Levantamento divulgado nesta quarta-feira (21) mostra que o percentual de eleitores sem candidato definido dobrou na pesquisa espontânea. Entre mulheres, índice chegou a 17%; já entre os eleitores independentes, atingiu 31%. Na modalidade estimulada, Flávio Bolsonaro registra 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula.
A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (21), revela um cenário de atenção para a disputa presidencial de 2026, marcado pelo crescimento do número de eleitores que ainda não definiram em quem pretendem votar. De acordo com os dados do levantamento, o percentual de indecisos na pesquisa espontânea dobrou, passando de 7% para 14%, um movimento que evidencia a existência de uma parcela significativa do eleitorado que ainda não consolidou sua preferência política.
O avanço da indecisão aparece de maneira ainda mais expressiva entre determinados segmentos da população. Entre as mulheres, o índice subiu de 8% para 17%, enquanto, entre os eleitores independentes, o percentual saltou de 13% para 31%. Os números indicam que a definição do voto permanece em aberto para uma parcela relevante desses grupos, que poderá ter influência importante na configuração do cenário eleitoral ao longo dos próximos meses.
Na pesquisa estimulada, quando os entrevistados recebem uma lista com os nomes dos possíveis candidatos, a disputa aparece bastante equilibrada entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio registra 45% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 44%. A diferença de apenas um ponto percentual configura empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais informada pelo levantamento.
O resultado demonstra que, dentro dos limites estatísticos da pesquisa, não é possível afirmar que um dos dois pré-candidatos esteja numericamente à frente do outro de maneira conclusiva. Embora Flávio Bolsonaro apareça com um percentual ligeiramente superior, a diferença está dentro da margem de erro, o que reforça a leitura de um cenário de equilíbrio entre os dois nomes.
Crescimento da indecisão pode influenciar a disputa
O aumento do número de eleitores indecisos é um dos principais aspectos destacados pelo levantamento. Na modalidade espontânea, em que os entrevistados respondem livremente em quem votariam, sem receber uma lista prévia de candidatos, o percentual passou de 7% para 14%.
Esse tipo de consulta é utilizado para observar o grau de consolidação das preferências eleitorais, uma vez que permite identificar quais nomes são lembrados espontaneamente pelos participantes. Quando o número de pessoas que não apresentam uma escolha definida cresce, o resultado pode indicar que parte do eleitorado ainda está avaliando as alternativas disponíveis ou não consolidou uma preferência.
É importante, entretanto, interpretar os números com cautela. O aumento da indecisão, isoladamente, não permite determinar quais candidatos seriam beneficiados por uma eventual mudança de posicionamento dos eleitores. Para compreender os possíveis efeitos desse movimento, seria necessário analisar outros indicadores, como a rejeição aos candidatos, a evolução das intenções de voto, o conhecimento dos nomes apresentados e as razões apontadas pelos entrevistados para ainda não terem definido sua escolha.
A diferença entre os resultados da pesquisa espontânea e da estimulada também merece atenção. Enquanto a primeira identifica a preferência declarada sem apresentar alternativas, a segunda permite avaliar a intenção de voto diante de uma relação de candidatos. Por isso, os percentuais dessas duas modalidades não devem ser interpretados como indicadores equivalentes.
Mulheres apresentam aumento no percentual de indecisos
Entre as mulheres, a proporção de eleitoras que ainda não definiram seu voto passou de 8% para 17%, segundo os dados divulgados. O crescimento representa mais que o dobro do percentual anterior e coloca esse segmento entre aqueles em que a indefinição eleitoral ganhou maior dimensão.
O comportamento desse grupo poderá ser acompanhado ao longo do processo eleitoral, especialmente à medida que as candidaturas avancem, as propostas sejam apresentadas e o debate público se intensifique. Ainda assim, o levantamento não permite concluir, por si só, que as eleitoras indecisas estejam inclinadas a apoiar determinado campo político.
A definição do voto pode envolver diferentes fatores, como a avaliação do governo, as expectativas em relação à economia, as propostas para áreas como saúde e educação, a segurança pública e a percepção sobre a capacidade de cada candidato para enfrentar os principais problemas do país.
Por essa razão, o crescimento da indecisão entre as mulheres representa um dado relevante para a análise do cenário, mas não deve ser confundido com uma mudança automática de apoio entre os candidatos.
Eleitores independentes concentram o maior avanço
Outro resultado que chama a atenção é o crescimento do percentual de indecisos entre os eleitores independentes. Nesse grupo, o índice passou de 13% para 31%, uma elevação de 18 pontos percentuais.
O dado indica que quase um terço dos entrevistados classificados nesse segmento não apresentou uma escolha definida na modalidade espontânea. A dimensão desse percentual reforça a importância de acompanhar o comportamento desse eleitorado, sobretudo em uma disputa na qual os dois principais nomes apresentados na pesquisa estimulada aparecem separados por apenas um ponto percentual.
Eleitores independentes podem apresentar diferentes perfis e motivações. A classificação, contudo, não significa necessariamente que todos sejam eleitores de centro, que rejeitem os partidos políticos ou que estejam igualmente distantes dos candidatos. Para compreender com precisão o comportamento desse grupo, é necessário considerar os critérios utilizados pela pesquisa para defini-lo e observar os demais indicadores do levantamento.
Em disputas equilibradas, a movimentação de eleitores que ainda não consolidaram suas preferências pode alterar os percentuais observados em pesquisas futuras. Isso não significa, porém, que os indecisos necessariamente migrarão para um dos candidatos que aparecem na liderança. Parte deles pode optar por outros nomes, permanecer sem preferência definida ou modificar sua escolha ao longo da campanha.
Flávio Bolsonaro e Lula mantêm disputa acirrada
Na pesquisa estimulada, Flávio Bolsonaro aparece com 45% das intenções de voto, enquanto Lula registra 44%. A diferença reduzida coloca os dois políticos em situação de empate técnico, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
O resultado aponta para uma disputa competitiva entre os dois nomes avaliados, mas deve ser considerado como um retrato do momento em que as entrevistas foram realizadas. Pesquisas eleitorais medem as preferências declaradas pelos participantes no período da coleta e não representam uma previsão definitiva do resultado das urnas.
A evolução do cenário dependerá de diferentes fatores, entre eles a movimentação das candidaturas, a apresentação de propostas, os debates políticos, a avaliação dos eleitores sobre a situação do país e a capacidade dos candidatos de ampliar sua presença junto aos diferentes segmentos da população.
Também será importante observar se a diferença entre os dois nomes se mantém nos próximos levantamentos e se o crescimento da indecisão identificado na modalidade espontânea se confirma em novas rodadas de pesquisa.
Metodologia e registro no TSE
Encomendado pelo Grupo Globo, o levantamento ouviu 2.154 pessoas entre os dias 17 e 20 de outubro. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08535/2026.
A margem de erro indica o intervalo de variação associado às estimativas da pesquisa, dentro das condições estatísticas adotadas. Por esse motivo, a diferença de um ponto percentual entre Flávio Bolsonaro e Lula não é suficiente para estabelecer uma vantagem estatisticamente conclusiva de um sobre o outro.
A análise dos resultados exige, ainda, a consideração de outros aspectos metodológicos, como o nível de confiança, o plano amostral, os critérios de seleção dos entrevistados e a formulação das perguntas. Esses elementos ajudam a compreender o alcance dos dados e os limites das conclusões que podem ser extraídas do levantamento.
Cenário eleitoral segue em aberto
Os números divulgados pela Quaest combinam dois sinais importantes para a leitura do cenário presidencial: o equilíbrio entre Flávio Bolsonaro e Lula na pesquisa estimulada e o crescimento da parcela de eleitores que ainda não manifesta uma preferência espontânea.
A proximidade dos percentuais dos dois políticos reforça a competitividade da disputa, enquanto a expansão da indecisão demonstra que parte do eleitorado ainda não consolidou sua escolha. O avanço é particularmente expressivo entre as mulheres e os eleitores independentes, segmentos que merecem acompanhamento nas próximas pesquisas.
Apesar disso, os dados disponíveis não permitem antecipar qual candidato poderá se beneficiar desse contingente de eleitores. A direção de eventuais mudanças dependerá das preferências individuais, da evolução do debate político e dos acontecimentos que influenciarão a percepção da população sobre os nomes colocados na disputa.
Com a corrida presidencial de 2026 em andamento, os próximos levantamentos deverão ajudar a esclarecer se o empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula se mantém, se haverá alterações na distribuição das intenções de voto e como se comportará a parcela de eleitores que ainda não definiu sua preferência.
Por enquanto, a principal indicação da pesquisa é a existência de uma disputa acirrada, acompanhada por um aumento significativo da indecisão eleitoral. Em um cenário de diferença reduzida entre os dois nomes, a evolução desses indicadores será fundamental para compreender os rumos da corrida presidencial nos próximos meses.






