A dentista Fernanda Bolsonaro, mulher do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), divulgou nesta sexta-feira (2) um vídeo nas redes sociais em que apresenta uma das propostas voltadas ao público feminino defendidas pela campanha. Segundo ela, caso o marido seja eleito, haverá uma iniciativa denominada “Brasil por Elas”, com a proposta de oferecer formação gratuita para meninas e mulheres.
Na gravação, Fernanda afirma que Flávio pretende “honrar as mulheres” e trabalhar para ampliar políticas direcionadas ao público feminino. A declaração ocorre na reta final do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, em um momento em que a disputa pelo eleitorado feminino ganhou espaço nas estratégias das campanhas.
De acordo com Fernanda, a ideia é criar uma escola voltada especificamente para meninas, com foco em conhecimento, capacitação e desenvolvimento pessoal e profissional. Ela comparou o projeto a instituições de referência na área de formação e qualificação, citando modelos como o Sesc e o Senai.
A proposta apresentada no vídeo prevê uma instituição gratuita, que, segundo a dentista, teria como objetivo ensinar mulheres a desenvolver capacidades e buscar melhores oportunidades. A iniciativa foi descrita por ela como uma estrutura de formação pensada para atender demandas específicas enfrentadas pelo público feminino.
“Brasil por Elas” seria, portanto, uma das frentes apresentadas pela campanha para dialogar com mulheres em áreas relacionadas à educação, qualificação e autonomia. Até o momento, porém, a declaração de Fernanda não detalha aspectos como número de unidades, orçamento, público-alvo por faixa etária, modelo de financiamento ou cronograma para eventual implementação.
Fernanda diz ter ajudado Flávio a compreender demandas das mulheres
Durante o vídeo, Fernanda também destacou sua participação na construção da percepção de Flávio Bolsonaro sobre temas relacionados às mulheres.
Segundo ela, ao longo da convivência com o senador, teria apresentado ao marido preocupações e situações enfrentadas cotidianamente pelas mulheres. A declaração procura destacar uma aproximação entre a trajetória pessoal da dentista e a formulação de propostas destinadas ao eleitorado feminino.
Fernanda afirmou que ajudou Flávio a compreender questões que fazem parte da rotina das mulheres e que, a partir desse diálogo, passou a existir maior atenção do candidato para essa parcela do eleitorado.
A participação da esposa do candidato ocorre em uma etapa decisiva da campanha, quando os partidos e candidatos intensificam a comunicação direcionada a segmentos específicos do eleitorado.
Disputa pelo voto feminino ganha importância na reta final
O anúncio acontece poucos dias antes do primeiro turno, marcado para este domingo (4), e em meio a uma disputa presidencial marcada por diferenças significativas entre os candidatos quando analisados determinados segmentos do eleitorado.
Pesquisa Datafolha divulgada em 1º de outubro mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 45% das intenções de voto entre as mulheres, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 35%. Entre os homens, os dois candidatos aparecem com 40% cada. A margem de erro para esses segmentos é de três pontos percentuais.
O levantamento foi realizado entre 28 de setembro e 1º de outubro e ouviu 2.506 eleitores. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08039/2026.
Os números ajudam a explicar a importância que o eleitorado feminino passou a ocupar nas últimas semanas da campanha. A diferença registrada entre Lula e Flávio nesse segmento aparece em um cenário no qual as campanhas ampliam manifestações e propostas direcionadas às mulheres.
A pesquisa também mostra que o comportamento eleitoral varia consideravelmente de acordo com outros segmentos sociais, como idade, renda, escolaridade, religião e região do país. Entre os homens, por exemplo, Lula e Flávio aparecem empatados numericamente, enquanto entre as mulheres há uma diferença de dez pontos percentuais no levantamento.
Proposta ainda depende de detalhes sobre execução
Apesar da apresentação da “Brasil por Elas”, o vídeo divulgado por Fernanda não apresenta informações detalhadas sobre como a escola seria estruturada caso Flávio Bolsonaro chegasse à Presidência.
Uma eventual implementação de uma política pública dessa dimensão exigiria definição de orçamento, estrutura administrativa, abrangência territorial, critérios de participação e articulação com outras políticas federais de educação e qualificação profissional.
A proposta apresentada, neste momento, funciona como uma sinalização política da campanha sobre a intenção de ampliar iniciativas voltadas às mulheres. Detalhes sobre a execução e o alcance do programa ainda não foram apresentados na declaração divulgada.
Campanha amplia acenos ao eleitorado feminino
A presença de Fernanda Bolsonaro na comunicação eleitoral também ocorre em meio à tentativa de ampliar o diálogo de Flávio com as mulheres. Segundo informações divulgadas sobre a campanha, ela tem participado de atos e eventos ao lado do candidato em diferentes regiões do país.
O movimento ocorre em uma eleição na qual o voto feminino representa um dos principais segmentos demográficos do eleitorado brasileiro e tem peso relevante na formação do resultado nacional.
Na reta final, propostas relacionadas à educação, qualificação profissional, segurança, saúde, autonomia financeira e proteção social passaram a ocupar espaço importante nos discursos direcionados às eleitoras.
A estratégia apresentada por Fernanda busca inserir Flávio nesse debate por meio de uma proposta específica de formação e capacitação. A “Brasil por Elas”, conforme descrita no vídeo, pretende criar uma estrutura gratuita voltada ao desenvolvimento de meninas e mulheres.
A declaração, entretanto, ocorre em um ambiente eleitoral em que os dados das pesquisas são apenas retratos do momento em que as entrevistas foram realizadas. O próprio levantamento do Datafolha ressalta que pesquisa de intenção de voto não representa previsão do resultado eleitoral, que também pode ser influenciado por abstenções, mudanças de última hora e comportamento do eleitor no dia da votação.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, as campanhas entram nos últimos dias de mobilização antes da abertura das urnas. Nesse cenário, a disputa pelo eleitorado feminino permanece como um dos temas centrais da comunicação dos principais candidatos à Presidência.






