O enfrentamento à violência contra a mulher ganhou um importante espaço de diálogo, informação, conscientização e mobilização na tarde desta quinta-feira (20), em Vitória da Conquista. A terceira edição do Encontro Rede Lilás – Proteção, Dignidade e Recomeço reuniu representantes do poder público, empresas privadas, instituições, profissionais de diferentes áreas e integrantes da comunidade no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima.
Promovido pelo Grupo Érika Sodré, o encontro ampliou a proposta de reunir diferentes segmentos da sociedade em torno de uma pauta que exige atenção permanente: a prevenção e o combate às diversas formas de violência contra as mulheres. A iniciativa também buscou fortalecer a integração entre os serviços existentes e ampliar o conhecimento da população sobre os caminhos de acolhimento e proteção disponíveis no município.
Nesta terceira edição, a Rede Lilás apresentou uma estrutura ampliada, com maior participação de empresas, órgãos públicos e instituições parceiras. A proposta central foi aproximar setores que, embora tenham responsabilidades distintas, podem atuar de maneira complementar na construção de uma rede mais articulada e preparada para orientar e acolher mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade.
Mais do que promover um encontro pontual, a iniciativa reforça a importância de manter o tema em evidência e criar mecanismos para que a informação chegue de forma acessível a quem precisa. Direitos, saúde, acolhimento, segurança, orientação e acesso aos serviços públicos estiveram entre os assuntos que ganharam espaço durante a programação.
A presença de representantes da administração municipal também evidenciou o caráter institucional da mobilização. Entre as participantes estiveram a prefeita Sheila Lemos, a secretária municipal de Políticas para Mulheres, Viviane Ferreira, a secretária municipal de Saúde, Lorena Silveira, a secretária municipal de Relações Institucionais, Kalilly Lemos, e a secretária de Governo, Geanne Oliveira, além de representantes de outros setores da administração pública e de instituições parceiras.
Durante o encontro, a prefeita Sheila Lemos destacou a necessidade de manter o enfrentamento à violência contra a mulher como uma pauta permanente da sociedade. Segundo ela, embora o desejo seja de que um dia não seja mais necessário promover discussões sobre o assunto, a realidade ainda demonstra a importância de falar, orientar e mobilizar.
“Infelizmente, ainda acontece violência contra as mulheres. Bom seria se nós não precisássemos mais discutir, falar sobre esse tema, mas é um tema que ainda precisa ser discutido”, afirmou a prefeita.
Sheila Lemos também chamou atenção para o fato de que a violência contra a mulher não se limita às agressões físicas. Situações de violência psicológica, moral e financeira também fazem parte de uma realidade que muitas vezes permanece invisível e pode se desenvolver de maneira silenciosa dentro de relacionamentos, ambientes familiares e sociais.
Nesse contexto, a informação se apresenta como uma das principais ferramentas de prevenção. Conhecer os próprios direitos, identificar situações de violência e saber onde buscar orientação e atendimento pode representar um passo decisivo para interromper ciclos de agressão e possibilitar que mulheres encontrem caminhos para reconstruir suas vidas com segurança e dignidade.
A secretária municipal de Políticas para Mulheres, Viviane Ferreira, ressaltou que a terceira edição da Rede Lilás representa também um avanço na articulação entre diferentes setores. Para ela, o fortalecimento da rede depende da disposição de empresas, instituições e poder público em compartilhar responsabilidades e construir uma atuação conjunta.
“É muito importante que a gente também fortaleça essas redes que vêm entendendo a necessidade de uma reflexão social maior da importância de toda uma sociedade envolver e trabalhar junto, unido forças”, destacou Viviane Ferreira.
A participação de serviços especializados reforçou justamente essa perspectiva de integração. O Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Crav) esteve presente com um balcão informativo, disponibilizando orientações e informações ao público. A Guarda Municipal também participou da programação, contribuindo com esclarecimentos e orientações relacionadas à proteção e à segurança.
A presença desses serviços no mesmo espaço permitiu aproximar a população dos equipamentos que integram a rede de atendimento. Em muitos casos, mulheres que vivenciam situações de violência desconhecem os serviços disponíveis, têm dúvidas sobre como proceder ou encontram dificuldades para identificar o primeiro caminho a ser seguido. Por isso, iniciativas que aproximam os equipamentos públicos da comunidade desempenham papel relevante na democratização do acesso à informação.
A Rede Lilás também chama atenção para a necessidade de uma atuação que vá além do momento em que a violência já ocorreu. A prevenção passa pela educação, pela conscientização, pela mudança de comportamentos e pelo envolvimento de toda a sociedade na construção de relações baseadas no respeito, na igualdade e na dignidade.
A articulação entre poder público, iniciativa privada, instituições e comunidade pode contribuir ainda para ampliar a capacidade de identificação de situações de risco e facilitar o encaminhamento das mulheres aos serviços adequados. Quanto mais integrada estiver a rede, maiores são as possibilidades de oferecer respostas rápidas, humanizadas e eficientes.
Outro aspecto destacado pela iniciativa é a importância de compreender que o enfrentamento à violência contra a mulher não é responsabilidade exclusiva de um órgão ou setor. Trata-se de uma questão social que exige participação coletiva e políticas permanentes. Saúde, segurança, assistência, educação, Justiça, empresas e organizações da sociedade civil podem desempenhar papéis importantes nesse processo.
Com o lema “Proteção, Dignidade e Recomeço”, a terceira edição do Encontro Rede Lilás reforçou justamente essa perspectiva: proteger mulheres, garantir acesso à informação e aos direitos e contribuir para que aquelas que enfrentam situações de violência possam encontrar condições para reconstruir suas trajetórias.
A expectativa dos organizadores é que a Rede Lilás continue crescendo nas próximas edições e incorpore novos parceiros, ampliando a participação de empresas, instituições e representantes de diferentes segmentos. A intenção é transformar a mobilização em uma articulação cada vez mais ampla e permanente em Vitória da Conquista.
Ao reunir diferentes vozes em torno de uma mesma causa, o encontro deixou uma mensagem clara sobre a importância da união de esforços. O combate à violência contra a mulher exige informação, acolhimento, políticas públicas, serviços estruturados e, sobretudo, uma sociedade disposta a não silenciar diante das situações de violência.
Em Vitória da Conquista, a terceira edição da Rede Lilás fortalece esse movimento e reafirma que promover proteção e dignidade também significa garantir que nenhuma mulher precise enfrentar sozinha uma situação de violência. A construção de uma rede de apoio mais próxima, integrada e preparada permanece como um dos caminhos para ampliar a segurança, o acolhimento e as possibilidades de recomeço.






