Uma pesquisa nacional realizada com gestantes brasileiras acendeu um alerta para a importância da informação qualificada sobre a vacinação durante a gravidez. De acordo com o levantamento, 79% das entrevistadas apresentaram pelo menos uma dúvida ou percepção equivocada sobre a imunização nesse período, evidenciando que, apesar dos avanços registrados nos últimos anos, ainda existem lacunas significativas no conhecimento sobre a indicação das vacinas e os benefícios que elas podem proporcionar tanto para a saúde materna quanto para a proteção dos bebês.
Os dados revelam um cenário que merece atenção de profissionais de saúde, gestores públicos e instituições responsáveis pelas políticas de prevenção de doenças. Embora a vacinação durante a gestação seja uma estratégia importante de proteção, parte das mulheres ainda demonstra insegurança ou desconhecimento sobre o calendário específico recomendado para essa fase da vida, bem como sobre a capacidade de determinados imunizantes de contribuir para a defesa dos recém-nascidos nos primeiros meses após o nascimento.
O levantamento foi realizado pelo instituto Ipsos-Ipec, a pedido da Pfizer, e ouviu gestantes com idades entre 18 e 45 anos, residentes em diferentes regiões do Brasil. As entrevistas foram conduzidas pela internet, entre os dias 13 e 28 de julho de 2026. A pesquisa buscou identificar o nível de conhecimento das participantes sobre a vacinação na gravidez, suas percepções a respeito das doenças infecciosas e a compreensão das medidas disponíveis para proteger mães e crianças.
Um dos resultados mais expressivos diz respeito ao número reduzido de entrevistadas que demonstraram domínio integral dos assuntos avaliados. Apenas 13% responderam corretamente a todas as afirmações apresentadas durante a pesquisa. O dado indica que, embora muitas gestantes já tenham ouvido falar sobre a importância da vacinação, conhecer o tema de maneira geral não significa necessariamente compreender todas as recomendações, indicações e possibilidades de prevenção existentes.
A diferença entre ter acesso a informações e compreender adequadamente as orientações médicas representa um dos principais desafios para ampliar a adesão consciente à imunização. Na prática, dúvidas sobre quais vacinas podem ser administradas durante a gestação, em que momento devem ser tomadas e de que maneira contribuem para a saúde do bebê podem influenciar as decisões das mulheres e dificultar o aproveitamento dos benefícios da prevenção.
Conhecimento sobre vacinação avança, mas ainda existem dúvidas importantes
A comparação com a primeira edição do levantamento, realizada em 2024, aponta uma evolução no conhecimento das gestantes sobre a existência de recomendações específicas de vacinação durante a gravidez. Na pesquisa mais recente, 72% das participantes afirmaram saber que existe um calendário vacinal próprio para gestantes. Em 2024, esse percentual era de 58%.
O crescimento representa um avanço na disseminação de informações sobre a imunização materna. Entretanto, os resultados também mostram que o conhecimento ainda não alcança todas as mulheres e que parte das entrevistadas mantém percepções que podem comprometer a compreensão das recomendações de saúde.
Segundo os dados, 25% das participantes acreditavam que deveriam seguir apenas o calendário de vacinação correspondente à sua idade, sem considerar a existência de orientações específicas para o período gestacional. Essa percepção demonstra a necessidade de reforçar, durante o pré-natal, que a gravidez exige uma avaliação individualizada das vacinas indicadas, levando em conta as recomendações sanitárias vigentes, o histórico vacinal e as condições de saúde da gestante.
Outro dado que chama a atenção é que 31% das mulheres não reconheceram que algumas vacinas administradas durante a gravidez também podem contribuir para a proteção do bebê. A informação evidencia uma lacuna importante na compreensão da chamada imunização materna, estratégia que pode oferecer benefícios para a criança ainda antes do nascimento.
Durante a gestação, determinados anticorpos produzidos pela mãe podem atravessar a placenta e proporcionar proteção temporária ao bebê após o parto. Esse mecanismo é especialmente relevante nos primeiros meses de vida, período em que a criança ainda está desenvolvendo suas próprias defesas imunológicas e pode apresentar maior vulnerabilidade a determinadas infecções.
Por essa razão, explicar às gestantes não apenas a importância da vacinação para a própria saúde, mas também os benefícios que determinados imunizantes podem proporcionar aos filhos, é uma medida fundamental para fortalecer a confiança nas recomendações médicas e ampliar a compreensão sobre a prevenção de doenças.
Recomendação médica ganha força entre as gestantes
A pesquisa também identificou um avanço na orientação oferecida por profissionais de saúde. Em 2026, 88% das entrevistadas afirmaram ter recebido recomendação médica para se vacinar durante a gravidez. Na edição anterior, realizada em 2024, o percentual era de 77%.
O crescimento indica que a recomendação profissional ocupa um espaço relevante na orientação das gestantes sobre a imunização. O acompanhamento pré-natal representa uma oportunidade estratégica para esclarecer dúvidas, corrigir informações incorretas e apresentar as vacinas recomendadas de acordo com as diretrizes de saúde vigentes.
Mais do que indicar a necessidade de vacinação, o atendimento deve permitir que a mulher compreenda os motivos de cada recomendação, os benefícios esperados e o momento adequado para receber os imunizantes. Uma comunicação clara, acessível e baseada em evidências científicas pode ajudar a reduzir receios, combater informações equivocadas e favorecer decisões mais seguras.
A orientação individualizada também é importante porque as recomendações podem variar conforme o imunizante, a fase da gestação, o histórico de vacinação e as condições clínicas de cada paciente. Por isso, a consulta de pré-natal deve ser vista como um espaço de diálogo, no qual a gestante tenha liberdade para apresentar preocupações e receber respostas fundamentadas.
Apesar do percentual elevado de mulheres que relataram ter recebido recomendação médica, os dados gerais demonstram que a orientação profissional ainda precisa ser acompanhada de estratégias de educação em saúde capazes de assegurar que as informações sejam efetivamente compreendidas.
Vírus sincicial respiratório preocupa gestantes e amplia debate sobre prevenção
Entre os temas abordados pela pesquisa, o conhecimento sobre o vírus sincicial respiratório (VSR) também merece destaque. O levantamento identificou que quatro em cada dez participantes não sabiam da existência de formas de prevenção contra o vírus disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
O VSR é um dos principais agentes associados à bronquiolite em crianças menores de dois anos. A doença provoca uma inflamação dos bronquíolos, pequenas vias responsáveis pela passagem do ar nos pulmões, e pode comprometer a respiração, especialmente entre bebês mais novos e crianças com maior vulnerabilidade.
Em quadros mais graves, a bronquiolite pode exigir atendimento hospitalar, oxigenoterapia e outros cuidados médicos. A intensidade dos sintomas varia de acordo com a criança e com a evolução da infecção, o que torna importante reconhecer os sinais de agravamento e procurar assistência de saúde quando necessário.
O desconhecimento sobre as possibilidades de prevenção representa um desafio para a saúde pública, sobretudo porque as medidas preventivas precisam ser acompanhadas de informação acessível para que as famílias saibam quais estratégias estão disponíveis, a quem se destinam e como podem ser utilizadas.
É importante destacar que as estratégias de prevenção contra o VSR podem envolver diferentes intervenções, conforme a faixa etária, as condições de saúde e as recomendações sanitárias aplicáveis. A disponibilidade de uma medida no SUS não significa necessariamente que todas as gestantes ou todos os bebês sejam elegíveis para recebê-la. A indicação deve seguir os critérios estabelecidos pelas autoridades de saúde.
Nesse contexto, o pré-natal e o acompanhamento pediátrico são oportunidades importantes para esclarecer as famílias sobre as medidas preventivas disponíveis e orientar a busca pelos serviços de saúde adequados.
Conhecimento sobre o VSR apresenta crescimento em relação a 2024
Apesar das lacunas identificadas, a pesquisa também aponta uma evolução no reconhecimento do vírus sincicial respiratório entre as gestantes brasileiras.
Na comparação com o levantamento realizado em 2024, o percentual de mulheres que conheciam ou já tinham ouvido falar sobre o VSR passou de 58% para 70%. O crescimento sugere que o tema ganhou maior visibilidade nos últimos dois anos, ampliando sua presença nas discussões sobre a saúde infantil e a prevenção de doenças respiratórias.
Entretanto, conhecer o nome do vírus não significa, necessariamente, compreender seus riscos, os sintomas associados à infecção ou as formas de prevenção disponíveis. Essa diferença ajuda a explicar por que, mesmo com o aumento do reconhecimento do VSR, uma parcela expressiva das entrevistadas ainda desconhecia as alternativas preventivas oferecidas pelo sistema público de saúde.
A ampliação do conhecimento precisa, portanto, ser acompanhada de informações práticas e confiáveis. As gestantes devem receber orientações sobre a importância da prevenção, enquanto pais e responsáveis precisam saber quando procurar atendimento diante de sintomas respiratórios em bebês e crianças pequenas.
A circulação de informações claras também contribui para reduzir a disseminação de conteúdos imprecisos, que podem gerar insegurança e dificultar a compreensão das recomendações dos profissionais de saúde.
Bronquiolite passa a ocupar espaço maior entre as preocupações das gestantes
Outro resultado significativo diz respeito à percepção de risco associada à bronquiolite. Em 2026, 60% das entrevistadas citaram a doença como uma preocupação entre as enfermidades infectocontagiosas. Em 2024, esse percentual era de 40%.
O aumento de 20 pontos percentuais demonstra que a bronquiolite passou a ocupar um lugar mais expressivo entre as preocupações relatadas pelas participantes. O resultado acompanha o crescimento do conhecimento sobre o VSR e reforça a relevância do tema para mulheres que estão se preparando para a chegada de um filho.
A preocupação com doenças respiratórias na primeira infância pode ser compreendida diante da vulnerabilidade dos bebês e da possibilidade de evolução para quadros que exigem acompanhamento médico mais intenso. Para muitas famílias, o período que antecede o nascimento é marcado por dúvidas sobre como evitar infecções e quais cuidados devem ser adotados para preservar a saúde da criança.
Ainda assim, a preocupação, por si só, não garante que as famílias tenham informações suficientes para agir preventivamente. O desafio consiste em transformar o interesse pelo assunto em conhecimento concreto, capaz de orientar escolhas e facilitar o acesso aos serviços de saúde.
Nesse sentido, campanhas educativas, consultas de pré-natal e ações de comunicação pública podem contribuir para esclarecer as diferenças entre as doenças respiratórias, explicar os mecanismos de transmissão e apresentar as medidas preventivas recomendadas.
Informação de qualidade é fundamental para a saúde materna e infantil
Os resultados da pesquisa evidenciam que a vacinação durante a gravidez precisa continuar sendo abordada de maneira sistemática nos serviços de saúde e nas iniciativas de educação voltadas à população. Embora os indicadores de conhecimento tenham melhorado em comparação com 2024, o percentual de gestantes que ainda apresentam dúvidas ou percepções equivocadas demonstra que o acesso à informação permanece como um desafio relevante.
O fato de 79% das entrevistadas terem apresentado ao menos uma dúvida ou compreensão incorreta, somado ao resultado de apenas 13% de respostas integralmente corretas, reforça a necessidade de aprimorar a comunicação sobre imunização. As informações devem ser transmitidas em linguagem acessível, sem perder o rigor científico, e precisam considerar as dúvidas reais das mulheres durante o acompanhamento gestacional.
Também é importante reconhecer que a responsabilidade pela disseminação de informações confiáveis não deve recair exclusivamente sobre as gestantes. Profissionais de saúde, gestores públicos, instituições científicas e meios de comunicação desempenham papéis complementares na construção de um ambiente informativo que favoreça decisões conscientes e o acesso às medidas de prevenção.
No âmbito do SUS, a orientação adequada pode ajudar as famílias a compreender quais vacinas e outras estratégias preventivas estão disponíveis, quais são os critérios de indicação e onde buscar atendimento. A informação, nesse cenário, funciona como uma ponte entre as políticas públicas de saúde e a população que precisa conhecer e utilizar os serviços oferecidos.
A abordagem também deve levar em consideração que as dúvidas podem surgir em diferentes momentos da gestação. Por isso, a comunicação sobre vacinação não deve se limitar a uma única consulta ou a uma campanha pontual, mas integrar de forma contínua o acompanhamento pré-natal.
Pesquisa reforça necessidade de ampliar a conscientização
O levantamento do Ipsos-Ipec, encomendado pela Pfizer, apresenta um retrato do conhecimento declarado por gestantes brasileiras sobre vacinação, imunização materna e prevenção de doenças respiratórias na infância. Os resultados indicam avanços na familiaridade com o calendário vacinal específico da gestação, maior recomendação médica relatada e crescimento do reconhecimento do VSR.
Ao mesmo tempo, os números demonstram que a evolução do conhecimento ainda convive com dúvidas relevantes sobre a indicação dos imunizantes e a proteção que determinadas vacinas podem proporcionar aos bebês. A falta de informação sobre as estratégias preventivas disponíveis no SUS também aparece como um ponto que exige atenção.
Os dados não significam que todas as mulheres que apresentaram dúvidas deixaram de se vacinar, mas mostram a importância de compreender melhor os obstáculos informativos que podem influenciar as decisões durante a gravidez. Para avaliar a adesão efetiva à vacinação, seria necessário analisar indicadores específicos sobre recebimento dos imunizantes, além das percepções declaradas pelas entrevistadas.
O cenário reforça a importância de investir em orientação médica, educação em saúde e divulgação responsável de informações. Ao compreender melhor as recomendações de vacinação e as medidas de prevenção disponíveis, as gestantes e suas famílias podem tomar decisões mais informadas, em diálogo com os profissionais responsáveis pelo acompanhamento.
Em um período marcado por transformações físicas, emocionais e pela preparação para a chegada de um bebê, garantir acesso a informações confiáveis é parte essencial do cuidado. A pesquisa mostra que houve avanços, mas também evidencia que ainda existe um caminho importante a percorrer para que o conhecimento sobre vacinação durante a gravidez alcance um número maior de mulheres e se traduza em compreensão efetiva das estratégias de proteção materna e infantil.






