A Polícia Civil de São Paulo prendeu temporariamente, neste domingo (13), um dos sócios-proprietários da construtora New Home, empresa responsável pela obra do edifício de 12 andares que desabou na Penha, na zona leste da capital paulista. A tragédia, registrada na madrugada de sábado (12), provocou a morte de seis pessoas e mobilizou equipes de emergência, autoridades municipais e órgãos de investigação.
O homem preso é apontado pelos investigadores como um dos responsáveis pela empresa que conduzia a construção do imóvel. Após ser localizado, ele foi encaminhado ao 24º Distrito Policial, em Ponte Rasa, onde deverá prestar depoimento. O investigado permanecerá à disposição da Justiça enquanto as autoridades avançam na apuração das circunstâncias que levaram ao colapso da estrutura.
Além da prisão realizada neste domingo, a Polícia Civil também cumpriu medidas judiciais contra outros dois representantes da construtora. Eles são alvos de mandados de prisão temporária e continuam sendo procurados pelas equipes policiais. As diligências permanecem em andamento com o objetivo de localizar os demais investigados e reunir novos elementos que possam contribuir para esclarecer a dinâmica do desabamento.
A investigação criminal deverá concentrar esforços na análise de toda a documentação relacionada ao empreendimento. Entre os materiais que serão examinados estão registros da empresa, projetos, alvarás, licenças, permissões, documentos referentes à execução da obra e demais elementos que possam indicar eventual descumprimento de normas técnicas ou administrativas.
A Polícia Civil também deverá verificar se houve falhas na execução da construção, irregularidades no processo de autorização ou fiscalização e possíveis condutas que tenham contribuído direta ou indiretamente para o desabamento.
À frente das apurações está a delegada Deidiene Fialho Costa Éboli, titular do 24º DP e responsável pelo inquérito. Segundo a autoridade policial, um dos principais objetivos é estabelecer uma linha do tempo dos acontecimentos e identificar quais procedimentos foram adotados antes da tragédia.
Entre as perguntas que deverão orientar a investigação está a possibilidade de o desabamento ter sido evitado caso determinadas medidas técnicas ou administrativas tivessem sido adotadas anteriormente. A polícia também pretende identificar eventuais responsáveis e verificar se houve negligência, imprudência, imperícia ou outras irregularidades relacionadas à obra.
Documento sobre demolição também entra no centro das apurações
Paralelamente à investigação conduzida pela Polícia Civil, a Prefeitura de São Paulo deverá apurar possíveis falhas administrativas relacionadas ao terreno onde o edifício estava sendo construído.
De acordo com o procurador-geral do município, Daniel Falcão, uma servidora da Prefeitura deverá ser afastada temporariamente do cargo após ter atestado que a construção anteriormente existente no terreno havia sido demolida. Segundo as informações apresentadas pelas autoridades, porém, a demolição indicada no documento não teria sido efetivamente realizada.
O afastamento deverá ter duração inicial de pelo menos 30 dias e tem como objetivo permitir que a Controladoria-Geral do Município conduza uma investigação interna para esclarecer como o documento foi emitido, quais informações foram utilizadas para a elaboração do ateste e qual foi exatamente a atuação da servidora dentro do processo administrativo.
A medida busca preservar a apuração e evitar qualquer possibilidade de interferência enquanto os fatos são analisados pelos órgãos responsáveis.
“Vai haver uma determinação minha de afastamento dessa servidora que deu esse ateste por pelo menos 30 dias para ajudar na investigação. Ela não pode continuar no cargo nesse momento para não atrapalhar a nossa investigação interna”, afirmou Daniel Falcão.
Tragédia amplia pressão por respostas
O desabamento do prédio transformou a região da Penha em cenário de uma operação de emergência e, posteriormente, de uma complexa investigação destinada a esclarecer as causas da queda da estrutura.
Com seis mortes confirmadas, o caso passou a ser acompanhado de perto pelas autoridades, sobretudo diante das dúvidas que envolvem a execução da obra, a documentação apresentada pela empresa e os procedimentos administrativos relacionados ao imóvel.
A investigação deverá avançar em diferentes frentes, reunindo informações técnicas, documentos públicos, registros empresariais e depoimentos de pessoas ligadas à construção. A análise conjunta desses elementos será fundamental para determinar se o colapso ocorreu exclusivamente por questões estruturais ou se houve uma sucessão de falhas que poderia ter contribuído para a tragédia.
Enquanto a Polícia Civil trabalha para identificar responsabilidades criminais, a Prefeitura deverá aprofundar a apuração administrativa sobre os procedimentos adotados pelos servidores envolvidos no processo.
O caso, portanto, passa a ser investigado sob duas perspectivas: a criminal, que busca determinar quem poderá ser responsabilizado pelo desabamento e pelas mortes, e a administrativa, voltada a esclarecer possíveis falhas de fiscalização, emissão de documentos e acompanhamento do empreendimento.
As prisões temporárias e os afastamentos determinados neste momento não representam, por si só, uma conclusão sobre a responsabilidade dos envolvidos. Caberá à investigação reunir provas e, posteriormente, às autoridades judiciais avaliar os elementos apresentados no processo.
A expectativa é de que os próximos dias sejam decisivos para esclarecer as circunstâncias que antecederam o desabamento e responder às principais perguntas que permanecem abertas: como uma construção de 12 andares chegou ao ponto de colapsar, quais procedimentos foram adotados durante sua execução e se a tragédia poderia ter sido evitada.






