultado final.
No caso mineiro, a expansão da votação de Lula superou a registrada por Flávio em termos absolutos, permitindo ao presidente ultrapassar o adversário por uma margem relativamente estreita. Embora a diferença final tenha sido de aproximadamente 100 mil votos, a alteração na liderança estadual conferiu ao resultado um significado político particular.
É importante observar, contudo, que os números, isoladamente, não permitem determinar quais fatores levaram à mudança. Para identificar as razões do avanço petista, seria necessário analisar informações adicionais, como a distribuição dos votos por município, os índices de comparecimento, a abstenção e eventuais mudanças na composição do eleitorado entre as duas etapas.
Rio de Janeiro apresenta avanço expressivo do presidente
Outro resultado que chama a atenção é o registrado no Rio de Janeiro, estado associado à trajetória política de Flávio Bolsonaro. Na comparação entre o primeiro e o segundo turno, Lula ampliou sua votação em mais de 872 mil votos, enquanto o adversário avançou pouco mais de 202 mil.
A diferença entre os crescimentos absolutos dos dois candidatos revela um desempenho mais robusto do petista na ampliação de sua base eleitoral fluminense. Mesmo em um território politicamente relevante para o campo bolsonarista, Lula conseguiu acrescentar um contingente expressivo de votos ao resultado obtido na primeira etapa da eleição.
O dado merece atenção porque o Rio de Janeiro ocupa uma posição importante no cenário político nacional e costuma ter papel destacado nas disputas presidenciais. A evolução da votação no estado também demonstra que a análise do desempenho eleitoral exige observar não apenas quem terminou cada turno à frente, mas também quanto cada candidato conseguiu crescer durante o processo.
No caso fluminense, a diferença superior a 670 mil votos entre os acréscimos registrados pelos dois candidatos mostra a dimensão do contraste na evolução de suas votações. O resultado, porém, não significa necessariamente que todos esses votos tenham migrado diretamente de um candidato para o outro. A comparação entre turnos também pode refletir mudanças no comparecimento, votos anteriormente destinados a candidatos eliminados e outras alterações no comportamento eleitoral.
Por isso, embora o avanço de Lula no Rio de Janeiro seja expressivo em números absolutos, uma avaliação mais aprofundada depende da análise dos resultados por município e de outros indicadores eleitorais. Ainda assim, a expansão registrada no estado integra o conjunto de resultados que contribuíram para elevar a votação nacional do presidente.
Flávio Bolsonaro cresce em boa parte do país, mas registra perdas em seis estados
Apesar de ter ampliado sua votação em grande parte do território brasileiro, Flávio Bolsonaro apresentou um desempenho menos uniforme quando comparados os resultados do primeiro e do segundo turno. Segundo os dados fornecidos, o candidato registrou recuos superiores a 52,3 mil votos em seis estados: Maranhão, Acre, Amapá, Roraima, Amazonas e Tocantins.
As perdas representam um contraste com o movimento observado na votação de Lula, que cresceu em todas as unidades da Federação. A diferença entre os desempenhos dos dois candidatos ajuda a explicar por que o presidente conseguiu aumentar sua vantagem nacional, mesmo em locais onde o adversário também avançou.
É necessário considerar, entretanto, que a redução da votação de um candidato entre turnos não deve ser interpretada automaticamente como transferência de apoio para o concorrente. Em uma eleição com duas etapas, as variações podem estar relacionadas a diferentes fatores, entre eles a participação eleitoral, a abstenção e a redistribuição de preferências após a eliminação de candidaturas no primeiro turno.
No caso dos seis estados citados, os números indicam uma retração na votação de Flávio em comparação com a etapa anterior. Para compreender a dimensão política desse movimento, seria necessário verificar o resultado individual de cada unidade da Federação, a variação dos votos válidos e a distribuição das mudanças entre os municípios.
Ainda assim, a presença de perdas em diferentes regiões do país constitui um elemento importante para a leitura geral da eleição. Enquanto Lula conseguiu ampliar sua votação de maneira generalizada, Flávio enfrentou dificuldades pontuais para manter o patamar alcançado na primeira etapa.
Norte do país registra os menores avanços absolutos de Lula
Embora tenha apresentado crescimento em todos os estados, Lula registrou seus menores acréscimos absolutos de votos em Roraima, Acre e Amapá. Nessas três unidades da Federação, o presidente acrescentou, respectivamente, pouco mais de 9 mil votos, aproximadamente 9,7 mil e cerca de 10,4 mil votos em relação ao primeiro turno.
Os números são consideravelmente menores do que os registrados em estados de maior população eleitoral, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Essa diferença, contudo, precisa ser interpretada levando em consideração o tamanho do eleitorado de cada unidade da Federação.
Em estados com menor número de eleitores, é natural que as variações absolutas de votos sejam inferiores às observadas nos maiores colégios eleitorais. Por esse motivo, o crescimento em números absolutos não deve ser confundido com a variação percentual da votação. Um acréscimo de alguns milhares de votos pode representar uma mudança proporcional relevante em um estado pequeno, enquanto um aumento de centenas de milhares pode corresponder a uma variação percentual mais modesta em uma unidade da Federação muito populosa.
Roraima, Acre e Amapá, portanto, aparecem como os estados em que o avanço numérico de Lula foi mais limitado. Isso não elimina, entretanto, a importância de sua evolução eleitoral, sobretudo quando o dado é analisado em conjunto com o resultado nacional e com o comportamento da votação nos demais estados.
A leitura regional também reforça a necessidade de distinguir a dimensão absoluta dos resultados de seu significado proporcional. Para avaliar com maior precisão a força eleitoral de cada candidato, seria necessário comparar o crescimento percentual, a participação nos votos válidos e as diferenças registradas em cada unidade da Federação.
O que a comparação entre os turnos revela sobre o resultado nacional
A análise dos números apresentados aponta para três movimentos centrais. O primeiro é a expansão generalizada da votação de Lula, que passou de quase 53,9 milhões de votos no primeiro turno para 64.256.232 no segundo, um acréscimo aproximado de 10,3 milhões.
O segundo é a concentração dos maiores avanços absolutos em estados de grande peso eleitoral. São Paulo liderou a lista, com crescimento de cerca de 2,6 milhões de votos, seguido por Minas Gerais, com mais de 1,1 milhão, e pelo Rio de Janeiro, onde o presidente acrescentou mais de 872 mil votos.
O terceiro movimento é a diferença entre as trajetórias dos dois candidatos. Embora Flávio Bolsonaro também tenha avançado em boa parte do país, seu crescimento foi menor em diversos estados e houve retração em seis unidades da Federação. Minas Gerais, por sua vez, destacou-se como o único estado em que Lula passou da segunda posição no primeiro turno para a liderança no segundo.
Esses três elementos ajudam a organizar a leitura do resultado eleitoral, mas não substituem uma investigação mais detalhada sobre as causas das variações. Os dados agregados permitem identificar onde ocorreram os maiores avanços e recuos, mas não explicam, por si só, as motivações dos eleitores nem demonstram diretamente a transferência de votos entre candidaturas.
Uma análise completa exigiria a comparação dos resultados oficiais por município, dos votos válidos, dos índices de comparecimento e de abstenção, além da distribuição regional das diferenças registradas entre as duas etapas.
Uma disputa marcada por diferenças regionais
O resultado descrito para o segundo turno de 2026 evidencia a importância de considerar as particularidades regionais na avaliação de uma eleição presidencial. A votação nacional reúne realidades distintas, e o desempenho dos candidatos pode variar de maneira significativa conforme o tamanho do eleitorado, a composição política local e a participação dos eleitores.
O crescimento de Lula em todas as unidades da Federação indica que a ampliação de sua votação não ficou concentrada em um único estado ou região. Ao mesmo tempo, os resultados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro demonstram que os maiores contingentes eleitorais tiveram papel importante na evolução de seu total nacional.
Minas Gerais ocupa posição especial nessa análise porque a mudança de liderança entre os turnos oferece um exemplo concreto de como a disputa pode se reorganizar na etapa final. Já o Rio de Janeiro chama a atenção pela diferença entre os acréscimos de votos dos dois candidatos, enquanto São Paulo se destaca pelo volume absoluto de votos adicionados à votação petista.
No campo adversário, os recuos registrados em seis estados mostram que o crescimento eleitoral não foi uniforme. Mesmo onde Flávio Bolsonaro manteve uma presença expressiva, os resultados precisam ser examinados em conjunto com a evolução da votação de Lula e com as mudanças observadas no comparecimento às urnas.
Em síntese, os números apresentados apontam para uma expansão nacional da votação de Lula, acompanhada por diferenças regionais relevantes e por uma mudança decisiva no resultado mineiro. O aumento de aproximadamente 10,3 milhões de votos entre os turnos, somado aos avanços nos principais colégios eleitorais, constitui o eixo central da comparação. Para além dos totais nacionais, a distribuição estadual dos votos oferece elementos importantes para compreender a dimensão territorial da disputa e as diferentes trajetórias eleitorais dos dois candidatos.
Nota de apuração: os números e as comparações desta matéria foram organizados com base nas informações fornecidas no texto original. Antes da publicação, recomenda-se conferir os dados nos resultados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), especialmente os totais nacionais e estaduais, as diferenças entre os turnos e a afirmação de que Minas Gerais foi o único estado em que ocorreu uma inversão de liderança. A confirmação é essencial para garantir a precisão jornalística da reportagem.






